O Primeiro de Janeiro
21 de Janeiro de 2008
Primeiro trabalho histórico sobre Amílcar Cabral apresentado em Portugal
O Homem que fez história
Julião Sousa foi não só o primeiro guineense a doutorar-se na Universidade de Coimbra, como também apresentou o primeiro trabalho histórico sobre Amílcar Cabral e a sua influência no processo de independência da Guiné e Cabo Verde. O Homem que fez história.
Paula Alexandra AlmeidaSe é bem verdade que um homem só nunca fez ahistória, é também verdade, argumenta JuliãoSousa, que “pode ter um papel directo e influentenela por intermédia da sua acção e habilidade”. Esteé sem dúvida o caso de Amílcar Cabral, mesmoapesar de, nas vésperas do seu assassinato, terrecusado a figura de herói, “para se colocar noquase sempre difícil e não menos importante papel de intérprete das aspirações dasmassas”.Para Amílcar Cabral, afirma Julião Sousa, “o facto de ter liderado a luta pelaindependência de dois territórios – Guiné e Cabo Verde – não lhe dava direito a figurarno panteão dos heróis”. Antes pelo contrário. “Se há um herói no meu país – afirmavaCabral nas vésperas do seu assassinato – é o nosso povo. E nós estamos decididos aexpressar os sentimentos, as aspirações do nosso povo”.A análise desta perspectiva de intérprete das aspirações das massas é precisamentea da tese defendida este mês na Universidade de Coimbra por Julião Sousa. Isto é,explica, “propus-me estudar Amílcar Cabral não como um herói da história, “super-herói”, “homi grandi” [grande homem] ou “homem providencial”, mas como um serhumano normal, pensante e prático, integrado no seu tempo e projectado no futuro”.Um homem a quem cabe perfeitamente a expressão de Jean Davignaud “ancêtre del’avenir” [antepassado do futuro].De “português” a “africano”A tese de Julião Sousa revela como, numa primeira fase da sua vida, Amílcar Cabralassimilou toda uma política colonialista portuguesa, chegando mesmo a considerar-se“português”, e mais tarde, já numa fase universitária em Portugal, começa umpercurso de vida que o faz regressar às origens.O historiador procurou compreender “o percurso e a formação de Amílcar Cabralantes de enveredar pela via revolucionária”, tentando perceber também quais asinfluências na sua formação intelectual e política.
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