Introdução
1.1. A criação de uma rede de bibliotecas escolares, assumida como política articulada pelos Ministériosda Educação e da Cultura, visa responder a uma necessidade sucessivamente enunciada, pelo menosdesde meados do século passado, quer em textos oficiais, quer na imprensa, quer ainda em estudossobre práticas culturais e sobre educação.1.2. O tempo encarregou-se, entretanto, de transformar o conceito de biblioteca e foi-lhe conferindovários significados, desde local de animação ou colecção de livros, até actividade da turma (biblioteca deturma), desde mediateca até centro multifuncional de acesso à informação. Nas últimas décadas osequipamentos onde se promovem iniciativas neste domínio têm sido designados por uma multiplicidadede termos, tanto nas escolas, como em documentos oficiais: Bibliotecas, Mediatecas, Centros deDocumentação e Informação (CDI), Centros de Recursos Educativos (CRE), Centros de InformaçãoMultimédia, etc. Em princípio, cada um destes termos deveria ser empregue para corresponder a umconceito e uma realidade determinada. No entanto, verifica-se que isto não acontece e que a escolha dadesignação tem sido com frequência um pouco arbitrária. Esta diversidade reflecte, por um lado a faltade intervenção e de apoio oficial, mas por outro, reflecte também o dinamismo e a autonomia dasequipas pedagógicas que têm conseguido encontrar recursos e criar diferentes tipos de soluções pararesponder às necessidades que enfrentam.1.3. Hoje, seja qual for o nome por que são designadas, as bibliotecas escolares sobre as quais nospropomos reflectir surgem como recursos básicos do processo educativo, sendo-lhes atribuído papelcentral em domínios tão importantes como: (i) a aprendizagem da leitura; (ii) o domínio dessacompetência (literacia); (iii) a criação e o desenvolvimento do prazer de ler e a aquisição de hábitos deleitura; (iv) a capacidade de seleccionar informação e actuar criticamente perante a quantidade ediversidade de fundos e suportes que hoje são postos à disposição das pessoas; (v) o desenvolvimentode métodos de estudo, de investigação autónoma; (vi) o aprofundamento da cultura cívica, científica,tecnológica e artística.1.4. Estudos sobre literacia, nacionais e internacionais, têm vindo a demonstrar que existe uma relaçãoestreita entre a acessibilidade a espaços e recursos de leitura e o nível de desempenho dos alunos.
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Verifica-se também que é nos países com tradição no domínio das bibliotecas escolares e das bibliotecaspúblicas que os hábitos de leitura da população se encontram mais enraizados, sendo também essespaíses que registam níveis mais elevados de desenvolvimento cultural e científico.
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1.5. No mundo em que a informação e o conhecimento científico e tecnológico se produzem a um ritmoacelerado e em que é indispensável formar pessoas capazes de acompanhar a mudança, cabe às escolase às suas bibliotecas a função essencial de criar e desenvolver nos alunos competências de informação,contribuindo assim para que os cidadãos se tornem mais conscientes, informados e participantes, e parao desenvolvimento cultural da sociedade no seu conjunto.
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Sim-Sim, I. e Ramalho, G., Como Lêem As Nossas Crianças? Caracterização de nível de literacia da populaçãoportuguesa, Lisboa, Gep, Ministério da Educação, 1993.Elley, B. Warwick, How in the world do students read? IEA Study of reading Literacy, The International Association forthe Evaluation of Educational Achievement, 1992.
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Rapport Mondial sur le Developpement Humain: 1994, Programe des Nations Unies pour le développement, Paris, Ed.Economica, 1994.
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