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Semestre/2008
Coronel Sérgio Mário Pasquali,
presidente nacional do Projeto Rondon
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É preciso que se motive a juventude universitária brasileirapara a problemática deste país multicultural e multiracial
À
primeira vista, cel.Pasquali é um senhoraltivo e dinâmico.Educado, pronuncia-secom clareza. Passados 80 anosde vida, Pasquali demonstra oentusiasmo de um menino aoalar de uma de suas paixões:Projeto Rondon, o maiorprograma de extensão univer-sitária realizado na história doBrasil. Para se ter uma idéia,ao longo de 41 anos do Projeto,mais de 400 mil rondonistasoram mobilizados a contri- buir voluntariamente com asociedade. Em sua palestra,ministrada na UVA, no dia 24de outubro, o ofcial educadordemonstra que não apenas oBrasil oi transormado com oProjeto Rondon; vidas tambémoram modifcadas: há 427profssionais do município deSanta Maria (RG) que orammorar em Roraima depois devisitarem o Estado nortista en-quanto voluntários no Rondon.Durante sua apresentação,cel. Sérgio Mário Pasqualideixa claro que o Rondon nãoé apenas história. Trata-se depresente e uturo. Para lançaro Projeto na conjugação utura,afrmou que rondonistas arãoparte dos pelotões de ronteirana região Norte, contribuindocom o ortalecimento doslimites nacionais e com a popu-lação carente.Nesta entrevista, concedidaao Expresso do Norte de Sobral(CE), e cedida gentilmenteao Ceará Rondon Notícias,Pasquali trata dos rumos doRondon, da construção dacidadania a partir do projetosuniversitários de extensão,e antecipa as novidades queserão implantadas em nívelnacional e regional. Com apalavra, cel. Pasquali.
>> ENTREVISTA
Ceará Rondon Notícias:
O senhor parti-cipou da história do Projeto Rondon, des-de sua implementação até hoje, quando oRondon começa a se reconfgurar. Qual é orumo que o Projeto está tomando?
Cel. Sérgio Mário Pasquali:
O que nósqueremos é que a sociedade brasileira absorvacada vez mais o Proeto Rondon. Não queremosque o Rondon sea um empreendimento dogoverno, mas queremos que o Rondon seaum empreendimento da sociedade brasileira,vinculado, evidentemente, às instituições deensino superior. Ele utiliza, basicamente, o uni-versitário. Se você fzer um retrospecto, as uni-versidades no passado se limitavam a dar auladentro de seus muros. O programa de extensãoera muito teórico. Algumas universidadescomeçaram a azer alguma coisa de extensão.O Rondon nasceu exatamente por causa dessaausência de extensão universitária. Ele veio su-prir alhas das universidades. As universidadesaderiram ao Rondon. Hoe, você á tem váriasuniversidades com um programa de extensãosignifcativo. Você tem uma universidade noPará que praticamente ocupou os antigos campido Rondon, e está azendo um trabalho seme-lhante. Mas tem universidade que continuaainda dentro dos seus muros apenas dandoaulas. É preciso que se motive a uventudeuniversitária brasileira para a problemáticadeste país multicultural e multiracial, que semobilize essa uventude a dar uma contribuiçãopara resolver os problemas mais cruciais e, aomesmo tempo, para construir uma consciênciaa respeito disso, como uturo profssional. Éuma idéia maior. Desenvolvimento e integraçãonacional seriam as palavras-chave.
CRN:
É a idéia de integração a partir daextensão universitária, quer dizer, primei-ro o aluno recebe a bagagem cultural nolugar em que estuda, e, posteriormente,ele põe em prática - a partir da extensãouniversitária e do Rondon - numa constru-ção da cidadania.
SMP:
Vamos dizer o seguinte: quandovocê atua numa área, você leva beneício para aárea e leva o beneício para o universitário queatua na área. Discutia-se muito no Rondon oque era mais importante: se é o beneício quevocê deixa na área, ou se é o beneício que vocêcoloca na cabeça do universitário. Eu diria oseguinte: não importa você querer qualifcarqual é o maior. O importante é que o univer-sitário adquira uma consciência a respeito darealidade em que ele está inserido. Adquiridaessa consciência, que ele passe a pautar sua vidaprofssional com essa consciência, dando umacontribuição, sempre que necessário, para queo País se integre culturalmente e do ponto devista de educação.
CRN:
A construção da cidadania é adescoberta da consciência a partir dooutro... O Rondon possibilita o auto-conhecimento a partir do outro...
SMP:
... saindo um pouco da individualida-de, entrando no problema nacional. É precisoque você desperte o ovem para a realidade des-se País continental e multicultural. Nós temosvárias realidades. Estamos construindo um Paísdierente dos outros, porque é um País que temdiversidade cultural, não tem preconceitos, eprecisa construir algo dierente dos outros, nãosó pela língua, mas pela diversidade cultural.Há uma coisa mais prounda na atividade doRondon que tem que ser considerada.
CRN:
O Rondon está representado emquase todos os estados do Brasil. O quenós podemos antecipar para os leitores noque se reere às ações nacionais e regio-nais do Projeto?
SMP:
Eu estou para ir visitar o Pará hámuito tempo. Eu vou aproveitar a deixa paraazer um esorço para que, antes que o anotermine, eu vá lá. Não existem atividades doRondon neste estado do Norte do Brasil. Euvou sentar com o pessoal dos institutos daUVA no Pará para verifcar aonde eles achamque o Rondon pode ser empregado por lá. Épreciso ver também qual é a possibilidade deapoio do Governo do Estado, a possibilidadede apoio de alguns municípios, a problemáticados municípios mais carentes, e até que pontoos preeitos terão capacidade de entenderisso e interagir conosco, colaborar conosco.O Rondon não pode ser padronizado, elepode ser padronizado em sua flosofa, masele é diversifcado em sua orma de atuação(
Cel. Pasquali visitou o Pará antes do fechamen-to deste boletim
). Aqui, no Ceará, estou esperando a reati-vação do Rondon no campus de Reriutaba, eagora, criando a coordenação de área aqui emSobral, extendendo e intensifcando as ativida-des do Rondon na zona norte do Estado. A idéiaé ir para Camocim, Reriutaba, mobilizando osgrupos universitários dessa área em beneícioda região. Eu e o Proessor Teodoro (
presidenteda Associação dos Rondonistas do Estado doCeará
) estávamos discutindo como resolver oproblema de Sobral. É um desafo. Esse desafoé nosso. Não é apenas assistir a população, não.Nós temos que interagir com ela no sentido dedespertá-la pro mundo atual, e de como, nessemundo atual, ela pode desenvolver suas ativida-des para ter maior qualidade de vida.
CRN:
A UVA tem sido parceira doRondon há vários anos. De que orma elapoderia ajudar nesses outros municípiosda zona norte do Ceará?SMP:
Nós temos que considerar que cadacaso é um caso. A atuação em Camocim eunão sei como será. Eu teria que sentar com asautoridades em Camocim para ver quais são asáreas que ustifcam as atividades do Rondon, oque a UVA tem na área, enfm, azer um levan-tamento da situação e um estudo no sentidode planear a atuação. Eu não sei se fcou claro. Você não pode padronizar as ações do Rondon,você mantém uma flosofa única, mas a execu-ção é decorrente da problemática da área aondea ação vai ocorrer.
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