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O perfil de um designer brasileiro: Aloisio Magalhães

O perfil de um designer brasileiro: Aloisio Magalhães

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Perfil do designer Aloisio Magalhães - Comunicação oriunda da tese apresentada por Isis Fernandes Braga ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais na linha de pesquisa Estudos da Imagem e das Representações Culturais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Perfil do designer Aloisio Magalhães - Comunicação oriunda da tese apresentada por Isis Fernandes Braga ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais na linha de pesquisa Estudos da Imagem e das Representações Culturais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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O perfil de um designer brasileiro: Aloisio Magalhães
Isis Fernandes Braga
1
Esta comunicação origina-se de minha tese, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais na linha de pesquisa Estudos da Imagem e das RepresentaçõesCulturais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, constituindoum pré-requisito para a obtenção do título de Doutor. Dito deste modo fica, entretanto,desconhecida a sua gênese, que é fundamental ser aqui mostrada, porque revela acontinuidade que ela dá no campo da Comunicação Visual tendo o uso do computador como ferramenta, campo no qual atuo como professora. Esses assuntos foram examinados por mim na minha dissertação de mestrado apresentada ao mesmo Programa e na mesmalinha de pesquisa.
 Nela fiz um estudo de caso de uma agência de publicidade, a DenisonPropaganda, que havia sido uma das maiores do Brasil e que, tendo basicamente um só cliente,chegou ao ponto de, algum tempo depois da minha pesquisa, extinguir-se
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. É preciso deter-me um pouco mais naquele exame, porque o começo das coisas vai nos dizer aonde se vai chegar.Assim, durante aquela defesa, tendo como membros da banca examinadora o Professor Emérito do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais-IFCS/UFRJ, Doutor Mário Barata e o Prof. Dr.Rogério Medeiros, também meu orientador, tive completando a banca, a Profa. Dra. Rosza VelZoladz, da EBA/UFRJ, que chamou a minha atenção para aspectos relacionados com os perfisidentificatórios do design no Brasil que, estes sim, configuravam questões problematizadas comreflexos nos planos econômicos e de aceitação do designer entre nós e internacionalmente, e não oinverso, ou seja, o plano econômico como o aspecto mais frágil da produção dos designers noBrasil.A Profa. Rosza Vel Zoladz, com a sua lucidez conhecida, apontava os problemas dessa áreade produção num binômio inverso: a pouca clareza de uma identidade influindo nos obstáculos àcomercialização da produção dos designers no Brasil. Ficava claro para mim que eu deveriadebruçar-me sobre essas relações, indo ao encontro, segundo a mesma professora, das proposiçõesoriginalmente feitas pelo renomado designer brasileiro Aloisio Magalhães, conforme era enfatizado por ela.Passei a refletir sobre o que fora por mim ouvido durante aquele exame; pensei muito noassunto e cheguei a uma conclusão quase que óbvia: era o que deveria constituir a minha tese dadoutorado e, em um único impulso, defini meses mais tarde, em voz alta - que foi ouvida pelaProfessora Rosza - a minha intenção, propondo-me a enfrentar a complexidade embutida nasquestões quanto ao " o que é ser brasileiro? O que revela o design por nós criado?" Senti-meestimulada a estudá-las e o encorajamento e o apoio recebidos da Profa. Rosza, com a qual já haviafeito cursos - foram definitivos para concretizar uma tese em nível de doutorado.O que passou a constituir o meu interesse principal fazia com que eu me deparasse com uma bibliografia escassa quanto aos assuntos ligados à atuação de Aloisio Magalhães entre nós.Felizmente essa questão acha-se hoje resolvida com os extraordinários empenhos dos designersJoão de Souza Leite e Felipe Taborda
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, que cadastraram artigos, ensaios, em número de dezesseis,de pessoas que foram de alguma forma vinculadas a Aloisio Magalhães.
 
1
Doutora em Artes Visuais pelo PPGAV/EBA/UFRJ. Docente do Departamento de Comunicação Visual daEBA/UFRJ. Curso de Desenho Industrial.
2
BRAGA, Isis.
O caso da Denison
: mutações recentes no campo da comunicação visual. Dissertação demestrado, Programa de Pós-Graduação da Escola de Belas Artes/UFRJ, Rio de Janeiro, 1998.
3
Aloisio Magalhães:
 A Herança do olhar
. A edição desse belíssimo livro muito deve a Clarice Magalhães e aSolange Magalhães, pelo seu empenho em disponibilizar materiais, acervo e fotos de Aloisio Magalhães.
 
