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Breve Historico da Psicologia Educacional

Breve Historico da Psicologia Educacional

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Este artigo foi elaborado a partir de uma revisão bibliográfica sobre o tema e enfoca as tendências da relação
psicologia e educação ao longo da história, a partir de uma perspectiva sociocrítica. Pretende contribuir na
reflexão sobre as possibilidades de atuação em psicologia educação escolar sinalizando para o fato de que
as construções científicas em psicologia repercutem nas práticas pedagógicas. Por uma questão didática,
dividimos nosso texto em reflexões sobre quatro modelos de atendimento psicológico em contextos
educativos escolares. Partimos de um modelo de atendimento psicométrico, analisando o pano de fundo
social sobre o qual ele foi construído, seus objetivos ideológicos, a repercussão da teoria no mundo e na
educação. Em seguida, apresentamos os modelos clínico e preventivo construídos sob a influência da
psicanálise que, apesar de mudar a visão sobre a origem das diferenças atuais, não provocaram mudanças
significativas na visão sobre as dificuldades educacionais e por sua vez no contexto concreto da escola. Para
finalizar apontamos algumas características de um fazer psicológico escolar crítico, que tem como objetivo
realizar, juntamente com os atores que compõem o cenário pedagógico e da escola, mudanças que gerem
a possibilidade de que a escola cumpra seu papel social de possibilitar a todos que por ela passarem a
apreensão dos saberes construídos pela humanidade ao longo tempo.
Este artigo foi elaborado a partir de uma revisão bibliográfica sobre o tema e enfoca as tendências da relação
psicologia e educação ao longo da história, a partir de uma perspectiva sociocrítica. Pretende contribuir na
reflexão sobre as possibilidades de atuação em psicologia educação escolar sinalizando para o fato de que
as construções científicas em psicologia repercutem nas práticas pedagógicas. Por uma questão didática,
dividimos nosso texto em reflexões sobre quatro modelos de atendimento psicológico em contextos
educativos escolares. Partimos de um modelo de atendimento psicométrico, analisando o pano de fundo
social sobre o qual ele foi construído, seus objetivos ideológicos, a repercussão da teoria no mundo e na
educação. Em seguida, apresentamos os modelos clínico e preventivo construídos sob a influência da
psicanálise que, apesar de mudar a visão sobre a origem das diferenças atuais, não provocaram mudanças
significativas na visão sobre as dificuldades educacionais e por sua vez no contexto concreto da escola. Para
finalizar apontamos algumas características de um fazer psicológico escolar crítico, que tem como objetivo
realizar, juntamente com os atores que compõem o cenário pedagógico e da escola, mudanças que gerem
a possibilidade de que a escola cumpra seu papel social de possibilitar a todos que por ela passarem a
apreensão dos saberes construídos pela humanidade ao longo tempo.

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17 
Breve histórico da psicologia escolar no Brasil 
Psicologia Argumento, Curitiba, v. 23, n. 42 p. 17-23, jul./set. 2005.
BREVE HISTÓRICO DA PSICOLOGIA ESCOLAR NO BRASIL
Brief History Of School Psychology In Brazil 
Aline Ottoni Moura Nunes de Lima 
1
Resumo 
Este artigo foi elaborado a partir de uma revisão bibliográfica sobre o tema e enfoca as tendências da relaçãopsicologia e educação ao longo da história, a partir de uma perspectiva sociocrítica. Pretende contribuir nareflexão sobre as possibilidades de atuação em psicologia educação escolar sinalizando para o fato de queas construções científicas em psicologia repercutem nas práticas pedagógicas. Por uma questão didática,dividimos nosso texto em reflexões sobre quatro modelos de atendimento psicológico em contextoseducativos escolares. Partimos de um modelo de atendimento psicométrico, analisando o pano de fundosocial sobre o qual ele foi construído, seus objetivos ideológicos, a repercussão da teoria no mundo e naeducação. Em seguida, apresentamos os modelos clínico e preventivo construídos sob a influência dapsicanálise que, apesar de mudar a visão sobre a origem das diferenças atuais, não provocaram mudançassignificativas na visão sobre as dificuldades educacionais e por sua vez no contexto concreto da escola. Parafinalizar apontamos algumas características de um fazer psicológico escolar crítico, que tem como objetivorealizar, juntamente com os atores que compõem o cenário pedagógico e da escola, mudanças que gerema possibilidade de que a escola cumpra seu papel social de possibilitar a todos que por ela passarem aapreensão dos saberes construídos pela humanidade ao longo tempo.
Palavras-chave:
Psicologia Educacional; História; Tendências.
Abstract 
This article originated from a bibliographical revision and focuses on the trends in school psychologythroughout history, from a social perspective. It intends to contribute on the reflection about the possibilitiesof performance in the field of school education psychology, noting the fact that the scientific knowledge inpsychology resound in the pedagogical practices. For a matter of didactics, the text is divided in reflectionsabout four models of psychological care in school environments. The research started from a model of psychometric care, analyzing the social background it was built upon, its ideological goals and therepercussion of the theory in the world and in education. Then, clinical and preventive models built underthe influence of psychoanalysis were presented and, although they alter the point of view on the origin of individual differences, they did not cause significant changes in the perspective about educational difficultiesnor in the solid context of school. In the end, the author points out some characteristics of a conscious school-based psychological work, which has the goal of making, along with the members of the school scenario,changes that generate the possibility for the school to fulfill its social role of making possible for all the studentsto apprehend the knowledge gathered by mankind throughout time.
Keywords:
Psychology, Educational; History; Trends.
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Professora substituta de Psicologia da Educação Escolar na Universidade Federal de Uberlândia. Psicóloga Especialista emPsicologia Escolar: Processos de Aprendizagem e de Escolarização pela USP. –Endereço para contato: Rua Acre, 941 B. Umuarama, Uberlândia - MG. CEP: 38402-022.E-mail: aottoni@yahoo.com.br
 
