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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA
2
a
Quinzena de Março de 2009Ano XXIX - No. 1059 Modesto, California$1.50 / $40.00 Anual
CINEMA 
Antero de Quental em lme
CULTURA 
 No dia 22 de Marçona Casa dos Açoresde Hilmar terá lu-gar a apresentaçãodo livro de Maria F.Simões intitulado“As Lavadeiras, suaslidas”. A Casa dosAçores aproveita aocasião para estrear o seu Grupo de Ma-tanças, de Violas e Mar Bravo. Não faltem.
Maria F. Simõespublica livro
portuguesetribune@sbcglobal.net • www.portuguesetribune.com • www.tribunaportuguesa.com
Praia da Vitória - uma cidade de futuro -
esta extraordinária fotograa
panoramica de José Enes (parcialmente aqui representada) mostra bem a beleza da Cidade da Praia da Vitória.Saudamos a comitiva praiense de visita à California. Que levem todas as nossas saudades quando regressarem.
Produzido pela RTPAçores e dirigido por Zeca Medeiros,estreou-se no TeatroMicaelense no dia 9
de Março, o telelme
Antero - o Palácio deAventura.
Um lme que durou
mais de cinco meses
a realizar e que conta
a história de um dosnossos maiores poe-tas e escritores, nas-cido e morto em Ponta Delagada.
Este telelme será exibido dentro de poucotempo na Costa Leste. Seria importante que
o pudessemos ver na California.
Benvindos quem por bem vem!
Vale de San Joaquin
é um autêntico poema
Amendoeiras em Flor
na estrada de acesso ao Pico dos Padres, Turlock 
 foto de jose avila
 
2
15 de Março de 2009
SEGUNDA PÁGINA
Year XXIX, Number 1059, March 15, 2009
 
O terceiro núcleo...
S
eria bom que todos lessem o interessantíssimo
artigo do Diniz Borges na página 10 deste jor-nal. Falar comunidade não é tão simples como parece.
 A nossa comunidade vista a trinta mil pés de altitudenão é a mesma como a vista da porta da nossa casa.Penso até que a nossa Comunidade são três núcleoscomunitários distintos inseridos neste grande Estado -
o pmo, acaba os s d cqta, o sdo co
-meça nos sessenta até a meados de oitenta e o terceiro,o mais importante para o futuro, começou nos oitenta atéagora. O terceiro núcleo, o mais novo da nossa comuni-dade é realmente o mais rico em termos culturais, cien-
tcos, tlctas, mas cota-s svaído a com
-nidade americana, o que é muito bom e de louvar.O problema está em querermos que esse núcleo sejatão conhecido nas nossas mais antigas comunidadescomo é conhecido e admirado pela comunidade ameri-cana. Então, o que é que teremos de fazer?Como é que podemos trazer de volta, nem que seja pordois ou três dias por ano, essa juventude (os nossos
los, os ossos tos) paa q possamos patla
com eles o futuro de todos nós.Quem percorre as páginas das revistas da UPEC, daLuso-American e outras organizações e vê as centemase centenas de jovens a quem foram dados bolsas de es-tudo, pergunta “Onde estará toda esta gente, hoje com30, 40 anos?”Que é feito deles?O Tribuna vai tentar encontrar muitos deles e partilharcom todos vós esse achamento. Ajudem-nos também.Em tempo devido solicitámos ao Presidente da SATA uma entrevista, mas até ao fecho desta edição aindanão recebemos a sua concordancia. Pode ser que nanossa próxima edição a possamos partilhar convosco.jose avila
EDITORIAL
Cada vez é maior a confusão
no Ensino de Português nos EU
... assim dizem dois Conselheiros dasComunidades, José João Morais eManuel Carrelo, das áreas consularesde New York, Newark e Washington.Acusam o Governo Português de ter imposto dois Coordenadores e um
Consultor de Lisboa, nomeados por critérios de conança política, de
-
 pois de terem dito que os concursosseriam públicos.
Estes dois Conselherios referem-seàs nomeações de Ana Cristina Sou-
sa, que trabalha em Turlock desdeSetembro de 2007 e Fernanda Cos
-
ta que veio para a Costa Leste, emDezembro de 2008. O consultor re
-
ferido chama-se João Graxinha e tra
-
 balha no Departamento de Educação
do Estado de Massachusetts.Segundo noticia a imprensa da Costa
Leste, os dois Conselheiros armamque nunca foram consultados sobre
estas nomeações.
 Na carta em questão, os Conselhei
-ros fazem diversas considerações
sobre os Coordenadores, seus cursose vencimentos e armam que nos Es
-
tados Unidos teríamos pessoas alta
-
mente qualicadas para assumiremaqueles cargos.
