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Eng Enh Marinha Civil

Eng Enh Marinha Civil

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04/10/2013

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Óscar N. F. Mota
 
Engº naval e mecânicoA ENGENHARIA DA MARINHA E A SOCIEDADE CIVILPERSPECTIVA HISTÓRICA
All of it depended on improvements in the art of shipbuilding: caravels, longer and sleeker, rather than broad, cargo-bearing cogs; stern rudders; a mix of square and lateen sails; a marriage of Atlantic and Mediterranean techniques. When Dias returned from the southern tip of Africa, he also brought with him ideas that went into the ships (no longer called caravels) used by Vasco da Gama a decade later. Ten years more saw further modifications. Every trip was an experience, an incentive to emendation.
 
David S. Landes – The Wealth and Poverty of Nations (why some are so rich and some so poor) 
 
Sumário
Pretende-se apresentar uma perspectiva histórica da relação entre a engenharia da marinha e a sociedade civil, desde a revolução industrial até aos nossos dias. As grandes mudanças na ciência e na construção naval a partir de meados do século XIX, trouxeram grandes problemas para a nossa Marinha, inserida num país atrasado cultural e socialmente. Daí que a Armada tenha tido necessidade de formar técnicos no estrangeiro que pudessem contribuir para minorar as consequências desse atraso. Tal foi conseguido principalmente pela formação de engenheiros construtores navais no estrangeiro, que fizeram escola no Arsenal de Marinha, constituindo um  pólo de irradiação de conhecimentos técnicos para outros estaleiros navais e para a sociedade civil em geral, que durou cerca de um século. Essa transmissão de conhecimentos não foi, no entanto, confinada ao Arsenal, tendo irradiado através de instituições como a Inspecção de Construção Naval, a Direcção da Marinha Mercante, gabinetes de projecto de vários estaleiros navais e mais tarde na criação do curso de engenharia naval do I.S.T. Um procedimento semelhante teve lugar com outras formas de engenharia, sobretudo no campo das comunicações e electrónica, tendo os técnicos da Marinha – em larga medida formados nas suas escolas -,constituído durante largos decénios o núcleo técnico de instituições do Estado e de empresas civis da especialidade.
1 - INTRODUÇÃO
a) O nosso objectivo 
Por termos ouvido várias vezes, e a última recentemente, que a nossa actual engenharia civil teveorigem na engenharia militar, propusemos que no âmbito deste seminário sobre “A Engenharia naMarinha”, se fizesse uma
o
 
Perspectiva histórica da relação entre a engenharia da marinha e a sociedade civil.A ideia foi aceite, mas foi-nos endossada a tarefa. O que não serve de desculpa para as lacunas quesabemos existirem na exposição.Referir-nos-emos, pois, à engenharia naval em sentido lato, desde meados do século XIX até aos nossosdias. Século e meio em números redondos.
b) A grande mudança 
Assim sendo, e para início, pareceu-nos interessante ir buscar um texto da época, um notabilíssimorelatório de um aspirante a engenheiro (construtor) naval, datado de 1867 [1]
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,
1
Designaremos entre parêntesis rectos as referências, constantes na Bibliografia.
 
EngenhMarinhaCivilRevC Ed. 7Mar10 Impr. 17-Jun-10 1
 
Óscar N. F. Mota
 
Engº naval e mecânico
“Comparando as construções navais desde quase a sua origem até à nossa época, repetimos, que osprogressos foram sempre muito graduais e sucederam-se pouco a pouco com ligeiras modificações,marcando-se a transformação completa da marinha de guerra de 1854 para diante.”“As esquadras dos navios de vela compostas de naus, que representavam o núcleo das forças, e defragatas, que serviam de exploradores pelas suas condições especiais de ligeireza e de bomandamento, figuraram até aos nossos dias.”Explicitando um pouco mais:
o
 
As experiências com máquinas a vapor estendem-se por todo o século XVIII, enquanto os navios deferro começam a aparecer apenas no seu final.
o
 
Depois de alguns decénios de navegação com rodas propulsoras, foi em meados do século XIX que oshélices se impuseram.
o
 
Os navios de guerra mistos (com propulsão mecânica e à vela) tiveram uma vida breve, logo após ovirar do meio centénio
2
. É da mesma época a guerra da Crimeia, que desencadeou o aparecimentodos navios couraçados e o imediato e duradouro duelo entre a artilharia e a couraça, que o torpedoveio rapidamente complicar e que só o míssil encerrou, já na segunda metade do século XX.O ritmo da mudança por meados do século XIX é, pois, alucinante.Antecedendo mas interagindo com o progresso prático, sucediam-se os avanços teóricos da construçãonaval, nos campos da ciência dos materiais, da termodinâmica, da estática e, sobretudo, da dinâmica donavio.Para Portugal, que há muito se afastara da posição dianteira da construção de navios - que já fora sua -,tal significava perder completamente o contacto com as novas tecnologias.Já porque na área militar a fractura científica e técnica era mais directa e grave – pelo menos no curtoe no médio prazo -, já porque só o Estado tinha recursos financeiros e humanos para evitar que o atrasose tornasse catastrófico, a solução para conseguira construir navios modernos em Portugal, foi enviarconstrutores navais da Armada
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ao estrangeiro. O objectivo era aprenderem as novas tecnologias paraas aplicarem entre nós – principalmente na Marinha de Guerra, mas também na de Comércio -, pelomenos na medida em que as nossas carências gerais de conhecimentos e meios financeiros opermitissem.Mas, de imediato, era inevitável que fosse principalmente comprando no estrangeiro que a ArmadaPortuguesa se renovasse [16].
c) A importação de navios 
Para arrumar o assunto da encomenda de navios no estrangeiro, acrescentamos já que os seus surtosdurante o século XX, foram sendo progressivamente menos defensáveis em termos técnicos eindustriais:i.
 
