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Abastecimento de águas da cidade
. Datam de 1890, os primeiros estudos para adistribuição de águas potáveis para abastecimento da cidade, mas, apesar da CâmaraMunicipal ter resolvido em sessão de 9 de Julho de 1891 abrir concurso para a execuçãodas obras precisas para se conseguir esse abastecimento, só muito mais tarde, e depois denovos e aturados estudos, é que apareceram arrematadores para tais obras, as quaisinfelizmente não estão ainda concluídas.Em 22 de Maio de 1900, comprometeu-se Luiz da Rocha Machado, por uma proposta apresentada à Câmara nos termos dum anúncio datado de 8 de Fevereiro, arealizar todas as obras precisas para abastecimento de águas potáveis e canalização deesgotos da cidade do Funchal, pela importância de réis 359:ooo$ooo, e, em 16 de Junhoseguinte, eram-lhe adjudicadas as mesmas obras, sendo a escritura de adjudicaçãoassinada no dia 25.O decreto de 14 de Agosto de 1900 aprovou todas as cláusulas do contratocelebrado com Luiz da Rocha Machado, à excepção da que estabelecia que o fornecedor de águas às embarcações seria o adjudicatário, o que deu motivo a que este, julgando-selesado nos seus interesses, pedisse a rescisão do mesmo contrato, a qual lhe foi concedida pela Câmara antes da execução de quaisquer trabalhos.A pesar deste contratempo, a Câmara não desistiu de dotar o Funchal com ummelhoramento que era exigido pela higiene e pelas conveniências públicas, e, em 19 deJulho de 1908, resolvia contrair com a Caixa Geral dos Depósitos um empréstimo de 400contos, ao juro de 5%,destinado às obras em projecto, devendo a importância desteempréstimo ser entregue ao Município em prestações de 50 contos, à medida que ostrabalhos o exigissem. Metade da referida quantia de 400 contos e os respectivos jurosficariam à conta do Estado, e a outra metade à conta da Junta Geral, tudo deconformidade com o despacho ministerial de 25 de Janeiro de 1906 e a deliberaçãotomada pela mesma Junta em sessão de 4 de Julho de 1908.O contrato celebrado entre a Câmara e a Caixa Geral dos Depósitos para aconcessão do referido empréstimo tem a data de 22 de Agosto de 1908, e, em 17 deOutubro seguinte, abria-se concurso para a execução das obras de captação das águas dasnascentes dos Tornos, e sua canalização até um reservatório a construir no sítio doCaminho dos Saltos, sendo a base da licitação a quantia de 32:030$000 réis.Tendo-se comprometido os dois concorrentes, Luiz da Rocha Machado e JoãoAlbino Rodrigues de Sousa, em sessão camarária de 22 de Dezembro de 1308, a executar os referidos trabalhos pela quantia de 24:380$000, foi lhes adjudicada a empreitada por termo lavrado na secretaria da Câmara em 23 de Janeiro do ano seguinte.As obras ficaram concluídas em 22 de Outubro de I910, e, em 22 de Novembro de19ll, mandou a Câmara abrir concurso para a execução completa de todas as obras deabastecimento de águas potáveis e canalização de esgotos da cidade do Funchal,estabelecendo como base de licitação a quantia de 263:460$00 réis.Tendo ficado deserto este concurso, dois outros foram abertos ainda, em quefigurou como nova base de licitação a quantia de 276:633$00 réis, sendo a empreitadaentregue finalmente a João Pinto Correia em 21 de Outubro de 1912, o qual secomprometera a executar todas as obras por 316:000$000 réis.
 
A Comissão Distrital não aprovou esta adjudicação de sorte que, em 14 de Junhode 1913, anunciava a Câmara que mais uma vez se achava aberto concurso público para aexecução das mencionadas obras, vindo a empreitada a ser arrematada pela firmacomercial Luiz da Rocha Machado & Cª em 26 de Julho do mesmo ano, a qual haviaoferecido um lanço inferior em 24:650$000 réis à base da licitação. Era esta de323:500$000 réis, sendo 161:400$000 réis para as obras de abastecimento de águas, e162:100$000 réis para as de canalização de esgotos.A deliberação camarária que entregou a empreitada à referida firma foiconfirmada pela Comissão Distrital em 8 de Agosto de 1913, e, em 23 do mesmo mês eano, celebrava-se o contrato de adjudicação, o qual sofreu mais tarde as modificaçõesconstantes do termo lavrado em 22 de Setembro de 1914.Por várias vezes, procurou a Comissão Administrativa da Levada de Santa Luziacriar obstáculos ao aproveitamento das águas dos Tornos para o abastecimento da cidade,mas, por fim, conseguiu a Câmara Municipal chegar a um acordo com ela, celebrando-seem 3 de Julho de 1912 uma escritura, pela qual era reconhecido à Municipalidade odireito de captar nas mesmas nascentes, e para o mencionado fim, o fluxo continuo de 18litros de água por segundo. Esta escritura, pela qual a Câmara fez também algumasconcessões à referida levada, foi publicada nos nºs 11:291, 11:292 e 11.293 do jornalfunchalense Diário de Notícias. Habilitada a Câmara com os meios e recursos precisos para dotar a cidade com águas potáveis e uma boa rede de esgotos, parecia impossívelque podessem surgir quaisquer obstáculos à realização de tão importante