Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
1Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Cotidiano e Lugar

Cotidiano e Lugar

Ratings: (0)|Views: 3|Likes:
Published by redencion2013

More info:

Published by: redencion2013 on Apr 01, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

07/15/2014

pdf

text

original

 
COTIDIANO E LuGAR:interpretações conceitais nma leitra geográca para ma prática de ensino.
sIlVA, Mary Anne Vieira
57 
 RESUMO:
 Acredita-se que para se utilizar do conceito de cotidiano como ponto de partida da reexão a ser realizada, sobretudo em sala de aula é indispensável compreender o signicado losóco de cotidiano e dolugar como categorias norteadoras da ciência geográca, bem como, ressaltar que o processo de elaboração
conceitua é um caminho imprecindíve pra uma boa prática docente. Torna-e indipenáve e ea deverá
continuamente ocorrer para uma reexão losóca sobre o papel do professor como agente mediador entreo cotidiano e a construção do mundo vivido, espaço da experiência e da vivência dos homens, logo dos seusalunos, esfera que se constrói numa dimensão espacial vista como- o lugar. O objetivo é realizar a prática dereexão conceitual e o exercício de elaboração das bases losócas que sustentam determinados primados de saberes cientícos.
Introdução
As discussões aqui apresentadas buscam fornecer subsídios para um entendimento do espaço numaabordagem que oportuniza enfocar os conceitos: cotidiano
58
e lugar. Esses se apresentam como categorias
centrais no corpo teórico-metodológico que constitui a ciência geográca, sobretudo nas produções realiza
-
das a partir do século XX. Para esse artigo a discussão permeia por uma construção teórica, por entendê-la
imprescindível no âmbito prático-didático. Para tanto essa é uma abordagem amalgamada construída por con-
tribuições de autores, sobretudo torna-se um exercício de leituras sistematizadas acerca da construção desses
conceitos.
Acredita-se que para se utilizar do conceito de cotidiano como ponto de partida da reexão a ser rea
-
lizada, sobretudo em sala de aula é indispensável compreender o signicado losóco de cotidiano; a relaçãoexistente entre o cotidiano e o não-cotidiano; e a função dessas duas esferas na vida humana, bem como, éindispensável realizar continuamente uma reexão losóca sobre o papel do professor como agente mediador entre o cotidiano e a construção do mundo vivido, espaço da experiência e da vivência dos homens, logo dosseus alunos, esfera que se constrói numa dimensão espacial vista como- o lugar.A preocupação com o cotidiano, em especial para ciência geográca dá-se por uma necessidade deexercício losóco. O principal objetivo é propiciar aos alunos acadêmicos de geograa uma discussão teórica
conceitual e posteriormente argumentos, para que, esses possam operacionalizar com os conteúdos que funda-mentam o que se conhece por – cotidiano. E ainda, que essas leituras possam levá-los a fazer a passagem do
que é visto como senso comum a outra dimensão à consciência losóca, a concretização da produção cons
-ciente e intelectual, ou uma prática educacional.
57
Mestre em Geograa pela USP, coordenadora do Programa de Extensão Centro Referência da Educação Básica CEREB, coorde
-nadora da pesquisa Territorialidades Urbanas do Centro de Anápolis/go e Professora da Faculdade Anhanguera Educacional S/A.(Faculdade Latino Americana)
58
Aqui o cotidiano é visto enquanto conceito losóco onde o “objetivo em sua formulação inicial, é reconduzir esses fatos aparen
-
temente informes ao conhecimento e reagrupá-los não arbitrariamente, mas segundo conceitos e segundo uma teoria (LEFEBVRE;
1991).
 
