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Doencas ocupacionais

Doencas ocupacionais

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DOENÇAS OCUPACIONAISEM MINAS GERAISNusat - Nucleo de referência em doenças ocupacionais da Previdência Social deMinas Gerais - em seu relatório anual referente ao ano de 1994 sobre doençasprofissionais, mostrou um grande despreparo das empresas em lidarem com doençasocupacionaisAs dificuldades e problemas da área de Saúde do Trabalhador são reflexos diretosdas mudanças nas políticas econômicas e, principalmente, nas políticas deadministração e gerenciamento de recursos humanos, que, por sua vez, têm novoreflexo na organização do trabalho e nos ambientes de trabalho, fatoresfundamentais para a saúde do trabalhador.Infelizmente, os programas de qualidade total foi implantados nas empresasbrasileiras, em sua maioria, não levam em conta a qualidade do ambiente de trabalhoe do meio ambiente como um todo, priorizando somente o produto final e o aumento daprodutividade.Isto faz com que na organização do trabalho, não dê ênfase à prevenção das doençase do desgaste da força de trabalho, mas investindo cada vez mais no aumento daprodutividade com base no aumento da jornada de trabalho, com horas extrastornando-se uma rotina, fazendo com que o controle sobre o trabalho e trabalhadorse torne cada vez mais rigoroso.Outro fator que contribui para o agravamento das doenças provocadas pelo trabalho éa ameaça do desemprego, que faz com que os trabalhadores se sujeitem a condições detrabalho que afetam a sua saúde, notadamente a pressão sobre a produtividade, quese expressa no aumento da produção não sendo acompanhado da criação de novos postosde trabalho.O que se constata, no atendimento ao trabalhador portador da doença profissional éo total descaso da maioria das empresas para com o cumprimento da legislaçãovigente no Brasil que se refere à saúde e a segurança no trabalho. Os Seesmts(Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) e asCipas (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes) não estão sendo instrumentosde prevenção de doenças e acidentes nos ambientes de trabalho, que seria o seuobjetivo primordial.Por outro lado, os órgãos públicos, com sua estrutura sucateada, também não estãopriorizando as questões de saúde e prevenção das doenças em suas políticas, nãoinvestindo nas áreas essenciais.A nível do Nusat, o ano de 1994 trouxe boas notícias, como a mudança da sede para anova área física, adequada ao atendimento ao trabalhador, próxima aos outrossetores do INSS responsáveis pelo atendimento ao trabalhador, a saber, a área debenefícios, perícia médica e reabilitação profissional.Foram empreendidas também, mudanças na forma de organização do trabalho do Nusat,de forma a torná-lo mais ágil e resoluto, enfatizando as atividades direcionadas àprevenção das doenças, tais como a educação e informação do trabalhador, contatocom empresas, sindicatos e órgãos públicos visando minorar o problema crescente dasdoenças ocupacionais no Estado de Minas Gerais.Essa mudança, que já vinha sendo gestada há bastante tempo pela equipe, foiimplantada no final do ano de 1994, após a realização de reflexão e avaliação dotrabalho realizado nos cinco anos de existência do Nusat, utilizando a metodologiado Planejamento Estratégico Situacional.A avaliação feita pela equipe do Nusat apontou para a necessidade deredimensionamento do espaço de atuação sobre os fatores de causalidade das doençasprofissionais e a reformulação do modelo de atenção à saúde do trabalhador, apartir do enfoque coletivo do processo saúde-doença-trabalho.A nova proposta pretende dar maior visualização às questões da saúde do trabalhadorna Previdência Social/Inss, ampliando as possibilidades de atuação na prevenção dasdoenças profissionais junto aos trabalhadores, sindicatos e empresas.Essa nova proposta permitirá a criação de um espaço para discussão/negociação
 
