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Vol. 3 n. 11 - jul.-dez./2007ISSN 1807-2836Revista de divulgaçãotécnico-científica do ICPG
à
afetividade, elaborando conceitos a partir do ato motor, da afe-tividade e da intelig
ê
ncia. As intera
çõ
es s
ã
o uma via natural parao desenvolvimento e para a manifesta
çã
o das emo
çõ
es. No en-tanto, Wallon (
apud
GALV
Ã
O, 2003, p. 61) diferencia emo
çã
o eafetividade:
As emo
çõ
es, assim como os sentimentos e os desejos, s
ã
omanifesta
çõ
es da vida afetiva. Na linguagem comum cos-tuma-se substituir emo
çã
o por afetividade, tratando ostermos como sin
ô
nimos. Todavia, n
ã
o o s
ã
o. A afetivida-de
é
um conceito mais abrangente no qual se inseremv
á
rias manifesta
çõ
es.
Para Wallon (
apud
GALV
Ã
O, 2003), o movimento
é
a base dopensamento e as emo
çõ
es
é
que d
ã
o origem
à
afetividade. Oautor d
á
o exemplo de um beb
ê
que ainda n
ã
o desenvolveu alinguagem e que utiliza seu corpo por meio de contor
çõ
es, espas-mos e outras manifesta
çõ
es emocionais para mobilizar os adul-tos
à
sua volta pelo cont
á
gio afetivo. De acordo com Galv
ã
o(2003, p. 74),
“
Pela capacidade de modelar o pr
ó
prio corpo, aemo
çã
o permite a organiza
çã
o de um primeiro modo de consci
ê
n-cia dos estados mentais e de uma primeira percep
çã
o das realida-des externas
”
.No caso dos adultos, Wallon (
apud
GALV
Ã
O, 2003) d
á
im-port
â
ncia
à
subjetividade dos estados afetivos vividos por quemexperimenta uma determinada emo
çã
o. E uma vez que a vida emo-cional se apresenta, na teoria de Wallon, como uma condi
çã
opara a exist
ê
ncia de rela
çõ
es interpessoais, para este te
ó
rico, asemo
çõ
es tamb
é
m fazem parte da atividade representativa e, por-tanto, da vida intelectual. Isto significa que Wallon n
ã
o separa oaspecto cognitivo do afetivo. Sendo assim, pode-se interpretarque o ato motor
é
a base do pensamento e a emo
çã
o tamb
é
m
é
fonte de conhecimento.
Paralelamente ao impacto que as conquistas feitas no pla-no cognitivo t
ê
m sobre a vida afetiva, a din
â
mica emoci-onal ter
á
sempre um impacto sobre a vida intelectual. [...]
É
gra
ç
as
à
coes
ã
o social provocada pela emo
çã
o que acrian
ç
a tem acesso
à
linguagem, instrumento fundamen-tal da atividade intelectual. (GALV
Ã
O, 2003, p. 76).
Para Wallon (1989), a cognitiva
çã
o da emo
çã
o n
ã
o elimina asmanifesta
çõ
es corporais, haja vista que, no plano da intelig
ê
n-cia, o pensamento se faz acompanhar por gestos em que se exer-ce muito mais a express
ã
o do indiv
í
duo. Um conceito de suateoria que tem implica
çã
o na pr
á
tica pedag
ó
gica
é
que a emo
çã
oestabelece uma rela
çã
o imediata dos indiv
í
duos entre si, inde-pendente de toda rela
çã
o intelectual.
A propaga
çã
o
‘
epid
é
rmica
’
das emo
çõ
es, ao provocar umestado de comunh
ã
o e de un
í
ssono, dilui as fronteiras en-tre os indiv
í
duos, podendo levar a esfor
ç
os e inten
çõ
es emtorno de um objetivo comum. Permitiria, assim, rela
çõ
esde solidariedade quando a coopera
çã
o n
ã
o fosse poss
í
velpor defici
ê
ncia de meios intelectuais ou por falta de con-senso conceitual, contribuindo, portanto, para a consti-tui
çã
o de um grupo e para as realiza
çõ
es coletivas(WALLON, 1989, p. 162).