Ana Cristina de Sousa, a Coordena-dora colocada na California, já res- pondeu à carta dos Conselheiros e
arma a certa altura na sua carta:”Não tenho conhecimento de qual
-
quer grande polémica em relação àminha nomeação em Setembro de2007, data em que assumi a Coorde
-nação do Ensino Português na Cali-
fórnia e outros Estados Ocidentais
(CEP.CA). Muitos dos meus colegas
 professores e signicativo número
dos representantes das comunidadesneste estado, já me conheciam do
tempo em que fui Leitora de Língua
e Cultura Portuguesas na Califor-nia State University, Stanislaus, emTurlock. Sendo natural haver discor-dâncias de estratégias ou opiniõesentre pessoas envolvidas na mesmaárea de actividade, não me sinto nem
desajustada a um contexto que já co
-nhecia anteriormente e agora passeia conhecer ainda melhor, nem nuncame tinham dito, até ao momento em
que os Senhores Conselheiros assimo expressaram, que não possuo asqualicações ou as competências ne
-
cessárias para este trabalho”.
Mais à frente, Ana Cristina refere-se
às “QUALIFICAÇÕES DA COOR 
-
DENADORA” Normalmente não costumo publicitar o longo caminho que trabalhosamen
-te percorri na minha carreira acadé-
mica, mas vou fazer aqui um peque
-
no apanhado do que me parece maisrelevante para a situação vigente:
- 1 Diploma de conclusão do EnsinoSecundário em Letras (Português,Inglês, Francês e Alemão)
- 2 Licenciaturas: Línguas e Litera
-turas Modernas, Variantes de Inglês/Alemão e Português/Inglês
- 1 Mestrado: Estudos Norte-Ameri
-canos, Literatura Norte-Americana- 1 Doutoramento (em fase de con-
clusão): Formação de Professores de
Português com apoio da tecnologia
(cujo enfoque é precisamente a Ca
-lifórnia)
- 1 Certicado de pós-graduação emEducação e Formação Online- 1 Certicado de pós-graduação em
Facilitação e Tutoria onlineDepois, a Coordenadora interroga-se
sobre se a “A COORDENAÇÃO É NOVA OU NÃO É NOVA?
A CEP.CA é uma nova coordenação.
Seria incorrecto armar o contrário, pois nunca existiu nada semelhante
na Califórnia. Pessoalmente sinto-
me muito honrada por estar aqui no preciso momento em que é possívellevar a cabo este modelo de coorde
-nação, como já antes me aconteceu
quando vim inaugurar o 1º Leitorado
de Português no Vale Central.
A uma nova política de língua, cor 
-respondem neste caso novas estrutu-ras de coordenação. Por isso se fala
de novo. Mas como sabemos, o novo
tem sempre uma história e por isso asnovas Coordenadoras tentam conhe-
cer o trabalho das Coordenações an
-
teriores. Por exemplo, estive a fazer a actualização das listas elaboradas
 pela Drª Graça Castanho, a anterior Conselheira em Washington, conten-do o número de alunos e de escolas
que ensinam Português na Califór 
-
nia. E para o ano que vem terei de
rever novamente essa lista, pois o nú-
mero de alunos não é um dado xo, já que o trabalho em educação estásempre em uxo e não se pode dizer que alguma coisa está feita de uma
vez por todas e para todo o sempre”.E mais disse, numa longa carta, de-fendendo sempre a seriedade e as
qualicações da sua escolha.
 jose avila
 
3
COLABORAÇÃO
Tribuna da Saudade
Ferreira Moreno
O
saudoso vilafranquen
-se padre Ernesto Fer-reira, em “Animaisde cor negra”, no seulivrinho Ao Espelho da Tradição,
deixou dito que “no Egipto faraó
-
nico gozava da maior celebridadeo boi Ápis, que era retintamente
 preto e apenas tinha, do lado di-
reito, uma mancha branca com aconguração de lua crescente.Haveria alguma diculdade em
encontrar este animal, mas logo
que o encontravam era conduzi
-
do p’ra Mêns e endeusado entre
ruidosas manifestações de rego-zijo.
O boi Ápis recebia homenagens
de adoração durante 25 anos,
ndos os quais os sacerdotes o
afogavam solenemente no Nilo,
e em seguida o embalsamavam e
sepultavam no templo de Serápis,
com magnicentes honras fúne
-
 bres. Depois procuravam-lhe su
-cessor”.
Seja-me permitido, aqui e ago
-
ra, advertir que no capítulo 32do Livro do Êxodo está descrito
o episódio ocorrido no deserto,
quando os israelitas moldaramem estátua um bezerro de ouro, presumivelmente em lembrançado boi Ápis.
