de conflitos religiosos e territoriais entre um Oriente islâmico e um Ocidente judaico-cristão.Ser-me-ia difícil agradecer de modo adequado a todos aqueles que me ajudaramneste projeto, mas gostaria de citar pelo menos alguns. A minha profundagratidão aos que se seguem, entre muitos outros- doutor Radu Georgescu doMuseu Arqueológico da Universidade de Bucareste, doutora Ivanka Lazarova daAcademia Búlgara de Ciências, doutor Petar Stoichev da Universidade deMichigan, a incansável equipa da Biblioteca Britânica, os bibliotecários do MuseuLiterário e Biblioteca Rutherford de Filadélfia, o padre Vasil do MosteiroZographou no monte Athos e o doutor Turgut Bora da Universidade de Istambul.A minha grande esperança ao tornar pública esta história é que seja possívelencontrar pelo menos um leitor que a compreenda pelo que de fato é: um cri decoeur. A você, leitor capaz, confio a minha história.Oxford, Inglaterra15 de Janeiro, 2005
Parte I
Compreender-se-á claramente, pela leitura destes apontamentos, a razão por queforam colocados na ordem que apresentam. Eliminaram-se as coisasdesnecessárias, de modo a que surgisse como fato verdadeiro uma história quaseem completo desacordo com as crenças habituais.Não há nenhuns pormenores em que a memória corresse perigo de se enganar,pois tudo foi anotado dia a dia e por aqueles que o podiam testemunhar.Bram Stoker, DRÁCULA, 1897
Capítulo 1
Em 1972 eu tinha dezesseis anos demasiado jovem, dizia o meu pai, para viajarcom ele nas suas missões diplomáticas. Ele preferia saber que eu estava sentadaa seguir atentamente as aulas na Escola Internacional de Amesterdã; naquelaépoca, a sede da fundação do meu pai era em Amesterdã, onde eu morava há játanto tempo que quase esquecera a nossa vida anterior nos Estados Unidos.Hoje, acho estranho ter sido tão obediente na minha adolescência, enquanto aminha geração experimentava drogas e protestava contra a guerra imperialistano Vietnam, mas fui criada num ambiente tão resguardado que fez a minha vidaadulta e acadêmica parecer decididamente aventurosa. Para começar, era órfã demãe, e os cuidados que o meu pai tinha comigo foram aumentados por umadupla noção de responsabilidade, de modo que ele me protegia mais do que se ascircunstâncias fossem outras. A minha mãe morreu quando eu era bebê, antes deo meu pai fundar o Centro para a Paz e a Democracia. O meu pai nunca falavadela e esquivava-se discretamente sempre que eu fazia perguntas; muito cedocompreendi que era demasiado doloroso para ele tocar nesse assunto. Emcontrapartida, cuidava muito bem de mim com a ajuda de diversas preceptoras egovernantas que contratou com esse fim o dinheiro não era obstáculo quando setratava da minha educação, apesar de vivermos com simplicidade no dia-a-dia.A última dessas governantas foi Mrs. Clay, que tomava conta da nossa casaholandesa do século dezessete perto do Raamgracht, um canal no centro históricoda cidade. Mrs. Clay abria-me a porta todos os dias quando eu chegava da escolae era uma espécie de parente quando o meu pai viajava, o que acontecia comfreqüência. Era inglesa, mais velha do que a minha mãe teria sido, hábil com umespanador de pó e desajeitada com adolescentes; às vezes, olhando para o rostodela durante o jantar e vendo a sua expressão de pena exagerada e os dentesdemasiado compridos, tinha a impressão de que ela pensava na minha mãe edetestava-a por causa disso. Quando o meu pai estava fora, a linda casa ecoavacomo se estivesse vazia. Não havia ninguém para me ajudar com os problemas
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