O destaque vai para a notável renovação da frota, com navios adquiridos na Grã-Bretanha, noinício da década de 30 (o programa fora estabelecido no final da 1ª República), com novossubmarinos os navios de turbinas a vapor: avisos e 5 contratorpedeiros (que atingiam 36 nós); 2contra-torpedeiros adicionais, construídos nos estaleiros da CUF em Lisboa, foram exportados.ii.
 
A série francesa, de 3 submarinos e 4 fragatas na década de 60, é justificada sobretudo porrazões de urgência, ligadas ao início da guerra colonial.
2
O mesmo não sucedeu com os navios mercantes. Nos nossos portos, há pouco mais de 50 anos, eram vulgares osiates e palhabotes de cabotagem. Mais recente é ainda o desaparecimento dos belos lugres da pesca do bacalhau. Asua longevidade, no entanto, deveu-se principalmente a atrasos na introdução de novas tecnologias de pesca e deconservação do pescado, o que resultou sobretudo de motivações políticas que se sobrepuseram às forças domercado.
 
3
 
Neste trabalho as expressões Armada Portuguesa, Marinha de Guerra, Armada e Marinha são equivalentes.
 
EngenhMarinhaCivilRevC Ed. 7Mar10 Impr. 17-Jun-10 2
 
Óscar N. F. Mota
 
Engº naval e mecânico
iii.
 
Entre 1969 e 1975 foram encomendadas na Alemanha 6 corvetas e em Espanha 4. Trata-se deum notável projecto do contra – almirante engenheiro construtor naval Rogério de Oliveira. Aprimeira série era destinada principalmente à guerra colonial, mas a segunda, com navios melhorarmados e sofisticados, tinha um campo de acção muito mais vasto. É claro, neste caso, que aMarinha e a indústria nacional não souberam entender-se para a construção destes navios emPortugal, o que estava perfeitamente dentro da nossa capacidade técnica e industrial.iv.
 
As 3 fragatas da classe “Vasco da Gama”, aumentadas ao efectivo em 1991, foram adquiridas naAlemanha; na referência [23] expusemos as nossas objecções quanto às justificações alegadaspara esta decisão, considerando que 2 destes navios deveriam ter sido construídos em Portugal.Estão em jogo questões financeiras e de contrapartidas, demasiado complexas para poderemser aqui tratadas.O acompanhamento destas construções no estrangeiro foi feito, essencialmente, no sentido de garantira sua operacionalidade e manutenção adequadas. Exceptua-se o programa citado em a), devido àconstrução de dois contratorpedeiros no estaleiro da CUF, o que foi um estímulo decisivo para darcontinuidade às novas construções naquele estaleiro.Já no século XXI, a construção de novos submarinos na Alemanha, está ainda em curso. É tarde paraquaisquer providências tendentes à majoração da incorporação nacional, e cedo para conclusões quantoao regime de contrapartidas.Omitimos as referências às aquisições de navios em segunda mão, por nos parecer que tal sai do nossoâmbito.As construções em Portugal serão referidas no decorrer deste trabalho.
d) A complexidade do projecto naval 
Resolvemos incluir este capítulo por duas razões:
o
 
As dificuldades encontradas em Portugal para desenvolver projectos de navios de guerra, nãopodem ser entendidos se não tivermos uma ideia da complexidade do projecto naval;
o
 
A influência dos técnicos da Marinha e do Arsenal foi fundamental e ainda é importante.Na Marinha havia engenheiros de boa qualidade, mas muito poucos. Muitas vezes tinham de apoiar aindústria particular sendo quase impossível, até há pouco tempo, o percurso inverso.Várias construções sofreram atrasos por este facto, não obstante a acção esforçada, até notável, dostécnicos da Inspecção de Construção Naval e do próprio Arsenal.Vejamos um resumo dos conhecimentos necessários, válido para a perspectiva histórica e para naviosrelativamente simples:(a) Os conhecimentos(i)
 
O domínio tradicional dos engenheiros construtores navais:a
 
Requisitos gerais, modo e local de operação, legislação respeitante ao tipo de navio emcausa;b
 
Arquitectura naval (é a ciência fundamental, que faz a ligação com as outras tecnologias) -capacidades, deslocamento, plano geométrico e cálculos associados, arranjo geral, qualidadesnáuticas, compartimentação estanque e estabilidade, limitação de avarias, velocidade e potênciapropulsorac
 
Engenharia de materiais e estruturas;
o
 
Materiais - aço, alumínio, polímeros reforçados com fibras, madeira, tintas
o
 
Estruturas - a viga-navio em mar calmo e em mar ondoso, a resistência local (vigas, painéis,membranas) em diversas condições de carregamento e às acções do mar, a interligaçãoCabendo normalmente aos engenheiros construtores navais a chefia e coordenação dos projectosnavais, devem eles possuir conhecimentos de todas estas matérias, algumas detalhadamente, outras
EngenhMarinhaCivilRevC Ed. 7Mar10 Impr. 17-Jun-10 3

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