O cotidiano nma perspectiva losóca
O cotidiano em âmbito conceitual é estudado e problematizado no século XX por diversos autores,dentre eles destacam-se Henri Lefebvre, Agnes Heller, Antônio Gramsci, Herbert Marcuse Michael de Certe-
au. Vale ressaltar que tais autores abordam o conceito de forma diferenciada, o que passa a exigir uma demar 
-
cação teórica. Aqui serão tomadas algumas construções de HELLER e LEFEBVRE.
Para Agnes Heller, o cotidiano é a vida de todos os dias e de todos os homens em qualquer época his-
tórica. O cotidiano ca presente em todas as esferas da vida do indivíduo,
A vida cotidiana é a vida do homem inteiro; ou seja, o homem participa na vida cotidiana
com todos os aspectos de sua individualidade e de sua personalidade. Na vida cotidianacolocam-se “em funcionamento” todos os seus sentidos, todas as suas capacidades intelec-
tuais, suas habilidades manipulativas, seus sentimentos, paixões, idéias, ideologias. O fato
de que todas as suas capacidades se coloquem em funcionamento determina também, natu-ralmente, que nenhuma delas possa realizar-se nem de longe em toda a sua intensidade”(HELLER,1972:17) .
Para autora a vida cotidiana é heterogênea e hierárquica. Nela o homem inteiro é ligado às atividadesque ele executa mediante suas capacidades e habilidades. Para ela a vida cotidiana ocorre no conjunto de rela
-ções entre o homem e a sociedade, estabelecidas em qualquer lugar, e aqui se deve considerar a dinâmica que
os lugares são submetidos à divisão do trabalho, os modos de organização se diferenciam em determinadostempos históricos, mas na visão da autora todos têm a vida cotidiana. Ao analisar os postulados do cotidiano
e do não cotidiano em Agnes Heller, é possível estabelecer que conceito de vida cotidiana ocorra na distinçãoentre as atividades voltadas para a reprodução do homem singular e aquelas voltadas para a reprodução dosocial. Para Heller (1991: 19),
Para reproduzir a sociedade é necessário que os homens singulares se reproduzam a si mes-mos enquanto homens singulares. A vida cotidiana é o conjunto de atividades que caracter-izam a reprodução dos homens singulares, os quais, por sua vez, criam a possibilidade dereprodução do social”
A vida cotidiana é a vida do indivíduo. O indivíduo é simultaneamente ser particular e ser genérico
(1992; p.20). A heterogeneidade que constitui o núcleo da vida cotidiana é vista por meio das mais variadasatividades que envolvem o homem inteiro, ou melhor, as atividades necessárias a própria reprodução humana,
ele se insere em seu meio e desse meio, o homem retira e produz suas necessidades. Ainda nesse ambiente elegarante sua reprodução particular, por meio da assimilação das relações sociais que estão hierarquicamenteestabelecidas, desde as que são socialmente consideradas imprescindíveis para a vida em sociedade até as con-
sideradas prescindíveis. Essa lógica estabelece a vida cotidiana, essas atividades se desenvolvem “espontânea
e natural”, sem que o homem tenha consciência do processo através do qual as assimila.Ao correlacionar a cotidianidade da vida do homem em sua dimensão singular, Agnes Heller admite a
simultaneidade de atividades não-cotidianas. Essas são consideradas como aquelas que servem à reproduçãodo gênero humano como um todo e, conseqüentemente, servem também à reprodução do homem particular. Acoexistência da vida cotidiana e não-cotidiana está presente na construção histórica do ser humano.Agnes Heller atribui que a vida não-cotidiana seja a passagem da cotidianeidade (individualidade) à
genericidade (ser genérico, “coletivo”) nas várias dimensões da vida humana em sociedade, tais como o tra-
 balho, a política, a moral, a ciência e a losoa. Desse modo, ao tratar das características do cotidiano que semanifestam nas várias dimensões da vida, como, por exemplo, a heterogeneidade, a espontaneidade, o prag
-matismo e a hipergeneralização, a autora as relaciona com as do não-cotidiano que rompem com os limites das
características da vida cotidiana: a homogeneização, a intencionalidade, a reexão e a causalidade.
 