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Aline Ottoni Moura Nunes de Lima 
Psicologia Argumento, Curitiba, v. 23, n. 42 p. 17-23, jul./set. 2005.
A compreensão do texto, a ser alcançada por sua leitura crítica, implica a percepção das relações entre o texto e o contexto”.
(Paulo Freire)Este artigo é uma versão modificada doprimeiro capítulo de monografia apresentada aoInstituto de Psicologia da Universidade de SãoPaulo (USP)
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como parte dos requisitos para otítulo de especialista em Psicologia Escolar: pro-cessos de aprendizagem e de escolarização. Pre-tendemos fazer um levantamento histórico da re-lação da psicologia com a educação desde o seuinício.A importância e a atualidade deste temase justificam porque somente quando analisamosretrospectivamente como a psicologia respondeuao longo de sua história, enquanto ciência, ao cha-mado da educação, é que podemos entender osignificado da participação dos psicólogos na es-cola atualmente e vislumbrar possibilidades de atu-ações alternativas àquelas que se tornaram hege-mônicas.No Brasil, conforme nos alerta Goulart(2003), foi a Psicologia que derivou da Psicologiada Educação. Esta, desde o início do século passa-do, tem sido chamada pela educação para funda-mentar teoricamente questões importantes da edu-cação escolar, se constituindo no primeiro campode aplicação daquela ciência. No entanto, Lourei-ro (1997) denuncia que apesar das explicaçõesoferecidas pela psicologia para os problemas pe-los quais passa o sistema de ensino brasileiro, nãose vêem mudanças significativas ao longo dos anos.A partir de várias questões levantadas arespeito das explicações oferecidas pela psicolo-gia aos problemas da educação, faz-se urgente umapostura comprometida com as preocupações dacomunidade educativa escolar que, vinculandoteoria e prática, possam, como propõe Coll (2000),contribuir para a compreensão e melhoria das prá-ticas em contextos educativos concretos, o queprecisa ser realizado levando-se em conta a neces-sidade de adotar posturas ideológicas e morais.Para que possamos efetivar uma práticaconsciente, que leve em conta as desigualdadessociais e seus efeitos na escolarização de nossascrianças e jovens, é preciso compreender o nossoestar no mundo, situando-nos historicamente. Sen-do assim, segundo Patto (1984), “a análise da cons-tituição histórica e da essência da psicologia cien-tífica é imprescindível, pois nos permitirá enten-der mais a fundo o significado de sua participaçãonas escolas...”.Neste artigo, faremos um breve relato pararelembrarmos como, ao longo da história, vem sedando a relação da psicologia com a educação.Delineando os caminhos e des-caminhos dos psi-cólogos a partir de uma visão hegemônica clínicaaté chegarmos a uma perspectiva crítica de psico-logia escolar.Então, o que vinha fazendo o psicólogoescolar desde o final do século XIX, marco de liga-ção da psicologia com a educação? Por uma ques-tão didática, dividimos nosso texto em quatro mo-delos com base em posturas de atendimento psico-lógico nos contextos educativos escolares, mas nãopodemos tomá-las como se fossem sendo substitu-ídas uma pela outra. Coll (2000) nos confirma queainda hoje há influências desses modelos no traba-lho de psicólogos e pedagogos responsáveis pelaelaboração de políticas educacionais. Passamos àapresentação sucinta de cada um dos modelos.
2.1. O modelo psicométrico – medindo, classificando, segregando...
A psicologia adquiriu seu
status 
científi-co em 1879 com a inauguração do Laboratório dePsicologia em Leipzig, na Alemanha, por WilhelmWundt. Este médico, fisiologista, interessava-se pordesenvolver estudos sobre a psicofisiologia dosprocessos mentais, ou seja, sobre os processos ele-mentares da consciência. Seu estudo “(...) apre-senta-se como o marco que ensejou o estudo docomportamento humano sob a ótica das ciênciasfísicas e biológicas, desconsiderando os estadossubjetivos na compreensão do homem e suas rela-ções” Yazlle (1990).Wundt foi precedido por Francis Galton(1822-1911) que, em 1869, publicou sua obra “He-reditary Genius” como início de seu projeto euge-nista, baseando-se na obra A Origem das Espéci-es” de seu contemporâneo e parente, Charles Da-rwin. A partir daí, realizou vários trabalhos em seulaboratório de psicometria, no University College
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Orientadora: Professora Doutora Elenita de Rício Tanamachi; ano de conclusão, 2001.
 
