PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Professores que em funções de gestão ou no exercício da docência enfrentam o dia-a-dia nas escolas com “muito Xanax”, como recentemente afirmou nesta Assembleiauma presidente de um Conselho Executivo.Professores que, apesar da dimensão da ofensiva que enfrentam, não estãodispostos a capitular e continuam a lutar pela dignificação da sua profissão e daEscola Pública, por um sistema educativo ao serviço do desenvolvimento do país.Querendo falar de tudo isto não podemos ignorar o Governo que, teimosamente,insiste no agravamento das políticas que deram origem ao desastre educativo a queo país hoje assiste.Tal como não podemos ignorar a maioria parlamentar que, por ser absoluta, legitimatoda e qualquer medida governativa sem atender aos argumentos de quem acontesta nem aos efeitos que ela possa produzir.Na passada terça-feira, o Ministério da Educação voltou a fazer das suas.Questionada pela Comissão Parlamentar de Educação sobre os efeitos que teriapara os professores a não entrega dos objectivos individuais, a Ministra daEducação remeteu à Assembleia uma resposta pouco convincente mas bastanteclara.Sendo pouco convincente quanto à interpretação das normas legais que aindarestam do defunto modelo de avaliação, a resposta do Ministério é bastante claraquanto ao conteúdo da ameaça que deixa aos professores portugueses.O Secretário de Estado Jorge Pedreira já tinha avisado que se os professoresinsistissem na greve de 19 de Janeiro sofreriam as devidas consequências e aresposta enviada à comissão parlamentar aí está para o confirmar.Perante uma greve que atingiu os 90%, perante a determinada luta de dezenas demilhar de professores que recusam entregar os objectivos individuais exigidos peloinjusto modelo de avaliação, o Ministério da Educação ameaça agora “malhar” comefeitos na progressão e acesso à carreira e também na graduação e ordenação doscandidatos no âmbito do concurso para selecção e recrutamento do pessoaldocente.Aliás, também a respeito deste concurso a situação criada pelo Governo évergonhosa, inaceitável e gravemente lesiva dos direitos dos professores e dosistema educativo.Enquanto a propaganda do Governo informa que no concurso que se inicia amanhãhá 20.600 vagas disponíveis, a dura realidade é a de um despedimento massivo deprofessores, de mais precariedade e piores condições para o exercício da docência.Com este concurso, o Governo empurra para fora dos quadros cerca de 15 milprofessores dos Quadros de Zona Pedagógica, prevendo mesmo já que 5 mil fiquemsem colocação.Dos mais de 20 mil professores contratados, o Governo anuncia a integração nosquadros de apenas 2600, podendo mesmo isto não vir a acontecer caso se confirmea anulação dos milhares de vagas negativas hoje existentes. Desta forma irá o
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