 Numa outra abordagem Henri Lefebvre discorre sobre o tema em várias de suas obras. Destaca-se aqui
“a vida cotidiana no mundo moderno” em que o autor expõe o cotidiano como um conceito losóco especí
-
co de nossa sociedade e de nossa época
Tratando-se de cotidiano, trata-se portanto de caracterizar a sociedade em que vivemos, que
gera cotidianeidade( e a modernidade). Trata-se de deni-la, de denir suas transformações esuas perspectivas, retendo entre os fatos aparentemente insignicantes, alguma coisa de es
-
sencial(...) o conceito torna-se o o condutor para conhecer a sociedade, situando o cotidiano
no global. (LEFEBVRE, 1991:35)
Apesar da complexidade e das diversas perspectivas em que alguns autores trabalham o cotidiano,foi possível enveredar no entendimento do mesmo enquanto conceito losóco. O banal do dia-a-dia, o “in
-
signicante”, é incorporado à losoa, transformando-se em categoria de estudo capaz de contribuir para a
elucidação do mundo moderno.Para Lefebvre, este é o caminho percorrido enquanto método, tendo em vista que a investigação do
cotidiano requer uma análise crítica que envolve o enfretamento entre o mundo losóco e o não losóco. O
autor coloca que é na vida cotidiana que acontecem as verdadeiras criações, as idéias, os valores, os costumes eos sentimentos. O estudo do cotidiano se faz na mediação da esfera política e econômica, onde o social propiciaa apreensão da totalidade.
Em sua obra “Crítica da vida cotidiana I” Lefebvre ressalta a importância do estudo losóco do coti
-
diano quando arma que: “ nem o lósofo e nem a losoa não podem mais se isolar, nem se mascarar, nem
se esconder. Isso precisamente porque em última instância a vida cotidiana julga a sabedoria, o conhecimentoe o poder” (1961).A vida cotidiana nessa perspectiva favorece a interpretação do mundo de forma diferente eo “vivido” cria a possibilidade de transformação da sociedade.O cotidiano se materializa nas atividades desenvolvidas e vivenciadas pelo homem a partir de sua con-
dição como ser individual e ser genérico. Atrelados a necessidade de uma contribuição geográca o cotidiano
se estabelece no lugar, no
ocu,
enm numa dimensionalidade espacial. É na parcialidade do espaço (lugar),
que ocorre a particularidade representativa da dimensão do indivíduo, pois é a partir da individualidade desteúltimo que torna-se possível sua identidade com o lugar 
59
.
 Na tentativa de elucidar o lugar reconhece que este conceito, sempre é e foi emergente na geograa,
remetendo portanto, revisar os clássicos
60
que fundamentam seu estudo. Entretanto, esse retorno não ocorre no
sentido de se fazer uma genealogia das noções e conceitos próprios da Geograa ou demarcações de escolas e
abordagens, mas no sentido de especular sobre a possibilidade de operar com tais noções visando um melhor entendimento do mundo.
O lgar na tradição geográca
O lugar inicialmente para geograa ligava-se a idéia de
habitat 
, associada à localização, diferenciaçãode áreas como denia Vidal de La Blache, mas hoje tal conceito ganha outra dimensão, pois o lugar denido a
 partir dos antigos gêneros de vida é atualmente potencializado com o cotidiano
.
Aqui tenta se fazer uma relaçãoda noção de “gênero de vida” com o cotidiano. Não utilizando do conceito “gênero de vida” na sua concepção
inicial, mas reetindo sobre a ausência dele nas sociedades complexas e modernas, onde os estilos (tradições)
59
“Impõe-se, ao mesmo tempo, a necessidade de revisitando o lugar no mundo atual, encontrar os seus novos signicados. Uma possibilidade nos é
dada através da consideração do cotidiano...” (SANTOS, 1996: 252).60
Dentre os clássicos destaco a obra de Vidal de LA BLACHE “Princípios de Geograa Humana” (1954); e de Max SORRE “L’Homme sur la Terre” (1955); e Max DERRUAU “Précis de Geographie Humaine” (1963).

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->