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de Londres, tendo como objetivo principal medira capacidade intelectual e provar a determinaçãohereditária das aptidões humanas, para que fossepossível selecionar os mais capazes, aprimorandoa espécie humana.O período pós - revolução industrial, coma vitória da burguesia liberal, é o pano de fundosobre o qual Galton desenvolveu sua teoria. Numcontexto em que a burguesia emergente reafirma-va seu poder tendo como base o liberalismo, pau-tado num ideal de igualdade de oportunidades paratodos, as diferenças entre classes sociais eram con-cebidas a partir da explicação de que uns erammais capazes do que outros, recebendo respaldonos instrumentos de medida de inteligência e per-sonalidade criados por Galton.A primeira escala métrica de inteligênciainfantil foi desenvolvida por Binet, na França em1905. “Sua passagem (...) para o laboratório depedagogia experimental, (...) foi um passo decisi-vo na constituição do primeiro método em psico-logia escolar, do qual até hoje não se libertou: apsicometria” (Patto, 1984). Tinha como objetivodesenvolver instrumentos que possibilitassem aseleção, adaptação, orientação e classificação decrianças que necessitassem de educação escolarespecial em normais e anormais.Houve repercussão desse estudo em todoo mundo. As escolas européias e as localizadas naAmérica do Norte adotaram os testes, que estavamsendo estudados em larga escala, e com eles, asconseqüências pedagógicas que deles advêm, como,por exemplo, a divisão de crianças em grupos ho-mogêneos, separação em normais e anormais e umaseleção do que seria ensinado a cada um deles.Enquanto isso, suas colônias européiaslutavam pela introdução dessa nova “moda edu-cacional” em suas escolas. Por volta de 1906, noRio de Janeiro, Manoel Bonfim fundou o Labora-tório de Pedagogia Experimental, planejado porBinet (Paris), junto ao Pedagogium, órgão funda-do a fim de incentivar melhorias educacionais, quese transformou em um centro de cultura superior,em 1897. Em um estudo sobre a história da psico-logia brasileira, encontramos um relato sobre oensino da psicologia nas escolas normais, no sé-culo XIX, que demonstra a influência européia enorte-americana na sociedade brasileira.Massimi (1990) aponta que, para formarum corpo docente competente e adequado quan-to às necessidades do sistema educacional brasi-leiro, as escolas normais procuram elaborar e ins-truir seus alunos em uma metodologia científicado ensino, inspirada nos modelos europeus e nor-te-americanos.Patto (1984) traz a informação de que (...)a primeira função desempenhada pelos psicólo-gos junto aos sistemas de ensino, (...) no Brasil,(...), foi a de medir habilidades e classificar crian-ças quanto à capacidade de aprender e de progre-dir pelos vários graus escolares”.A influência das idéias do movimentopsicométrico, na atuação dos psicólogos no Brasil,fica notória, segundo Yazlle (1997, na apreciaçãoda tese para ingresso na Escola Normal de Recife,de Ulisses Pernambucano, em 1918, intitulada “Clas-sificação de Crianças Anormais”.Essa postura é segregadora, pois, na me-dida em que categorizamos as crianças e jovens,estamos excluindo-os da possibilidade de vivenciaro processo educacional regular e corremos o riscode, segundo Machado (1994, p. 63), aprisionar adiferença num sistema negativo, comparativo.Esses trabalhos trouxeram de positivo oinício de um movimento pioneiro de assistência acrianças excepcionais, ao qual, mais tarde, se en-gajaria a psicóloga e educadora Helena Antipoff,chegada ao Brasil em 1929.
2.2. O modelo clínico: saúde x doença... diagnosticando...
No início do século XX, as produções emPsicologia cresciam aos borbotões e os estudos deSigmund Freud (1856-1939) sobre a psicanálisevieram mudar a visão a respeito da origem dasdiferenças pessoais. Com a elaboração de uma te-oria que considerava a relação do indivíduo como grupo familiar determinante da personalidade(que se forma ao longo do processo de desenvol-vimento) e, por sua vez, de como este indivíduose posicionará no mundo, lançava-se um questio-namento oportuno para a visão do inatismo.A psicanálise foi trazida para o Brasil pe-los médicos que, por sua vez, foram os primeirosa produzir conhecimentos psicológicos neste país.Nas faculdades do Rio de Janeiro e da Bahia, dá-seuma introdução ao modelo clínico de psicologiaescolar, inspirado na medicina, cujo objetivo erapsicodiagnosticar e tratar crianças que apresentas-sem problemas de aprendizagem.
Breve histórico da psicologia escolar no Brasil 
Psicologia Argumento, Curitiba, v. 23, n. 42 p. 17-23, jul./set. 2005.

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