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Escola Secundária de Alves Redol – Vila Franca deXira Ano Lectivo : 2008/2009
 
Disciplina : Aérea de Integração Professor: LeonorAlvesUnidade Temática:
O
SUJEITO BIO-ECOLÓGICO
 Área I
- A Pessoa
 Tema-Problema: 3.3 -
Homem-Natureza: uma relaçãosustentável? Módulo 4
INTRODUÇÃO“A Natureza nunca nos decepciona. Nós é que sempre nosdecepcionamos a nós próprios
, Jean-Jacques Rosseau in “Emile”, 1762.Embora a célebre frase de Jean-Jacques Rosseau seja uma realidade,tem-se assistido, nas últimas décadas, essencialmente a partir dosanos sessenta do culo passado, a um intenso debate ligado àemergência de graves problemas ambientais e decorrente da tomadade consciência, por vários sectores da sociedade, de incidências eimpactes sobre o ambiente, resultantes da concretização de modelosde desenvolvimento baseados predominantemente no crescimentoeconómico. O tema ambiente foi-se tornando um paradigma socialdominante. Esta crescente preocupação deu-se nos chamados paísesdesenvolvidos levando a que o público tenha exigido que os factoresambientais fossem explicitamente tomados em consideração no processo de tomada de decisão. Situão semelhante es presentemente a verificar-se nos países em vias de desenvolvimento.Mas aí coloca-se uma grande questão que é: “Como solucionar oatraso económico e social nos países em vias de desenvolvimentosem pôr em causa o equilíbrio ecológico mundial?” Terá que se achar a solução para tal questão, tão badalada nos diasde hoje, tendo que para tal encarar a situação de uma forma positivae o negativa para assim se poder assegurar que a avaliaçãoambiental é crescentemente vista como um processo contínuo eiterativo que pode contribuir para a definição de estratégias de bom planeamento e gestão ambiental, isto é, minimizando os impactesambientais, de forma a atingir um desenvolvimento sustentável.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL UM POUCO DA SUAHISTÓRIA
Os primeiros passos a vel global foram dados por estudosefectuados pelo Clube de Roma, liderado por Meadows, culminado
 
com a publicação do livro “Limites de crescimento”, que fez umdiagnóstico dos recursos terrestres concluindo que a degradaçãoambiental teria sido resultado principalmente do descontroladocrescimento populacional e consequentes exigências sobre osrecursos da terra, e que se não houvesse uma estabilidade populacional, económica e ecológica os recursos naturais, que sãolimitados, seriam extintos e com eles a população humana (Beaud et Beaud, 1993). se começou a pensar em desenvolver mas preservando.Nesse mesmo ano celebrou-se a Conferência de Estocolmo que tinhacomo objectivo de se pensar, à escala mundial, em novas bases paraalcançar um desenvolvimento sustentável e sustido, de forma que sedesse um desenvolvimento económico com conservação dos recursosnaturais. Não obstante a perspectiva generalizada entendia-se que omeio ambiente seria uma condicionante ao desenvolvimentoeconómico (Orea, 1998).Em consequência do atrás referido, a ONU criou em 1983 a ComissãoMundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecidacomo Comiso Brundtland, a qual em 1987 apresentou umdiagnóstico dos problemas globais ambientais, que também definia aestratégia do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente(PNUMA). De entre as principais medidas destacam-se o reexaminar das queses críticas relativas ao meio ambiente, e reformular  propostas realísticas para abordá-las, tal como propor novas formasde cooperação internacional nesse campo de modo a orientar as políticas e acções no sentido das mudanças necessárias, e dar aindivíduos, organizações voluntárias, empresas, institutos e governosuma compreensão maior desses problemas, incentivando-os a umaactuação mais firme (Beaud & Beaud, 1993). O documento propunhacelebrar uma conferência internacional que perfilasse a implantaçãodo desenvolvimento sustenvel, o qual se materializou naconferência do Rio, em 1992, que estabeleceu estratég ias e medidasconjuntas para combater a degradação ambiental e um marco nodesenvolvimento económico compatível com o meio ambientetentando assim conjugar ambiente, economia e aspectos sociais.Nessa mesma conferência foi editada a Agenda 21 que lançou oconceito de sustentabilidade, assim como directrizes da nova formade desenvolvimento, o sustenvel ou sustentado, embora esteconceito tivesse sido introduzido na política comunitária dumaforma abrangente na própria formulão do Tratado da UnoEuropeia (UE), em Maastricht (1991) quando foi institucionalizado(Gomes et al, 2000). Já recentemente realizou-se a Cimeira de Joanesburgo ou Rio + 10,de onde à primeira vista, só as Nações Unidas lucraram ficando osambientalistas muito aqm do pretendido. Para isso tambémcontribuiu a instabilidade que existia a nível internacional, ampliada pelos efeitos dos atentados de 11 Setembro, retirando a importânciadevida à Cimeira, levando muitos países a despromover a vertente
 
ambiental da sustentabilidade (Soromenho-Marques, 2002).Infelizmente, foi a própria administração norte-americana que, emvez de dar o exemplo pela positiva, acabou por subestimar essacomponente. Um dos primeiros actos de George W. Bush foi a rupturacom o Protocolo de Quioto, destinado a combater as alteraçõesclimáticas através de uma estratégia mundial, o que é de lamentar.Depois dum pouco da história recente, à volta do desenvolvimentosustentável iremos entrar na discussão do tema proposto, sendoconveniente antes de mais dar uma achega do que é impacteambiental e desenvolvimento sustentável por si só, para posteriormente tentar encontrar um compromisso entre eles.
IMPACTE AMBIENTAL versus SUSTENTABILIDADE
Segundo o Decreto-Lei n.º 69/2000, de 3 de Maio impacte ambientaldefine-se como um conjunto das alterações favoráveis edesfavoráveis produzidas em parâmetros ambientais e sociais, numdeterminado período de tempo e numa determinada área (situaçãode referência), resultantes da realização de um projecto, comparadascom a situação que ocorreria, nesse período de tempo e nessa área,se esse projecto não viesse a ter lugar tornando-se assim tambémnecessário obter estimativas do nível dos descritores ambientais nofuturo sem a realização da acção. É através da comparação destesdois estados que se obtém uma medida da magnitude do impacteambiental da acção. Num sentido retórico impacte ambiental podeser definido como uma reacção alérgicado ambiente.Bibliograficamente constata-se que a maioria dos autores, e públicoem geral, consideram que quando se fala em impacte ambiental, seassocia a algo negativo, mas nem sempre isso sucede. É de referir também que sendo difícil estabelecer, num impacte ambiental, umreferente absoluto, se toma por isso um referente relativofuncionando o Homem como termo.Normalmente ao conceito de impacte ambiental estão associadastrês facetas:
Modificação das características do meio;
Modificação dos seus valores ou méritos de conservação;
Significado ambiental das ditas modificações interpretadas emrelação com a saúde e bem-estar humano. (Orea, 1998)Esta interpretação de impacte no Homem deve entender-se emtermos amplos, no sentido de que a saúde e bem-estar humanos sãoinseparáveis da conservação da reserva genética, dos ecossistemas,das paisagens e dos processos ecológicos essenciais.Mas para se efectuar uma correcta avaliação de possíveis impactestem que se recorrer a certos mecanismos sendo esse a Avaliação deImpacte Ambiental (AIA). A AIA é um procedimento que encoraja osdecisores a terem em conta os efeitos possíveis de determinadosinvestimentos na qualidade ambiental e na produtividade dosrecursos naturais e é um instrumento para a recolha e reunião dosdados que os planeadores necessitam para tornar os projectos de
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