melhoramento,sobretudo depois da adjudicação dos trabalhos. Não contavam, porém, nem a Câmaranem o público com a guerra europeia, que havia de fazer subir de uma formaextraordinária o preço dos materiais de construção e tornar impossível a execução dasobras nas condições da adjudicação.Em 29 de Novembro de 1916, deferiu a Câmara um requerimento do empreiteirodatado de 20 do mesmo mês, em que era pedida a rescisão do contrato celebrado para oabastecimento de águas e canalização de esgotos do Funchal, e, em 25 de Julho do anoimediato, recebia o mesmo empreiteiro a quantia de 80:029$468 réis, por saldo do preçodos trabalhos que havia executado. Antes disso, tinha ele recebido 20:814$918 réis em 22de Abril de 19l5, e 8:041$805 réis em 8 de Abril de 1916, sendo portanto de108:886$191 réis a importância total que Ihe foi paga pela Câmara.Há canos para água e esgotos assentes pelo empreiteiro na Avenida Manuel deArriaga e R. da Imperatriz, e canos só para esgotos na R. das Hortas, desde a Avenida deJoão de Deus até a Avenida de Pedro José de Ornelas, etc.. Além destas canalizações,recebeu a Câmara por ocasião da rescisão do contrato, diversos maquinismos,ferramentas, utensílios e materiais, realizando mais tarde, e já por sua conta, a mudançados tubos de condução de águas desde os Saltos até o Torreão, e desde este último localaté à fonte do Colégio.Como se vê do que fica exposto, muito há ainda a fazer para dotar o Funchal com boa água potável e um moderno sistema de esgotos. Tendo desaparecido, porém, os principais obstáculos que se opunham ao prosseguimento das obras, visto estar acabada aguerra europeia, licito é esperar que estas recomecem dentro em pouco, como se tornaindispensável para robustecer os créditos duma cidade visitada por estrangeiros, e cujoclima tem merecido as mais elogiosas referências da parte de muitos médicos distintos.A 18 de Março de 1929, resolveu a Comissão Administrativa da Câmara
 
Municipal do Funchal que o seu presidente, capitão Francisco Silvestre Varela, fosse aLisboa tratar junto do governo central de vários assuntos que bastante interessavam aomunicípio e muito particularmente aos trabalhos do saneamento da cidade, sendo a 14 deJunho daquele ano publicado o decreto nº I6.956, que autorizou a Câmara a contrair naCaixa Geral dos Depósitos o empréstimo de sete mil contos, destinados exclusivamente àrealização desses trabalhos.A 3 de Novembro de 1931, foi o engenheiro Rodrigo Guimarães encarregado deactualizar o projecto de abastecimento de água potável elaborado pelos engenheiros JoãoVon-Hafe e Adriano Trigo, e, a 19 de Janeiro de 1932, deu-se de arrematação oassentamento da canalização de águas na zona baixa da cidade, limitada ao sul pelo mar eao norte pela curva de nível à cota de 60 metros, pela importância de 209.250$00escudos, sendo iniciadas estas obras no mês de Fevereiro de 1932 e concluídas no dia 3de Novembro de 1933. Na sessão camarária de 13 de Novembro de 1932, foram criados os ServiçosMunicipalizados, competindo-lhes particularmente superintender nos trabalhos dosaneamento e da distribuição domiciliária das águas potáveis. Tendo duas vezes ficadodeserto o concurso para a adjudicação das obras de canalização nas zonas média e alta dacidade, tomaram os Serviços Municipalizados o encargo da realização desses trabalhos,orçados na importância de 552:259$00 escudos, «achando-se ainda por concluir um pequeno troço alimentado por um sifão a construir na ribeira de Santa Luzia», e havendo-se lançado já uma tubagem na extensão de 3.700 metros.Impunha-se a imediata construção dum grande reservatório de betão na Levada deSanta Luzia, com a capacidade de 7.000 metros cúbicos, o qual foi adjudicado pelaquantia de 753.640$00 escudos, fazendo-se a sua inauguração no dia 27 de Maio de1934, com aparatosa solenidade.
Abreu
. A primeira pessoa que nesta ilha parece ter usado este apelido, foi Brites ouBeatriz de Abreu, filha de Rui de Abreu, alcaide-mor de Elvas, a qual casou com JoãoFernandes do Arco, assim chamado por possuir muitas terras de sesmaria no Arco daCalheta e de quem falaremos em artigo especial. Os seus filhos tomaram o apelido damãe e alguns deles distinguiram-se na Africa e na Índia. Entre as filhas, contam-se acelebrada Isabel de Abreu (V. este nome) e Águeda de Abreu, mulher de João Esmeraldo,o possuidor da Lombada da Ponta do Sol. A esta família, pertence António de Abreu, odescobridor das Molucas. (V. este nome).
Abreu (Aleixo de)
. Era filho de João Fernandes de Andrade do Arco. (V. Andrade). DizHenriques de Noronha que «foi muito grande soldado em África e na Índia, e indo para odito estado foi capitão duma nau que se perdeu no mar onde morreu».
Abreu (Aleixo de)
. Aleixo de Abreu, ou Aleixo de Abreu de Melo, era neto do anterior efilho de António de Abreu. Dele, apenas sabemos que era doutor em medicina e que foichamado para exercer na corte de Espanha o importante cargo de médico de Filipe III.
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