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As turmas de bate-bolas do carnaval contemporâneo. Gualda, A 2008

As turmas de bate-bolas do carnaval contemporâneo. Gualda, A 2008

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Tese sobre os bate-bolas dos suburbios do Rio de janeiro e suas relações com as folias de reis, cuja figura de Herodes é representada por diabos, monstros e palhaços. http://www.concinnitas.uerj.br/resumos13/gualda.pdf
Tese sobre os bate-bolas dos suburbios do Rio de janeiro e suas relações com as folias de reis, cuja figura de Herodes é representada por diabos, monstros e palhaços. http://www.concinnitas.uerj.br/resumos13/gualda.pdf

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As turmas de bate-bolas docarnaval contemporâneo
Aline Gualda
Síntese da dissertação
Tramas simbólicas: a dinâmica das turmas debate-bolas do Rio de Janeiro
, o texto apresenta uma abordagem dessamanifestação como objeto cultural popular simbolicamente disputado,dinâmico e multifacetado. Essa abordagem conduz à análise dos estilosde turmas de bate-bolas – categorias formuladas pelos brincantes paraorganizar e assimilar a heterogeneidade de indumentárias e
 performan-ces
presente no universo conceitual da brincadeira.Turmas de bate-bola, carnaval, cultura popular.As festas carnavalescas de certas localidades do Rio de Janeiro apresen-tam manifestações diferentes das que o imaginário global associa ao carnaval carioca, rela-cionado aos desfiles das escolas de samba. Em alguns lugares do estado, há foliões mascara-dos que circulam pelas ruas usando roupas coloridas e fazendo gestos extravagantes. Essesfantasiados podem ser chamados de bate-bolas, clóvis ou, simplesmente, mascarados.
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Se não se sabe ao certo quais seriam as prováveis origens dos bate-bolas fluminenses,
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per-cebe-se que a manifestação possui semelhanças com certos personagens da cultura popularnacional e da cultura mundial, especialmente no que diz respeito à indumentária colorida efragmentada, ao uso de máscaras e à
 performance
marcada por notável caráter cômico.
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Os bate-bolas cariocas já foram descritos por alguns autores como fantasiados neces-sariamente mascarados, com características de indumentária e
 performance
regulares econstantes, e que se manifestariam exclusivamente nos bairros suburbanos da cidade doRio de Janeiro.
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Notou-se, com este estudo, que os bate-bolas contemporâneos têm-se manifestado demaneiras muito heterogêneas – com visualidades e
 performances
diversas –, a ponto de seter certa dificuldade metodológica para os reconhecer como foram descritos em estudospregressos.Estivemos em contato com algumas turmas de bate-bolas do Rio de Janeiro no períodode fevereiro de 2006 a fevereiro de 2008
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com o objetivo de observar suas características– especialmente nos aspectos indumentário e performático –, analisá-las e buscar com-preender suas irregularidades e sua dinâmica, até então não abordadas ou mantidas emsegundo plano.
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1 A denominação “bate-bola” tem relação como hábito de bater no chão uma bexiga, parteintegrante da antasia. Atualmente a bexigacorresponde a arteato industrializado quesubstitui as bexigas de porco e de boi, antesusadas. As bexigas de animal eram colocadaspara secar ao sol e, depois de secas, inadase atadas com cordão. A denominação “clóvis”costuma ser justifcada como corruptela dotermo
clown
(Zaluar, 1978; Frade, 1979; Gui-maraens, 1992). Há divergências quanto à ori-gem do termo, presente nos inglês e alemão,em ambos signifcando “palhaço”.
2
Afrma-se que os bate-bolas teriam surgidoem Santa Cruz na década de 1930, relacionadosà presença de militares estrangeiros no bairro,pela ocasião da construção de um hangar dezepelim, iniciada em 1933. Esses estrangeirosteriam trazido o hábito de vestir-se de palhaçono carnaval (Frade, 1979) ou, numa outra pos-sibilidade, teriam apenas emprestado o nome
clown
” a uma espécie de antasia já reqüenteno bairro, no período carnavalesco (Zaluar,1978). Entretanto, encontram-se registros dacirculação de antasiados chamados de “cló-vis” e “
clown
” em carnavais uminenses emdatas anteriores à década de 1930 (Barreto,1956; Jacintho, 1928).
3
Ver oões, mascaradinhos, mascarados-obós, papangus, matachins, pantallas e par-ticipantes da Mummers Parade, por exemplo(Pereira, 2008).
4
Alba Zaluar identifca nos clóvis inuênciaseuropéias medievais e percebe semelhanças
As turmas de bate-bolas do carnaval contemporâneo
Aline Gualda
Fantasia da turma Coyote de Paciência para ocarnaval de 2008. Foto: Bruno “Coyote”.
 
