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Educação Liberal (Artigos Aristoi e Dez Princípios Conservadores de Russell Kirk)

Educação Liberal (Artigos Aristoi e Dez Princípios Conservadores de Russell Kirk)

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Published by Thiago Capanema
O Trabalho de Isaías, Albert Jay Nock

Uma educação para as coisas permanentes, Lucas Mafaldo

O propósito conservador de uma educação liberal, Russel Kirk

A Educação Clássica dos Fundadores dos Estados Unidos, Martin Cothran

Dez Princípios Conservadores, Russel Kirk (Trad. Pe. Paulo Ricardo)
O Trabalho de Isaías, Albert Jay Nock

Uma educação para as coisas permanentes, Lucas Mafaldo

O propósito conservador de uma educação liberal, Russel Kirk

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Dez Princípios Conservadores, Russel Kirk (Trad. Pe. Paulo Ricardo)

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05/14/2014

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O Trabalho de Isaías
I
Numa tarde do último outono, sentei por longas horas com um conhecido europeu,enquanto ele expunha uma doutrina político-econômica que parecia ser sólida comouma noz e na qual eu não conseguia achar defeito algum. Por fim ele me disse, commuita gravidade: "Eu tenho uma missão para com as massas. Sinto que sou chamadopara ser ouvido pelo povo. Devotarei o resto de minha vida a espalhar amplamenteminha doutrina entre a população. O que você acha?"Esta é, em qualquer caso, uma pergunta desconfortável, e mais ainda nessascircunstâncias, por que meu conhecido é um homem muito culto, uma das três ouquatro mentes de primeira classe que a Europa produziu em sua geração; enaturalmente eu, sendo um dos incultos, estava disposto a considerar a menor desuas palavras com uma reverência beirando o temor. Ainda assim, eu pensei, nemmesmo a melhor das mentes pode saber tudo, e eu estava certo de que ele nãotivera as mesmas oportunidades que eu para observar as massas da humanidade, eque, portanto, eu as conhecia melhor do que ele. Então, juntei coragem para dizerque esta não era sua missão. E que fazia bem em tirar essa idéia da cabeça de umavez; ele descobriria que as massas não dariam a mínima para sua doutrina, e menosainda para ele mesmo, já que em tais circunstâncias o favorito do povo é geralmentealgum Barrabás. Eu cheguei até mesmo a dizer (ele é judeu) que a sua idéia pareciamostrar que não estava bem inteirado da literatura de seu povo. Ele sorriu da minhapilhéria, e perguntou o que eu queria dizer com ela; então, me referi à história doprofeta Isaías.Me ocorrera então que esta história valia a pena ser recordada, agora quando tantoshomens sábios e adivinhos parecem carregar o fardo de uma mensagem para asmassas. Dr. Townsend tem uma mensagem, Padre Coughlin outra, Upton Sinclair,Lippmann, Chase e a sociedade para uma economia planificada, Tugwell e os NewDealers, Smith e a liga da Liberdade – a lista não tem fim. Não consigo lembrar deuma época em que tantos endemoninhados diferentes pregavam a Palavra àsmultidões e lhes diziam o que fazer para serem salvas. Sendo assim, me ocorreu,como eu dizia, que a história de Isaías deve ter algo que firme e concilie o espíritohumano, até que esta tirania verborrágica esteja ultrapassada. Parafrasearei a
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história em linguagem comum, já que suas partes devem ser colhidas de váriasfontes; e dado que respeitáveis eruditos acharam apropriado publicar uma versãointeiramente nova da Bíblia no vernáculo americano, me abrigarei atrás deles, senecessário, contra a acusação de estar lidando irreverentemente com as SagradasEscrituras.A carreira do profeta teve início no fim do reinado de Ezequias, por volta de 740 a.C.Este reinado foi anormalmente longo, de quase meio século, e indubitavelmentepróspero. Foi um daqueles reinados prósperos, entretanto – como o de Marco Aurélioem Roma, ou a administração de Eubulus em Atenas, ou a de Coolidge emWashington – onde no fim a prosperidade subitamente se esfarela e desmorona, comum retumbante estrondo.No ano da morte de Ezequias, o