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O Homem Que Sabia Javanes e Outros Contos

O Homem Que Sabia Javanes e Outros Contos

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O homem que sabia Javanês e outros contos, de Lima BarretoFonte:
BARRETO, Lima.
O homem que sabia javanês e outros contos
. Curitiba: Polo Editorial do Paraná, 1997.
Texto proveniente de:
A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro <http://www.bibvirt.futuro.usp.br>A Escola do Futuro da Universidade de São PauloPermitido o uso apenas para fins educacionais.
Texto-base digitalizado por:
Rodrigo Souza, Curitiba - PREste material pode ser redistribuído livremente, desde que não seja alterado, e que as informações acimasejam mantidas. Para maiores informações, escreva para <bibvirt@futuro.usp.br>.Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se você quer ajudarde alguma forma, mande um e-mail para <bibvirt@futuro.usp.br> e saiba como isso é possível.
 
O Homem que sabia Javanês e outros contos
1. O homem que sabia javanês2. Três gênios de secretaria3. O único assassinato de Cazuza4. O número da sepultura5. Manuel Capineiro6. Milagre do Natal7. Quase ela deu o “sim”; mas...8. Foi buscar lã...9. O falso Dom Henrique V10. Eficiência militar11. O pecado12. Um que vendeu sua alma13. Carta de um defunto rico14. Um especialista15. O filho da Gabriela16. A mulher do Anacleto17. O caçador doméstico
 
Lima Barreto
O Homem Que Sabia Javanês
EM UMA confeitaria, certa vez, ao meu amigo Castro, contava eu as partidas que havia pregado àsconvicções e às respeitabilidades, para poder viver.Houve mesmo, uma dada ocasião, quando estive em Manaus, em que fui obrigado a esconder aminha qualidade de bacharel, para mais confiança obter dos clientes, que afluíam ao meu escritório defeiticeiro e adivinho. Contava eu isso.O meu amigo ouvia-me calado, embevecido, gostando daquele meu Gil Blas vivido, até que, em umapausa da conversa, ao esgotarmos os copos, observou a esmo:- Tens levado uma vida bem engraçada, Castelo !- Só assim se pode viver... Isto de uma ocupação única: sair de casa a certas horas, voltar a outras,aborrece, não achas? Não sei como me tenho agüentado lá, no consulado !- Cansa-se; mas, não é disso que me admiro. O que me admira, é que tenhas corrido tantas aventurasaqui, neste Brasil imbecil e burocrático.- Qual! Aqui mesmo, meu caro Castro, se podem arranjar belas páginas de vida. Imagina tu que eu jáfui professor de javanês!- Quando? Aqui, depois que voltaste do consulado?- Não; antes. E, por sinal, fui nomeado cônsul por isso.- Conta lá como foi. Bebes mais cerveja?- Bebo.Mandamos buscar mais outra garrafa, enchemos os copos, e continuei:- Eu tinha chegado havia pouco ao Rio estava literalmente na miséria. Vivia fugido de casa depensão em casa de pensão, sem saber onde e como ganhar dinheiro, quando li no Jornal do Comércio oanuncio seguinte:"Precisa-se de um professor de língua javanesa. Cartas, etc." Ora, disse cá comigo, está ali umacolocação que não terá muitos concorrentes; se eu capiscasse quatro palavras, ia apresentar-me. Saí do café eandei pelas ruas, sempre a imaginar-me professor de javanês, ganhando dinheiro, andando de bonde e semencontros desagradáveis com os "cadáveres". Insensivelmente dirigi-me à Biblioteca Nacional. Não sabia bemque livro iria pedir; mas, entrei, entreguei o chapéu ao porteiro, recebi a senha e subi. Na escada, acudiu-mepedir a
Grande Encyclopédie
, letra J, a fim de consultar o artigo relativo a Java e a língua javanesa. Dito efeito. Fiquei sabendo, ao fim de alguns minutos, que Java era uma grande ilha do arquipélago de Sonda,colônia holandesa, e o javanês, língua aglutinante do grupo maleo-polinésico, possuía uma literatura digna denota e escrita em caracteres derivados do velho alfabeto hindu.A
 Encyclopédie
dava-me indicação de trabalhos sobre a tal língua malaia e não tive dúvidas emconsultar um deles. Copiei o alfabeto, a sua pronunciação figurada e saí. Andei pelas ruas, perambulando emastigando letras. Na minha cabeça dançavam hieróglifos; de quando em quando consultava as minhas notas;

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