Devo confessar que não me foi dado o privilégio de conviver com Aloisio Magalhães, masconhecia alguns dos seus trabalhos e, à medida que me aprofundava no estudo das faces culturaisdo design no Brasil percebi o quanto se tornava oportuno um estudo mais aprofundado de suaatuação . Na verdade, falar de design no Brasil é falar de Aloísio Magalhães (Recife, 1927 - Pádua-Itália
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, 1982). E mais: todo o designer gráfico fundador dessa área, e posterior a ele, teve a suainfluência; a maioria das logomarcas, produzidas pessoalmente, ou por seu escritório de design, sãousadas até hoje; algumas modificações gráficas e plásticas foram tentadas e resultaram emenfraquecimento do legado deixado por Aloisio Magalhães. Seu trabalho é impregnado de idéiastão fortes que inviabilizam qualquer modificação.Criador de formas, artista plástico, incentivador e produtor cultural, homem público, primeiroSecretário de Cultura do Brasil, Aloísio Magalhães mostrou-se uma personalidade polimorfa masque, curiosamente, contém uma unidade coerente, como se verá ao longo dessa minha pesquisa. Éisso que chama a atenção, nas formas pelas quais o seu talento, a sua capacidade criadora, a suamaneira de ser, o seu tato com as pessoas e a sua liderança, se manifestam.Procurei, portanto, mostrar o que é contido no título da minha tese que, a cada passo que eudava, se desvelava e levava até Aloisio Magalhães que, atuando em várias frentes, procuravasempre uma identidade brasileira para esse seu design que influenciou e continua a influenciar umagrande quantidade de designers brasileiro
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. Curiosamente, Aloisio voltou-se em direção ao fazer simples, para as bases do bom artesanato, instigando designers a voltarem-se para aspectos dacultura brasileira no que lhe é mais peculiar, ou seja a sua pluralidade. No seu trato comcolaboradores, amigos ou clientes, mostrou-se fidalgo, incentivador, companheiro, e principalmente possuidor de grande capacidade gregária, que via em todos e em cada um que dele se aproximavaum possível amigo.É evidente que todas essas afirmativas não são resultantes de minhas vivências - pois não oconheci pessoalmente, mas pude chegar a essas observações de uma maneira invertida. E qual éessa maneira? Para organizar os assuntos que compõem os tópicos por mim elaborados visando dar uma forma acadêmica a esse estudo fui levada, em primeiro lugar, a redesenhar a rede de relaçõescom a qual Aloisio Magalhães teceu a sua vida pessoal, social e política. Nela experimentei maisclaramente a sensação de ter o biografado mais vivo, mais próximo, tornando viável redigir uma biografia na forma sugerida por Franco Ferrarotti, que a propõe construída como interação. Istoquer dizer que "a biografia sociológica não é unicamente uma narração de experiências vividas, elaé, igualmente, uma "micro-relação" social. (FERRAROTTI, 1981, 52)Mas o interesse primordial do
récit 
, ou melhor da narrativa, é o que ela constrói, como é atrajetória (BOURDIEU, 1998, 183) e o que orienta a série de relações objetivas que aparecem comounificadoras dos estados sucessivos do campo no qual ela se desenrolou. São esses os pressupostosque justificaram transformar um procedimento usual no âmbito da pesquisa de campo, a entrevista,dando-lhe forma de depoimento. Para isso retirei a minha questão e arrumei as entrevistas demaneira à torná-las relatos que se interligavam coerentemente, tomando como modelo Oscar Lewis,que assim procedeu para organizar o seu magistral relato sobre uma família mexicana por eleestudada Ele assim justifica essa forma de proceder:
Ao preparar a publicação das entrevistas eu eliminei minhas perguntas e escolhi, arranjei e organizeios materiais para fazer deles
récits
coerentes. Se nós partilharmos a opinião de Henry James segundoa qual a vida é toda inclusão e confusão enquanto que a arte é discriminação e seleção, bom, estes
récits
pertencem ao mesmo tempo à arte e à vida. Eu creio que isso não diminui em nada aautenticidade dos dados nem o seu interesse para a ciência. Para os meus colegas que estivereminteressados nos materiais brutos, eu mantenho as fitas gravadas à sua disposição. (LEWIS, 1972, 25)
 
4
Ele fora participar de um congresso de Ministros da Cultura da América Latina promovido pela UNESCO(
United Nations Educational, Scientific and Cultural Organizatin
- Organização das Nações Unidas para aEducação, Ciência e Cultura) em Veneza, e foi levado ãs pressas para um hospital especializado em Pádua.No momento e mque sofreu o derrame Aloisio dirigia o congresso, eleito por seus pares.
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Como colaboradores de Aloisio Magalhães, foram relacionados cerca de 100 (cem) pessoas. Cf. SOUZALeite, João e TABORDA, Felipe.
Aloisio Magalhães, a herança do olhar
(2003, 276) a consultoria foi de suaviúva, Solange Magalhães e de sua filha Clarice Magalhães.
 