envolvendo Nusat/Empresas/Orgãos públicos/Sindicatos, com vistas à correção dosfatores de risco que vêm gerando agravos à saúde do trabalhador.A nível do SUS, eventos como a realização da 2º Conferência Nacional de Saúde doTrabalhador, em Março de 1994, serviu como marco na definição e atribuição decompetência dos diversos setores envolvidos na saúde do trabalhador, notadamente osmunicípios.A partir daí, a experiência de municipalização das ações de saúde, já iniciadastimidamente em MG, foram se ampliando, tendo reflexos positivos na rede de atençãoao trabalhador, na Capital, com o Cersat (Centro de Referência em Saúde doTrabalhador) e algumas cidades do interior como Montes Claros, Varginha, entreoutras.A participação dos usuários e da sociedade civil na organização e implementaçãodessas atividades vem sendo viabilizada através das Comissões ou ConselhosEstaduais e Municipais de Saúde do Trabalhador, do Conselho Estadual da PrevidênciaSocial e do Conselho do Nusat, que têm-se constituído em fóruns de discussão dasquestões a nível do Estado, Municípios e Inss.Cabe destacar a integração do Ministério Público do Trabalho aos órgãos de saúde doTrabalhador, como órgão de defesa dos interesses coletivos nos ambientes detrabalho, bem como o reínicio das atividades do Ministério Público Estadual naárea, através da Coordenadoria de Defesa do Cidadão, permitindo a retomada dasações visando a correção de fatores de risco.Entretanto, muito ainda está para ser feito:a organização da rede pública, criando-se um fluxo de atendimento ao trabalhador,nos diversos níveis de ação e complexidade é uma necessidade:a implantação e crescimento das ações de vigilância à saúde do trabalhador no SUSainda é muito tímida.o Inss precisa integrar as suas linhas de atendimento ao trabalhador, enfatizandomais seu papel de órgão segurador, implantando ações de prevenção, distinguindoaqueles que gerammaior ou menor risco, a fim de aumentar o interesse das empresasem investir na prevenção;é urgente a necessidade de investimento em recursos humanos para a área de saúde dotrabalhador em todos os níveis: municipal, estadual e federal;contata-se a necessidade de treinamento e reciclagem de recursos existentes na redede saúde e previdência nas atividades e ações próprias da área de saúde dotrabalhador;investir na criação de um banco de dados centralizado, disponível a todos osusuários, com informações sobre doenças profissionais, acidentes de trabalho eriscos existentes no Estado, a fim de orientar as ações de prevenção.Este relatório, propõe-se a divulgar as informações coletadas pelo Nusat no ano de1994, contribuindo para aumentar o conhecimento sobre a realidade do trabalho e suarelação com a saúde, no sentido de clarear discussões e debates sobre as doençasprofissionais no Estado de Minas Gerais.O número de consultas, atendimentos médicos e sociais a trabalhadores encaminhadosao Nusat mantém-se constante, devido ao reduzido número de profissionais de quedispõe o serviço e ainda ao grande número de tarefas que envolvem esse tipo deatividade que é a saúde do trabalhador(ver tabela 1 na página 34).Comparando-se com o ano de 1993, pode-se constatar que houve um pequeno acréscimono número total de atendimentos, já que em 93 foram realizados 2211 atendimentos eno ano de 94,2466 casos. O que se observa neste quadro é o grande número deretornos (61,31%), o que se explica pela clientela atendida, que, em sua maioria,são portadores de L.E.R. patologia que demanda dos órgãos responsáveis peloatendimento, um acompanhamento maior, por períodos mais longos.Outro fato que explica o número elevado de retornos ao serviço é a exigência dosórgãos periciais de relatórios ou pareceres do Nusat na ocasião do exame pericial,procedimento que vem sendo modificado com a nova organização do trabalho implantadano ano de 1995.Um dado significativo para a avaliação da qualidade do atendimento prestado é o
 
