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As Aflições dos Homens e as Consolações de Deus (O problema da Santa Missa), Gustavo Corção

As Aflições dos Homens e as Consolações de Deus (O problema da Santa Missa), Gustavo Corção

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Published by Thiago Capanema
Aula de Gustavo Corção (06/10/1975)
Aula de Gustavo Corção (06/10/1975)

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05/14/2014

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AS AFLIÇÕES DOS HOMENS E ASCONSOLAÇÕES DE DEUS
 
AULA DE GUSTAVO CORÇÃO (06/10/1975)Hoje, vou falar a propósito de um tema sobre o qual escrevi ultimamenteem um artigo, o problema da Santa Missa e do Pontificado — doisproblemas interligados[v.texto anexo].Em torno da codificação da Missa pelo grande Papa Pio V, especialmente daBula chamada
Quo Primum
, fez-se um grande ruído em toda a Europarecentemente, quando as vozes católicas se levantaram em sinal de justaindignação contra a mutilação feita na liturgia pelos padres conciliares —padres convocados para fazer um concílio que não houve. Não houveconcílio porque eles quiseram que fosse diferente de todos os demais — equem quiser fazer uma coisa na Igreja diferente de todas as outras, omelhor a fazer é arranjar de ser excomungado, porque aí fica logo diferentede tudo que é católico. Os bispos declararam, primeiro, que esse concílioseria diferente de todos os outros — o que já o desqualifica como católico —e segundo, que seria essencialmente pastoral, o que, no tempo, nós todosengolimos, mas hoje, com reflexão, vemos que é uma afirmação estranha,pois todos os concílios são pastorais, no sentido de que uma reunião depastores tem de ser pastoral. Senão, que há de ser? No entanto, para sedizer que esse concílio era essencialmente, unicamente, pastoral,deformaram o sentido da palavra "pastoral".A teologia pastoral está fundamentada em um dos evangelhos maistrágicos, marcado pela intolerância da Santa Igreja em face do mal, e peladisposição do pastor em dar a vida em defesa do bem e em oposição aomal: “Eu sou o Bom Pastor”. Quem, dentro da Igreja, não amaapaixonadamente o bem e não odeia apaixonadamente o mal, não é dignodo Reino de Deus. Fica bem marcado o sinal católico: amar o bem e odiar omal. E o pastor que não amar o bem e não odiar o mal,
não é bom pastor
,e o pastor que não estiver disposto a dar a vida por suas ovelhas tambémnão é. Ora, a antiga definição de pastoral é aquele zelo pelo qual o pastor sedispõe a lutar pela sã doutrina, a lutar pelos costumes, a lutar pela fé até osangue, a estar pronto para dar a vida pelas almas indefesas. Pastoral,portanto, era termo alto que significava a santa intransigência da Igreja, adisposição de dar até o sangue para não transigir. No entanto, não apenasmudaram-lhe o sentido desta palavra, mas passaram até a pronunciá-la demodo diferente.1
 
Houve, nisto que hoje ocorre na Igreja, vários fenômenos paralelos ligados àquestão de linguagem: primeiro, uma modificação do léxico católico. Oscatólicos, no concílio e fora dele, passaram a usar palavras que não eram doléxico católico; segundo, uma semântica feita sem o menor respeito pelosignificado das palavras, uma mudança do sentido das palavras; terceiro,uma mudança também fonética: neste concílio, a palavra “pastoral” tinhade ser dita, não sei por quê, assim: “PASTORAAAL!” Eu vi isto em minhacasa diversas vezes, e não sabia por que o padre, cuja situação emocionalnão saberia exprimir sem ser em termos um pouco impróprios, por que elefazia aquelas caretas para dizer esta palavra austera: Pastoral. “Ah! Tãopastoraaal!” Assim também, por exemplo, a palavra moço. Todo mundosabe o que é um moço: o moço é essencialmente um homem que ainda nãosabe direito o que ele é. Se hoje me entrevistassem sobre o que é o moço —eu perdi esta oportunidade, mas aproveitarei logo que houver a ocasião —eu diria como Euclides da Cunha, “o moço é antes de tudo uma besta!”Alguns, com o tempo e o correr dos dias, escaparão desta condição e setornarão homens razoáveis e até ilustres, e até, quem sabe, admiráveis,mas a maioria perseverará — esta é a condição humana. Agora deixou dese dizer do moço o que o moço é, e passou a chamar-lhe de jovem, termoque nem na linguagem portuguesa nem na brasileira era usual. Em meutempo dizia-se moço. Posso ter corrido outros riscos em minha vida, maseste jamais corri: jovem jamais fui, sobretudo “Jooovem!”Eu não diria, entretanto, que foi propriamente o concílio, especificamente,marcadamente, a causa disto tudo. O concílio já foi, por sua vez, um efeitode uma causa anterior. Veio de mais longe — estamos cansados de falaraqui — de um desvio grave que ocorreu quando começou o Humanismo adisputar lugar ao Cristianismo. Nesse tempo começou a crise a trabalhardentro da Igreja. Eu diria até que o Humanismo Renascentista é, em si, umfenômeno histórico mais significativo, mais grave, mais profundo e maisperverso do que a Reforma de Lutero. Só hoje sabemos disto, a duras penasaprendemos, e por isto temos de estar sempre fazendo revisões. Masdevemos estar vigilantes porque o diabo está usando todos os recursos.Estes exemplos são ilustrativos: ele usa a fonética, a semântica... os desviosteológicos ele até está usando pouco, porque hoje em dia ninguém maisestuda teologia.
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Ora, este artigo que escrevi ultimamente para a PERMANÊNCIA visa advertirpara dois graves e importantíssimos problemas da nossa vida religiosa. Eume lembro de ter começado o artigo com uma palavra de Santo Agostinho,lembrando que “A Igreja peregrina na terra entre as aflições dos homens eas consolações de Deus”. As aflições dos homens que atingem os membros2
 