Devo dizer que apresentei a cada um dos entrevistados uma única pergunta: "Como foi o seurelacionamento com Aloisio Magalhães?" querendo com isso obter o retrato fiel do relacionamentoque tiveram com ele. Em outras palavras, queria que os entrevistados "contassem tudo que sabiamsobre Aloisio". No entanto, a força da emoção, da sensibilidade, contida no que ouvia, não eramuitas vezes, passível de ser mostrada em palavras.O trabalho de campo, para mim apresentado desde a minha pesquisa sobre a DenisonPropaganda, para a elaboração da dissertação de mestrado foi, para mim, um verdadeiro "rito deiniciação", isto é, me proporcionou buscar o outro, ao mesmo tempo tempo que me proporcionavadesfazer o estranhamento do desconhecido e passar a me conhecer melhor. Quando passei a estudar a figura de Aloisio Magalhães, esse fato se repetiu, isto é, sentia-me como tendo transposto essesritos de passagem e me tornava, ao longo das entrevistas, familiarizada com o assunto. Estava pois,no meu entender, pronta para empreender essa pesquisa cujo objeto muito me interessava.Logicamente achei que deveria começar pela pessoa que foi mais próxima dele, a sua viúvaSolange Magalhães. A ela e a sua filha Clarice devo inúmeros agradecimentos pela acolhida e pelosmuitos subsídios e orientações sobre quem procurar e endereços de pessoas que com eleconviveram, além de reproduções iconográficas de obras suas. Estas entrevistas foram realizadas noRio de Janeiro, como também a entrevista com Anna Letycia, gravadora, amiga e sócia na GravuraBrasileira/GB, galeria especializada em obras sobre papel, e as demais entrevistas feitas no Rio, queforam muitas. Fui ‘a Pernambuco em busca se sua juventude e seus estudos. Descobri um Aloísioentusiasta, empreendedor e muitos amigos e sua família ali representada pelo irmão Ageu deMagalhães. Mas eu buscava o designer e fui encontra-lo em depoimentos de seus aluos na ESDI ecolaboradores no Escritório de Design.Este constituiu o segundo bloco de entrevistas, quando entrevistei Alexandre Wollner eGustavo Goebel Weyne, pioneiros que falaram sobre a criação da ESDI, Leonardo Visconti,Joaquim Redig de Campos, Sérgio Andrade, Roberto Verschleisser, Alberto Ferreira de Freitas,Arísio Rabin, João de Souza Leite, Rafael Rodrigues, Nair de Paula Soares, Washington DiasLessa, que foram seus alunos e alguns colaboradores mais tarde; eles estão relacionados no segundo bloco de depoimentos, assim como Freddy van Camp, atual diretor da ESDI e Pedro Luiz Pereira deSouza, ex-diretor; finalmente consegui entrevistar o designer Gui Bonsiepe, ex-aluno da HfG-ULM(
 Hochschule für Gestaltung 
- Alemanha)
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, e seu colega de estudos Alexandre Wollner, queconviveram com Aloisio quando professores de design da ESDI. Essas entrevistas com os designerscariocas que com ele fundaram a ESDI, foram seus alunos ou trabalharam em seu escritório, muitome esclareceram através de depoimentos concisos e claros e me ajudaram a compor o perfil dessedesigner brasileiro.
 
Seus alunos na ESDI dele falaram com emoção e admiração. Seus amigos,como o professor e designer Gustavo Goebel Weyne, com muito carinho. Todos são unânimes emdeclarar que o escritório funcionava como uma subsidiária da ESDI, como enfatizaram os designersJoaquim Redig de Campos e Washington Dias Lessa.Considero essas entrevistas as fontes mais decisivas para os meus propósitos de pesquisa, pois só depois que começei a entrevistar as pessoas que com ele conviveram, a sua figura dedesigner realmente tomou forma concreta e se delineou para mim em toda a sua verdadeiragrandeza, pois até então a frieza dos periódicos e livros não me levara a alcançar a estatura éticadesse homem. No direcionamento dessas entrevistas e na compreensão de sua importância foram-meespecialmente úteis os textos de Franco Ferrarotti em seu livro "
 Histoire et histoires de vie: lamethode biografique dans les sciences sociales
" assim como os ensinamentos de Max Weber emseus livros "Ensaios de sociologia" (1982) e "Metodologia das ciências sociais" (WEB, 2001) parachegar a uma interpretação dos depoimentos conseguidos.Marieta de Moraes Ferreira, autora de literatura especializada em metodologia de pesquisa,enfatiza (1994, 9), que
O uso de entrevistas orais como fonte para pesquisas já era procedimento até certo ponto correnteentre cientistas sociais, mas antes não havia a preocupação de, a partir da relação entre depoente e
 
6
Escola Superior de Forma

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