Conforme o testemunho do padreFerreira, “na ilha de S. Miguel o
 povo acredita que a cor negra de
certos animais lhes confere uma
ecácia singular e um poder pro
-digioso. Assim, se em ocasiõesde trovoada alguém ocupar o lu-
gar donde acabou de sair uma rês preta, pode ter a certeza de quenão será fulminado pelo raio. Ofígado e o coração do boi preto
tem largo emprego na feitiçaria”.
Um outro ilustre vilafranquense,dr. Urbano de Mendonça Dias,no quarto volume de “A Vila”,
apontou ser “muito apreciado, e por isso de muita procura o cora-
ção de boi preto, porque por meiodele se praticavam vários bruxe
-dos, e se alcançam vários favo-
res. Diz-se que por meio dele se pode dar cabo duma pessoa que
nos seja importuna, ainda mesmo
que viva em Reinos Estrangeiros,
sem haver necessidade de sair-mos de nossa casa, e assim dar 
lugar a que pessoa alguma saiba
das nossas intenções”.Seguidamente, Mendonça Diastranscreve as diferentes práticasou métodos no emprego do co-
ração do boi preto, com o devido
acompanhamento de determina-
das rezas e invocações. Visto que
não pretendo repetir essas mira-
 bolantes lengalengas, aqui ca a
referência.Carreiro da Costa, na série “Tra-dições, Costumes & Turismo”
(Outubro 1964), anotou que “tan
-
to o boi como a vaca ocupam po
-
sição de destaque no quadro das
superstições populares açorianas,
o que não é de admirar, uma vezque desde remotas eras, nos Aço
-
res, os bois marcaram presençasaliente em consequência de te
-rem pertencido ao número dos
 primeiros animais aqui espalha
-
dos a m de apoiar os trabalhos
dos povoadores”.
Relativamente ao boi, prossegue
Carreiro da Costa, “trata-se dum
animal que tem sido considera
-do como sagrado, devido semdúvida, não apenas a certas re-miniscências mitológicas, como
também ao facto de prestar servi
-
ços apreciáveis aos trabalhos da
lavoura”.P’ra poupar tempo e espaço, nãovou agora enveredar p’la carreirade superstições associadas com o
 boi, como sejam aquelas lendá
-rias e curiosas crónicas alusivasao aparecimento providencialdesse animal, cuja carne concor-
ria p’rós tradicionais bodos doDivino Espírito Santo, como está
amplamente patente em diversas páginas do livro “Açores, Lendas
& Outras Histórias”, de Ângela
Furtado Brum.
 Não quero deixar em branco que,
em português, temos “olho-de-
 boi” aplicado à chamada cla
-
rabóia (skylight, em inglês), ouseja, aquela abertura envidradaexistente no alto de edifícios e
destinada a iluminar e ventilar o
interior. A expressão “passo de boi” signica andar devagar, en
-
quanto “andar com o carro adian
-
te dos bois” indica fazer qualquer coisa ao contrário. E bom serálembrar que em vão se leva um boi a beber água quando ele não
tem sede, nem tão pouco se ven-
de um boi por dois carniceiros.
Dito isto, vamos agora aos adá-
gios: o boi com muito viço dácom o corno no toutiço. O boi
 pelo corno e o homem pela pala-
vra. Quem não tem bois, trabalha
com vacas. Quem seu carro unta,
os seus bois ajuda. Não vai o car 
-
ro adiante dos bois. Onde vai ocarro, vão os bois. O boi depoisde morto é vaca. Boi bravo emterra alheia ca manso. Boi far 
-
to não é comedor nem lambedor.Boi que campeia, sinal de mau
tempo.
Boi solto lambe-se todo; boiamarrado, só um bocado. Boi que
engorda na canga, engana o com- panheiro. Boi velho, dêem-lhe de
comer, que ele por si procura aabrigada. Mais come o boi dumasó vez que a ovelha em todo o dia.
Boi velho gosta de erva tenra.
Vaca do monte não tem boi certo.Vaca que não come com os bois,
ou comeu antes ou depois.
 Não se aparelha um boi e um burro ao mesmo arado. O boi
conhece o dono e o jumento a
manjedoura. O inferno não se fez p’rós bois, nem p’ràs vacas. A boivelho chocalho novo. Ainda queo teu boi seja manso, não o mor 
-
das no beiço. De boi manso meguarde Deus que do mau eu meguardarei. De pequeno verás que boi terás. Guarda-te do boi pelafrente, do burro por detrás e do
demo por todos os lados.
Na companhia de bois (2)
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