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Fichamento - Educação pelo Avesso

Fichamento - Educação pelo Avesso

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1
DEMO, Pedro. Educação pelo Avesso. ASSISTÊNCIA COMO DIREITO E COMOPROBLEMA. 2ª Ed. São Paulo: Cortez
1
 – 
Assistência como Direito
Pág.13 - O lado atraente e fundamental da assistência social é relembrar sempre que arelação de mercado não pode ser a mais importante na vida das pessoas e sociedades, emtermos de fins. O que não significa que a relação de mercado seja dispensável ounecessariamente perversa, mas que é meio. O uso instrumentalizado que o mercado faz daspessoas, e que
 Marx
captou classicamente na ideia do trabalho abstrato da sociedade damercadoria, contraria frontalmente as noções de democracia e direitos humanos,transformando-
as também em mercadoria. No capitalismo é impraticável o “pleno emprego”,
por mais que a ideia tenha sido perseguida até mesmo por próceres do sistema como
Keynes
eexecutada tentativamente em alguns momentos, mas apenas no centro do sistema, porqueprimeiro não vêm as pessoas, mas o lucro, ou, na linguagem marxista, primeiro vem o valorde troca, não de uso
1
.Pág.14
 – 
[...] Há que acentuar a importância pelo menos simbólica da assistênciasocial como direito da cidadania, porque realça, antes de mais nada, a perspectiva dacidadania, não do emprego. Os direitos humanos são inalienáveis e devidos por natureza.Deveriam ser garantidos para além de qualquer condição que não seja o simples fato de serhumano.Pág.15
 – 
Olvida-se que a qualidade do Estado não está nele, mas no controledemocrático, ou seja, na cidadania. Não é o Estado que garante a qualidade da cidadania, masé esta que pode garantir Estado mais qualitativo. Na visão da Comuna de Paris, aposta-semuito mais no associativismo dos trabalhadores do que em qualquer pretensa disponibilidadedo Estado, que é tomado como tendencialmente mancomunado com a burguesia. Pág.16
 – 
 Assim, uma coisa é evitar afirmações extremas de que o Estado somente serve à burguesia,outra é reconhecer que sua tendência mais visível é servir à burguesia. Como concentração deforça que o Estado certamente é, sua tendência mais natural não será postar-se do lado dospobres, mas dos ricos. Estes o ocupam muito mais facilmente que aqueles. Exatamente porconta disso, a assistência tende a tornar-se residual, pois é com resíduos que se trata a
1
KURZ, R. 1996
. O colapso da modernização: da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia
 
mundial.
Rio de Janeiro. Paz e Terra. KURZ, R. 1997.
Os últimos combates
. Petrópolis, Vozes. DEMO, P. 1998.Charme da exclusão social. Campinas, Autores Associados.
 
2
população também considerada resíduo. Em nossa realidade sobretudo, é muito difícilencontrar qualquer política de assistência social que não revele tal pecha
1
.Ainda creio que é muito mais importante saber dispensar a assistência do que deladepender, a não ser quando indispensável. Encontrar-se nessa situação de dependência não énecessariamente algo infame, mas imposto por vicissitudes da história ou da natureza, comonascer portador de necessidades especiais. Além disso, as pessoas podem, no decurso da vida,passar por tais situações, de modo natural ou eventual
 – 
por exemplo, ser gestante vulnerável
 – 
ou de modo social
 – 
por exemplo, ser obrigado a migrar para lugar desconhecido e emcondições de extrema precariedade. Esta consideração leva a distinguir dois tipos maisnotórios de assistência: aquela devida de modo
 permanente
, para os segmentos que nãopodem se auto-sustentar caracteristicamente; e aquela devida de modo
 provisório
, para aspessoas que sofrem de vulnerabilidade intermitente ou ocasional. Em nosso contexto, fazemosmal as duas vertentes: assistimos muito precariamente as pessoas que necessitam deassistência de modo permanente e transformamos facilmente situações provisórias emdefinitivas, implantando dependência irreversível.Pág.17
 – 
Mas o abuso não tolhe o uso. É certo que assistência não é políticaemancipatória, porque se volta para a sobrevivência e nisto se realiza plenamente. Isto mostraque tem espaço próprio e que sua justificativa não carece de qualquer outra apelação. Aí reside sua radicalidade própria e é nisto, somente, que é condição prévia para as outras
 políticas sociais. A ideia comum entre assistentes sociais de que assistência é a “rainha” das
políticas sociais, apenas trai sua decadência no assistencialismo, porque, mesmo à revelia,passa a dispensar a vinculação emancipatória ou a mantém apenas no discurso. A assistência é
direito radical da cidadania, mas não “faz” cidadania. É efeito, não causa.
Se quisermoschegar aos patamares da emancipação, será mister apelar para outras políticas sociais quetrabalham melhor a autonomia das pessoas ou a isto especificamente se dirigem, como éeducação
2
.Pág.18
 – 
O superdimensionamento da assistência revela, também, pouca sensibilidadepela pobreza política, neste caso seguindo pegada marxista considerada ultrapassada: a basematerial como mais essencial que as outras. A necessidade material, geralmente, é
maisimediata
e pode matar rapidamente. Mas daí não segue que seja
mais importante
. Mais
1
 