da Igreja são de dois tipos: o primeiro, produzido pelos homens que estãofora da Igreja — pelo mundo. Como sabemos, a Igreja peregrina nestemundo entre três cruéis inimigos[1], sendo um deles o “mundo inimigo” docapítulo XV de S. João. A palavra mundo é equívoca e tem três sentidosdiferentes. Um deles é puramente ontológico: a entidade dos homens quecobrem o planeta, e que Cristo veio salvar. O mundo, neste sentido, é objetode solicitudes de Nosso Senhor, e não tem conotação moral. Noutro sentido,tem a conotação moral de não fazer parte da Igreja, mas de ser algo neutro,superficial, e costuma-se dizer que é mundano o católico mais preocupadocom as coisas deste mundo do que com as coisas da Igreja. Mas este aindanão é o sentido propriamente grave de inimigo da Igreja. Este é o terceirosentido, usado para designar certos movimentos históricos que no mundose armam especificamente contra a Igreja, pretendendo ser anti-Igreja,sendo dirigida por Satanás e/ou por homens a seu serviço para a perdiçãodas almas. Porém, quando Santo Agostinho diz “...entre as aflições doshomens e as consolações de Deus”, refere-se também a aflições do mundoneutro, como, por exemplo, quando temos uma reunião social — há semprealguma pessoa prezada e amada dizendo besteiras contra a Igreja, oucontra sua própria alma e a dos outros. Este é o mundo indiferente que nãosabe o que faz, não sabe o que diz. Mas não é propriamente o "mundoinimigo", do qual, infelizmente hoje fazem parte a maioria dos Bispos ereligiosos, e aqueles que efetivamente militam contra a Igreja Católica.Ainda há um segundo tipo de aflições dos homens, produzidos pelospróprios membros da Igreja; tratam-se daqueles atritos que produzimosentre nós, uns com os outros, quando deveríamos nos amar e trabalhar emsuave e doce concordância a serviço de Deus, mas se interpõe o nossoamor-próprio, produzindo pequenas querelas que sangram o coração e queatrasam a boa causa e o bom serviço, e que, sobretudo, prejudicam o nossovôo para o céu, que deve ser a nossa preocupação principal.As aflições dos homens, então, para nós, são múltiplas, variadíssimas e nosperseguem por toda parte, por mais que nós nos abriguemos aqui dentro efujamos — é sempre recomendável fugir um pouco do mundo. Éinteiramente contra-indicado para uma alma católica se abrir para o mundo,como foi dito a partir do século XX, como, por exemplo, pela espiritualidade,digamos, de Maritain e sua corrente, de todos os ativistas dos anos 30 e doPapa João XXIII, que se escancarou ao mundo um pouco excessivamente.Mostrar interesse pelo mundo, sim, mas interesse segundo aquilo que éessencial, que é a salvação das almas, e não segundo a sociologia e aeconomia. Destes problemas a Igreja pode se desinteressar totalmente quenão estará fugindo de sua missão — foi isso que os papas do século XIX nãoperceberam. Maritain diz que se estava processando um perigosofechamento ao mundo, que se agrava e se torna máximo em 1932. Mas ele3

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