Colocando em evid
ê
ncia esse car
á
ter unificador das emo-
çõ
es, no
â
mbito da pr
á
tica pedag
ó
gica, acredita-se que fortalecera afetividade na rela
çã
o professor e aluno favorece a auto-esti-ma, o di
á
logo e a socializa
çã
o. H
á
que se considerar, tamb
é
m, quea afetividade
é
importante no processo de avalia
çã
o afastando orisco de eventuais antipatias entre professor e aluno. Se, paraWallon, a emo
çã
o e a intelig
ê
ncia s
ã
o indissoci
á
veis e potenciali-zadas pela socializa
çã
o, priorizar a afetividade nas intera
çõ
esocorridas no ambiente escolar contribui para dinamizar o traba-lho educativo.2.2 A AFETIVIDADE NA PERSPECTIVA DE VYGOTSKYPara Vygotsky (2003), s
ó
se pode compreender adequada-mente o pensamento humano quando se compreende a sua baseafetiva. Muito pr
ó
ximo das conclus
õ
es da teoria de Wallon, acre-dita que pensamento e afeto s
ã
o indissoci
á
veis.
Quem separa o pensamento do afeto nega de antem
ã
o apossibilidade de estudar a influ
ê
ncia inversa do pensamen-to no plano afetivo. [...] A vida emocional est
á
conectadaa outros processos psicol
ó
gicos e ao desenvolvimento daconsci
ê
ncia de um modo geral. (VYGOTSKY
apud
ARAN-TES, 2003, p. 18-19).
Pelos pressupostos da teoria hist
ó
rico-cultural, o homem
é
produto do desenvolvimento de processos f
í
sicos e mentais,cognitivos e afetivos, internos e externos. No que se refere
à
semo
çõ
es, conforme o homem aprimora o controle sobre si mes-mo, mudan
ç
as qualitativas ocorrem no campo emocional.
“
S
ã
o os desejos, necessidades, emo
çõ
es, motiva
çõ
es, interes-ses, impulsos e inclina
çõ
es do indiv
í
duo que d
ã
o origem ao pen-samento e este, por sua vez, exerce influ
ê
ncia sobre o aspectoafetivo-volitivo
”
(REGO, 1997, p.122), ou seja, cogni
çã
o e afeton
ã
o s
ã
o dissociados no ser humano: se inter-relacionam e exerceminflu
ê
ncias rec
í
procas ao longo do seu desenvolvimento.Numa interpreta
çã
o feita por Arantes (2003) acerca da impor-t
â
ncia da afetividade segundo a teoria de Vygotsky, o ser huma-no, da mesma forma que aprende a agir, a pensar e a falar, pormeio do legado de sua cultura e da intera
çã
o com os outros,aprende a sentir.
“
O longo aprendizado sobre emo
çõ
es e afetosse inicia nas primeiras horas de vida de uma crian
ç
a e se prolongapor toda sua exist
ê
ncia
”
(ARANTES, 2003, p.23).Diante dos pressupostos te
ó
ricos expostos, reafirma-se aimport
â
ncia da afetividade na s
ó
na rela
çã
o professor-aluno, mastamb
é
m como estrat
é
gia pedag
ó
gica. Um professor que
é
afetivocom seus alunos estabelece uma rela
çã
o de seguran
ç
a evita blo-queios afetivos e cognitivos, favorece o trabalho socializado eajuda o aluno a superar erros e a aprender com eles. Ademais, naperspectiva sociointeracionista, a crian
ç
a aprende com os mem-bros mais experientes de sua cultura. Assim sendo, se o profes-sor for afetivo com seus alunos, a crian
ç
a aprender
á
a s
ê
-lo.2.3 A AFETIVIDADE NA PERSPECTIVA DE PIAGETPara Piaget (
apud
SALTINI, 1999), o desenvolvimento afeti-vo est
á
ligado intrinsecamente e ocorre paralelo ao desenvolvi-mento moral: a crian
ç
a vai superando a fase do egocentrismo, seapercebe da import
â
ncia das intera
çõ
es com as outras pessoas edesenvolve a percep
çã
o do eu e do outro como refer
ê
ncia. Ainda