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12/03/09 12:40O Popular - Organização Jaime CâmaraPágina 1 de 2file:///Volumes/My%20Disc/marcus/politicacultural/políticaculturalestadual/O%20Popular%20-%2002.04.06-Qualincentivo3.htm
Acervo pessoal
Goiânia, 2 de abril de 2006
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ENTREVISTA
Yacoff Sarkovas
‘Lei de incentivo é sistema perdulário e injusto’ 
Especialista e consultor de empresas naárea de imagem corporativa e projetosculturais, sociais, ambientais e esportivos,Yacoff Sarkovas é crítico mordaz das leis deincentivo à cultura no Brasil. Sarkovas é onome por trás da reengenharia dos programas culturais de empresas comoPetrobras e Natura. Engenheiro eletrônico que passou a trabalhar no meiocultural, Sarkovas falou ao POPULAR por telefone de São Paulo e revelou,entre outras coisas, que o Senado discute um projeto que pretenderevalidar a legislação de incentivos culturais via renúncia fiscal, quecaducou ano passado. Leia os principais trechos da entrevista:
O que há de errado com as leis de incentivo à cultura?
É melhor começar perguntando o que há de certo porque só há uma coisacerta nas leis de incentivo que é a transferência de dinheiro público para acultura, que hoje chega a cerca de R$ 800 milhões. Isso é positivo porquea cultura é uma questão de interesse público. A partir daí está tudo errado.É um sistema perdulário e injusto. É perdulário porque cria uma cadeiadesnecessária de intermediação. Ao invés de o dinheiro sair em linha diretado caixa público para a ação cultural, cria-se uma cadeia de intermediaçãoporque, para a busca desse recurso em meio a milhares de empresas,exige uma série de captadores, gente especializada em formulação deprojetos, corretagem e dá margem a corrupção. É perdulário tambémporque, no uso do dinheiro público, as empresas aplicam para fins quenada têm de interesse público. E é injusto porque não é baseado numarelação entre dinheiro público e interesse público. Isso faz com que, por exemplo, o filme a ser financiado seja A e B. Os critérios passam a não ser  justos e você chega a uma situação mais do que perdulária e injusta, chegaa ser absurda, como no caso da Lei do Audiovisual. Essa lei é um dosmaiores escândalos culturais produzidos nesse país.
Por quê?
Você sabia que quando entra no cinema e vê aquela marca na aberturados filmes, está pagando para aquela empresa usar aquela marca nofilme? O desconto via lei nestes casos chega a 132%, ou seja, aquelamarca que abre o filme pegou R$ 1 milhão do dinheiro público, porque elanão pegou um centavo do bolso dela, e deu para aquele filme acontecer eem troca pediu uma série de benefícios, inclusive aquele benefício deimagem,e além de ela deduzir do imposto o R$ 1 milhão que ela “deu”, eladeduz R$320 mil porque lançacomo despesa, aquilo se abate sobre o lucro e na incidência vira lucro.O poder público paga paraempresas privadas decidirem onde se vai colocar o dinheiro público em forma deincentivo cultural, é assim que tem que ser vista a Lei do Audiovisual.
Então o modelo ideal é o financiamento direto?
É assim que acontece no mundo inteiro e no Brasil em outras áreas, comoa de pesquisa. Como é que você concorre a recursos públicos na área debiologia, de física? Entra nos órgãos e institutos públicos afins que vãomedir sua competência por mérito técnico e mérito de política pública. Sãocritérios que fazem parte de uma estratégia pública de pesquisa. Qual é aestratégia pública que temos para gerar processos de inclusão cultural oude democratização de acesso à cultura? Existe uma série de questões na
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