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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COMARCA DE SÃO PAULOFORO REGIONAL I - SANTANA7ª VARA CÍVELAV. ENGENHEIRO CAETANO ÁLVARES, 594, São Paulo - SP - CEP02546-000
 
001.08.616762-7 - lauda 1
SENTENÇA
Processo nº:
001.08.616762-7 - Possessórias Em Geral(reintegração,Manutenção, Interdito)
Requerente:
Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo -Banccop
Requerido:
Noeli Campos de Oliveira
Juiz(a) de Direito: Dr(a).
Carina Bandeira Margarido Paes Leme
VISTOS.
COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃOPAULO - BANCOOP
ajuizou a presente ação em face de
NOELI CAMPOS DEOLIVEIRA.
Alega, em síntese, que as partes firmaram termo de adesão e compromisso departicipação, assumindo a cooperada a obrigação de contribuir com seus recursos paraconstrução, pelo sistema cooperativo regulado pela Lei Especial nº 5764/71 e pelo Estatutoe Regimento Interno da cooperativa autora, do empreendimento identificado na inicial. Acooperada, entretanto, deixou de efetuar os pagamentos devidos, prejudicando, assim, todosos cooperados participantes do empreendimento, mesmo após o encaminhamento denotificação extrajudicial. Requer, assim, a eliminação do cooperado com conseqüenterescisão da avença e reintegração na posse do imóvel, nos termos da cláusula 12ª, § 1º, docontrato celebrado entre as partes. Requer, outrossim, a condenação do cooperadoinadimplente no pagamento de indenização na forma da cláusula 10ª, § 7º. Juntoudocumentos
(fls. 19/68).
A requerida ingressou nos autos, apresentando defesa
(fls. 69/104)
.Informa que a Associação dos Moradores do empreendimento ajuizou ação coletiva em faceda ora autora em trâmite perante a 29ª Vara Cível do Foro Central, requerendo oreconhecimento da conexão das ações perante o Juízo prevento ou, subsidiariamente, asuspensão deste processo em função da existência de prejudicialidade externa. Empreliminar, requer o reconhecimento da falta de interesse de agir ante a ausência do pedido
 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COMARCA DE SÃO PAULOFORO REGIONAL I - SANTANA7ª VARA CÍVELAV. ENGENHEIRO CAETANO ÁLVARES, 594, São Paulo - SP - CEP02546-000
 
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de rescisão contratual. No mais, sustenta que quitou integralmente as parcelas previstas nocontrato, cuja atualização totaliza valor bem superior ao preço de custo do imóvel, inibindoqualquer apuração de saldo residual, sem qualquer comprovação contábil, viciando, assim,a notificação, inapta à constituição da cooperada em mora. Depois de discorrer sobre anatureza da relação existente entre as partes, à luz do Código de Defesa do Consumidor,sustenta a obscuridade da previsão de “apuração final” em descompasso com o princípioda boa-fé e a nulidade da cláusula contratual definidora de indenização porque violadora doartigo 51, inciso IV, do Código de Defesa do Consumidor. Em arremate, insurge-se contrao pedido de liminar. Juntou documentos
(fls. 105/173).
Réplica às
fls. 178/209
com documentos
(fls. 210/226).
Manifestação da ré
às fls. 230/249
.
É o relatório. Decido.
O processo comporta julgamento no estado em que se encontra naforma do artigo 330, inciso I, do Código de Processo Civil.A reunião das ações não se justifica porquanto a amplitude dadiscussão posta na ação declaratória ajuizada pela
 Associação de Cooperados da BANCOOP Adquirentes do Residencial Village Palmas,
não será alcançada no julgamentodesta ação, cujo objeto é a retomada do imóvel, com contornos próprios, impedindo, pois,a ocorrência de decisões conflitantes. Idênticos fundamentos afastam a conveniência dasuspensão desta até julgamento daquela.A falta de interesse de agir também não vinga porquanto aeliminação dos quadros da cooperativa do cooperado inadimplente, diante do nãoatendimento dos termos da notificação extrajudicial, veio expressamente referida na iniciale tratada como pressuposto para obtenção da proteção possessória reclamada, acompanhadade indenização.Feitas essas considerações, passa-se ao mérito.
 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
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As partes firmaram termo de adesão e compromisso departicipação, assumindo a cooperada a obrigação de contribuir com seus recursos paraconstrução, pelo sistema cooperativo regulado pela Lei Especial nº 5764/71 e pelo Estatutoe Regimento Interno da cooperativa autora, do empreendimento identificado na inicial.O autor imputa inadimplemento à cooperada, que não honrou opagamento de
resíduo
apurado após a conclusão do empreendimento.A exigibilidade do valor correspondente ao
resíduo -
cujo nãopagamento, diga-se, motivado, não veio negado pela - traduz-se em requisitoindispensável ao reconhecimento do direito à proteção possessória buscada nesta ação e,definitivamente, pelo simples confronto entre as disposições do Estatuto Social e a provadocumental dos autos, dispensando outras digressões, revelou-se comprometida.Ora, extrai-se do artigo 39 do Estatuto Social que compete aAssembléia Geral Ordinária deliberar sobre a destinação das sobras ou o
rateio das perdasdecorrentes da insuficiência das contribuições para as coberturas das despesas dasociedade
(fls. 30).As únicas atas exibidas com a inicial referem-se a AssembléiaGeral Ordinária realizada aos 04/02/05, oportunidade da aprovação das contas/balançogeral, relatório da diretoria e parecer do conselho fiscal do exercício de 2004, não seguidade qualquer outra, absolutamente imprescindível para aprovação do rateio cobrado em2007 e, outra, porém anterior, quando foi aprovado o invocado Estatuto Social e oRegimento Interno (fls. 22/23 e 24/44).Aliás, de outra forma não poderia dispor o Estatuto Social daCooperativa, que, com esta previsão, curvou-se à necessidade de transparência e derespeito à justa expectativa dos cooperados de obtenção de efeitos liberatórios ao final dopagamento integral do preço ou, em hipótese diversa, depois de quitado eventual saldo,porém conhecido e justificado, o que não foi providenciado pela autora, ao arrepio dafunção social do contrato e da boa-fé, valendo-se, como se não bastasse, desta via com
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