Senhor incumbiu o profeta de ir avisar o povo docastigo iminente. "Diga-lhes que bando de inúteis eles são." Disse Ele, "Conte-lhes oque está errado, por que e o quê vai acontecer a menos que reformem seus coraçõese se endireitem. Não use de meias palavras. Deixe claro que esta é irrecorrivelmentea última chance. Mande ver sem piedade, e continue mandando ver. Suponho que Eutalvez deva lhe dizer," Ele continuou, "que não vai adiantar nada. A classe oficial e aintelligentsia vão te desprezar, e as massas sequer te ouvirão. Eles continuarão emseus caminhos até que consigam destruir tudo, e considere-se com sorte se você sairdessa com vida."Isaías estivera bastante disposto a assumir a missão – na verdade, ele pedira por ela– mas essa perspectiva deu novos contornos à situação. Levantou a evidentequestão: Por que, se era assim – se a empreitada era destinada, de início, ao fracasso– havia qualquer sentido em empreendê-la? "Ah," disse o Senhor, "você não entende.Há Remanescentes por lá dos quais você nada sabe. Eles são obscuros,desorganizados, inarticulados, cada um se virando como pode. Eles precisam serencorajados e reforçados, porque quando tudo tiver ido por água abaixo, serão eles aretornar e construir uma nova sociedade; e entrementes, sua pregação osreassegurará e os manterá de pé. Seu trabalho é cuidar dos Remanescentes, entãová logo e comece a agir."
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Claramente, portanto, se a palavra do Senhor vale para alguma coisa – não opinareisobre isto – os únicos elementos na sociedade judaica dignos de serem incomodadoseram os Remanescentes. Isaías parece ter finalmente entendido que este era o caso;que nada se esperasse das massas, mas se houvesse qualquer coisa de substancial aser feita na Judéia, os Remanescentes seriam os encarregados. Esta é uma idéiamuito impressionante e sugestiva; mas antes de explorá-la mais a fundo, precisamosser perfeitamente claros sobre nossos termos. O que queremos dizer com "asmassas", e o que com "os Remanescentes"?Da maneira em que é comumente utilizada, a palavra massas sugere aglomeraçõesde pessoas pobres e desprivilegiadas, pessoas trabalhadoras, proletários - e não querdizer nada disso; quer dizer, simplesmente, a maioria. O homem-massa é um quenão tem a força de intelecto para apreender os princípios que ser revelam naquiloque conhecemos como vida humana, nem a força de caráter para aderir àquelesprincípios firme e estritamente como leis de conduta; e porque tais pessoas perfazema imensa e esmagadora maioria da humanidade, elas são chamadas coletivamentede as massas. A linha que separa as massas e os Remanescentes é traçadainvariavelmente pela qualidade, e não pelas circunstâncias. Os Remanescentes sãoaqueles que por força do intelecto são capazes de apreender tais princípios, e porforça do caráter, capazes, ao menos significativamente, de se apegarem a eles. Asmassas são aqueles incapazes de ambas as coisas.O retrato que Isaías nos apresenta das massas judaicas é deveras desfavorável. Emsua perspectiva, o homem-massa – seja ele do topo ou da base da sociedade, rico oupobre, príncipe ou mendigo – se sai muito mal. Ele aparece não apenas como tolo eirresoluto, mas conseqüentemente velhaco, arrogante, avaro, dissoluto,inescrupuloso e sem princípios. A mulher-massa não se sai melhor, participando detodas as qualidades inconvenientes do homem-masssa, e contribuindo com algumasoutras, como vaidade e preguiça, extravagância e fraqueza. A lista de produtos deluxo que ela consumiu é interessante; lembra-se da página feminina de um jornal deDomingo em 1928, ou da exibição em algum de nossos periódicos manifestamente"modernos". Noutro lugar, Isaías relembra as afetações que conhecíamos pelo nomede "andar melindroso" e o "debutante slouch", andar descuidado. Talvez seja bomdar um certo desconto à verve de Isaías, dado o seu fervor profético; afinal, já quesua missão não era converter as massas, e sim revigorar e tranqüilizar osRemanescentes, ele provavelmente sentiu que podia exagerar indiscriminadamente,
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