8concinnitas
ano 9, volume 2, número 13, dezembro 2008
Pudemos perceber que as turmas de bate-bolas são hoje coletivos nos quais se partilhaidentidade comum, baseada em compreensão específica da manifestação dos bate-bolas.Os componentes das turmas de bate-bolas atuais são predominantemente homens (muitoembora não exista restrição à participação de mulheres em muitos dos grupos pesquisados),em sua maioria na faixa de 25 a 40 anos de idade, mais freqüentemente moradores das zonasOeste e Norte da cidade do Rio de Janeiro e em municípios vizinhos como Itaguaí, Nova Igua-çu, Nilópolis, Belford Roxo, Duque de Caxias, São Gonçalo, Magé, Guapimirim, entre outros.Apesar de ser possível situá-las geograficamente, as turmas de bate-bolas costumam circularpor espaços geográficos diferentes de suas localidades de origem. É grande, por exemplo, aconcentração de turmas de bate-bola no Centro do Rio de Janeiro, nas terças-feiras de carna-val, quando ocorre o Concurso Folião Original – Modalidade Clóvis, na Cinelândia.
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As turmas de bate-bolas podem ter de dois membros até centenas de componentes ecostumam ter uma espécie de líder, comumente chamado de “cabeça da turma”, com fre-qüência, o idealizador do grupo. É ele quem normalmente decide sobre a visualidade daturma, organiza as tarefas para a produção das fantasias, convoca reuniões e encontros,admite e desliga membros. Há turmas de bate-bola com mais de um líder.Característica freqüentemente associada às turmas de bate-bolas contemporâneas é seumarcante caráter competitivo;
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podem competir entre si formalmente, pela participaçãoem concursos de fantasia promovidos nos carnavais de coreto de algumas localidadesda cidade, ou informalmente, por conflitos e enfrentamentos corporais algumas vezesbastante violentos.
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Acrescentaremos uma terceira modalidade, que chamamos de disputaconceitual, em que está em jogo a hegemonia
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sobre a significação da brincadeira.
A disputa conceitual na manifestação dos bate-bolas
A manifestação contemporânea das turmas de bate-bolas não possui um formato geraldefinido, ou seja, não é praticada de maneira padronizada pelos diversos grupos de brin-cantes nem é entendida e conceituada pela mídia e pela sociedade em geral de maneirahomogênea. Podemos compreendê-la como uma articulação de discursos diferenciados e,às vezes, até mesmo conflitantes. Seria equivalente ao que, para os Estudos Culturais,
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sechama de texto. O texto corresponde a um determinado objeto cultural sobre o qual podehaver uma articulação de discursos variados. Um texto, define Storey,
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is not the issuing source of meaning, but a site where the articulation of meaning – variable meaning(s) – can take place. And because different meanings can be ascribed to the same text or practice or event, meaningis always a potencial site of conflict 
.Por articular diferentes discursos, cada qual com significados específicos, um texto éconsiderado objeto polissêmico, capaz de provocar leituras diferenciadas que, por sua vez,
entre eles e os palhaços da olia-de-reis; aautora situa a ocorrência da maniestação naszonas periéricas da cidade do Rio de Janeiroe supõe que esse isolamento geográfco se-ria o ator responsável pela manutenção dapureza cultural da maniestação; ela descreveos antasiados como oliões necessariamentemascarados que trajam macacões de cetim(Zaluar, 1978). Lélia Gonzáles declara a ma-niestação típica dos subúrbios e das zonasrurais; descreve os antasiados como aquelesque trajam pijamas coloridos de cetim, usammáscaras e batem ortemente bexigas de arno chão (Gonzales, 1989). Lélia Coelho Fro-ta os compreende como antasiados que semaniestam nos subúrbios e que se associamlivremente em agrupamentos espontâneos(Frota, 2005). Roberto Da Matta associa amaniestação dos clóvis às zonas periéricasda cidade do Rio de Janeiro, onde as máscarasprovidenciariam uma espécie de inversão docotidiano, caracterizado pela contato promo-vido por relações de vizinhança (Da Matta,1981). Cáscia Frade também associa a mani-estação ao espaço geográfco suburbano edescreve os antasiados como mascarados quetrajam antasias de cetim em cores variadas,que batem bexigas de boi cheias de ar nochão para aastar os inoportunos e curiosos(Frade, 1979).
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As turmas oram acompanhadas por trabalhode campo e observação participante (Pereira,2008).
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É possível que essas dierenças não tenhamsido signifcativas na época dos estudos ante-riores, ou que no momento dessas pesquisasnão tenha sido pertinente abordar os bate-bolas pela perspectiva das dierenças, umavez que a compreensão clássica de cultura po-pular, normalmente evocada nesses estudos,tende a considerar as regularidades, os cos-tumes e as tradições (enquanto repetições)como características intrínsecas ao objetocultural popular.
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As inscrições para o concurso são realizadasno local e podem ser eitas das 13 às 16 ho-ras. A turma deve ter no mínimo 15 compo-nentes, todos maiores de 18 anos de idade, edeve ser representada, no ato da inscrição, porum responsável devidamente documentado. Osprêmios correspondem a valores em dinheirooerecidos às três primeiras turmas mais vota-das. Não há registros ormais sobre os critériosde seleção empregados pela RioTur para a esco-lha do júri nem daqueles pelos quais os juradosavaliam cada turma (Pereira, 2008).8 Diz-se que esse espírito competitivo dasturmas de bate-bolas teria sido estimuladopelos concursos de antasias, surgidos, se-gundo alguns brincantes, nos anos 80, poriniciativa de um comerciante de aviamentosde costura e artigos de bazar do bairro de Ma-rechal Hermes, conhecido como sr. Magalhães(id., ibid.).

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