Veja dissertação de mestrado de Maria Raquel Lino de FREITAS, 1999. “LOAS – 
À luz do enfoque integrado
 – 
 
Uma visão crítica”. Brasília, Departamento de Serviço Social, UnB.
 
2
TORRES, C.A. 1998.
 Democracy, education, and multiculturalism
 – 
Dilemmas of citizenship in a global
 
world 
. Nova York, Rowman & Littlefield Publishers. MORROW, R. A. & TORRES, C.A. 1999. “The State,social movements, and educational reform”. In: ARNOVE, R.F. & TORRES, C. A. (ed). 1999.
Comparativeeducation
 
 – 
 
The dialectic of the global and the local
. Nova York, Rowman & Littlefield Publischers, p. 91-113.
 
3
importante será aquilo que mais condiciona o todo, não apenas certas partes. Passar fome égrande miséria, mas miséria ainda mais comprometedora é não saber que a fome é imposta,inventada, cultivada e que aqueles que passam fome sustentam o esbanjamento dos ricos.Dentro do sistema neoliberal, um mínimo de consciência crítica vai reconhecer que, quandorenda mínima se torna política do sistema, já significa que foi aceita porque permite cultivar oproblema. O sistema se beneficia da renda mínima muito mais que os pobres. Mas mesmo emsituação idealizada, na qual a renda mínima é bem aplicada, deveria ser concebida comopassagem necessária para superá-la. Este tipo de assistência só é coerente se souber extinguir-se intrinsecamente. Pág.19
 – 
É necessário distinguir acuradamente entre fazer assistência pordireito da cidadania e acabar com a cidadania ao fazer assistência. Em nosso ambientepredomina a segunda parte abusivamente.O correto seria dizer que a assistência cumpre a cidadania. E isto é fundamental. Étoda a dignidade da assistência. Pág.20
 – 
[...] é possível recuperar presos da cadeia, mas nãoserá pela via preferencial da assistência. Jamais. Em certa medida, a cadeia é a escola docrime, pois confia em excesso na assistência, sem falar que estamos chamando de assistênciao que nem sequer seria caricatura dela. Garantir o direito de sobrevivência é fundamental, masé só o primeiro passo. Ninguém quer apenas sobreviver.Entretanto, há assistências mais próximas da emancipação, quando se conjugam com
outros esforços orquestrados e estratégicos, como é o caso da “bolsa
-
escola”, por exemplo, ou
quando tem caráter preventivo, como pode ser o cuidado com crianças na primeira infância,tendo em vista poderem crescer em condições mais favoráveis.
2
 – 
Assistência como problema
Pág.23
 – 
Assistência como problema tem tradição liberal, facilmente visível em paíscomo os Estados Unidos, onde pobre é em primeiro lugar figura suspeita e desprezível. A
cidadania assistida
é, como regra, problemática, porque tende a definir a pessoa comobeneficiária, não como cidadã, à revelia de discursos altissonantes, além de atrelá-la a auxíliosestatais residuais e intermitentes. A
cidadania tutelada
submete a pessoa ao mercado,transformando este como parâmetro definitivo, inclusive da sobrevivência. Cidadania tuteladaé contradição nos termos, já que cidadania significa sempre libertação da tutela, apontandopara a gestação da capacidade de autonomia. Na prática, porém, é o que mais comumenteocorre, no sentido de que a cidadania é trocada pela tutela, usando-se nesta transaçãosobretudo formas de assistencialismos. Na cidadania tutelada predomina a falsificação da

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