percentual pequeno dos casos de reabertura de processo (3,29%), que ocorre porvários motivos, entre os quais o agravamento da doença após alta, inconformismo como diagnóstico, ações judiciais, etc.As primeiras consultas em 1994, representaram, 35,4% dos atendimentos prestados aostrabalhadores, por ser um atendimento mais demorado, que demanda anamneseocupacional detalhada, além do exame físico do trabalhador, orientações médicas eprevidenciárias. (tabela 2).Apesar do aumento de sua área física, não conseguiu o Nusat ampliar seu pessoaltécnico, mantendo assim praticamente inalterado o número de primeiras consultas emrelação ao ano de 1993.Manteve-se em patamares elevadíssimos, preocupantes pelo seu caráter epidêmico, onúmero de casos de L.E.R. (Lesões por Esforços Repetitivos), o que refletenitidamente o descaso das empresas que investem na produção sem levar em conta aorganização do trabalho. Esta patologia é hoje um problema da sociedade brasileira,pela crescente ameaça à sua jovem força do trabalho.Chama também atenção o aumento significativo do número de casos de surdezocupacional (perda auditiva induzida pelo ruído), que passa a ocupar o segundolugar geral, deslocando o ítem ausência de doença ocupacional para a terceiraposição. A explicação para ambas as situações é a mesma: durante o período de 1989-1993, o Nusat optou, de maneira que hoje reconhecemos equivocada, por registrarcomo surdez ocupacional apenas os casos que preenchessem os critérios daPrevidência Social, ainda erroneamente vigentes. No ano de 1994, estamos computandocomo surdez ocupacional as perdas induzidas pelo ruído já presentes nas frequênciasagudas ( Gota Acústica ), de acordo com o concenso internacional. Tal fato explica,em parte, o elevado número da categoria " Ausência de Doença Ocupacional " emrelatórios anuais daquele período, que era composto, em sua maioria, de casos comosuspeita de surdez ocupacional, que não preenchiam os requisitos da PrevidênciaSocial.As demais patologias mantiveram as posições semelhantes ao ano de 1993. Observa-seque houve pequeno aumento do porcental de casos de silicose, que aumentou de 4,97%em 1993 para 7,27% em 1994 e dos casos de saturnismo, que passou de 1,66% em 93para 3,12% em 94, em decorrência de ação conjunta de vigilância empreendida pelasáreas federal e municipal.Deve-se destacar que o número de diagnósticos é superior ao número de trabalhadoresatendidos no serviço, já que alguns apresentaram mais de uma doença ocupacionaldetectada.Os casos com parecer de Ausência de Doença Ocupacional ou com doenças consideradassem nexo com o trabalho representaram, no ano de 1994, percentual de 9,14%, númeroeste inferior aos dos anos anteriores, quando esses diagnósticos ocupavam o 2ºlugar na distribuição geral.A tabela 3, na página 36, demonstra que, do número total de casos com este parecer,( 88 casos ) l8,17% foram encaminhados com suspeita de surdez ocupacional, 17,05%com suspeita de silicose, 15,91% com suspeita de L.E.R. e 29,54% de casos comausência de doença ( Higidez ), não tendo sido registrada nesses casos, nenhumasuspeita inicial. Esse percentual é considerado muito elevado para um serviço dereferência como o Nusat, que recebe encaminhamentos de outros setores, nãoatendendo em sua rotina casos de procura direta.A clientela atendida pelo Nusat no ano de 1994 é procedente (ver tabela 4 na página36), em sua grande maioria, do município de Belo Horizonte (55,24%) e das cidadesda região metropolitana de Belo Horizonte (26,83%), principalmente Betim, Nova Limae Santa Luzia. As cidades de Belo Horizonte e os outros municipios da Grande BHtotalizaram 82,07% dos atendimentos. As outras cidades do interior do Estadorepresentaram 17,93% dos casos atendidos, destacando-se: Congonhas, ConselheiroLafaiete, Ipatinga, Montes Claros, Ouro Branco, Pouso Alegre e Varginha.O quadro geral dos trabalhadores atendidos no ano de 1994 ( tabela 5 na página 36)demonstra que houve ligeira predominância do sexo masculino ( 53,88%).Entretanto, a distribuição por sexo das principais doenças esclarece melhor aquestão, já que a exposição aos riscos é diferente, de acordo com os ramos deatividade e empresas ( tabela 6 na página 36 ).

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