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.-.OTIMO -RESUMO - Direito Processual Penal - Aulas de Processo Penal

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DA PRISÃO E DA LIBERDADE PROVISÓRIA1.Introdução
A prisão, em sentido jurídico, é a privação da liberdade de locomoção, ou seja, dodireito de ir e vir, por motivo ilícito ou por ordem legal. Indistintamente essa expressão é utilizada paradenominar o local em que alguém fica segregado, o recolhimento do preso à prisão, a captura, a custódia ea detenção.
2.Justificativa da prisão
A prisão é uma exigência amarga, porém imprescindível. Concebida como umadas formas de apenamento, a prisão é relativamente recente. Sua origem é apontada na penitência dodireito eclesiástico, no final do século XVI. Entretanto, a moderna sistematização dessa espécie de sanção,enquanto punição judiciária, data de fins do século XVIII e início do século passado, com o Código Criminalde 1808 da França. A partir de então passou a ser considerada a pena das sociedades civilizadas.Na verdade, a prisão era utilizada tão-somente como forma instrumentária demanutenção do acusado no distrito da culpa, a fim de assegurar a tramitação do processo e posterior aplicação das saões definitivas, que quase sempre eram muito desumanas, como o oite, oarrastamento, a morte, a empalação e outras. De modo que, na sua origem mais remota a prisão tinhaapenas um caráter provisório e instrumental.
3.Disposições gerais — Arts. 282 a 300
Há duas espécies de prisão completamente distintas. Sebastian Soler definiu
 pena
como a sanção aflitiva imposta pelo Estado, a àquele que praticou a infração penal. Logo,
 pena
éretribuição por parte do Estado.A prisão como cumprimento de pena somente pode ocorrer após o trânsito em julgado de uma sentença penal condenatória. Porquanto, a sentença penal que ainda estiver sujeita arecurso, não pode impor cumprimento de pena.Até o trânsito em julgado da sentença condenatória, o acusado pode estar presopor diversos motivos, porém, sempre será prisão processual e nunca para cumprir pena, por esta últimadepender do trânsito em julgado da sentença.Tourinho Filho, à época da nossa Constituição, verificou constar no Art. 5º, oprincípio da presunção de inocência em nível constitucional. Defendeu a tese de que todas as prisõesprocessuais haviam sido revogadas pelo princípio citado.Seu posicionamento solitário durou aproximadamente dois anos, até que declarouter mudado de opinião, isso porque, a prisão processual nada tem a haver com a inocência ou não doacusado.O acusado pode ser obrigado a responder o processo preso e na sentença o Juizpoderá absolvê-lo sem qualquer contradição, pois os motivos da prisão processual dizem respeito ao bomandamento do processo e não há análise do mérito da questão.Exemplificando o raciocínio: “A” matou a sua esposa e está respondendo oprocesso em liberdade, mesmo porque não foi preso em flagrante.Durante o processo “A” ameaçou três testemunhas que poderão provar a suaculpa. Ao ter conhecimento da ameaça o Juiz determina a prisão de “A”, por estar interferindo no bomandamento do processo.Depois de colhida toda a prova de acusação “A” poderá, se for o caso, ser colocado em liberdade, pois não mais interferirá na produção da prova.
 
No julgamento perante o Juiz posteriormente, “Apodeser absolvido oucondenado, e não é o fato de ter ficado preso durante o processo que significaria, automaticamente, umacondenação.Em conclusão, a prisão processual não equivale a uma antecipação do mérito,porque ela tem os seus motivos próprios, totalmente diferentes dos que levarão o Juiz a condenar ouabsolver o acusado.
4.Espécies de prisões processuais
a)Em flagrante;b)Preventiva;c)Decorrente de proncia;d)Temporia;
e)
Decorrente de sentença penal condenatória em que o Juiz negou o direito de apelar em liberdade.
5.Requisitos para a prio
Somente há duas formas para prender alguém, seja prisão penal ou processual.
a)
Mandado
: O detentor do mandado de prisão deverá estar com ele em mãos para efetuar a prisão. Naprisão processual, via de regra, também é expedido o mandado de prisão.
 b)
Prisão em Flagrante
: Não há necessidade de mandado.
6.Requisitos do mandado de prisão
a)
Qualificação
: O mandado deve ter a qualificação completa que possa individualizar quem será preso.Também servirá a alcunha, bem como características físicas que possam individualizá-lo na ausência deinformações documentais.
 b)
Motivos
: O mandado tem que conter os motivos que determinaram a sua detenção;
c)
Competência
: O mandado não pode ser expedido por Delegado. Deve ser elaborado pelo escrivão doCartório e assinado por Juiz competente, pois conforme o Art. 5º, LXI da CF, somente a autoridade judicial poderá expedi-lo.
7.Cumprimento do mandado de prisão
O oficial de justiça deverá cumprir o mandado de prisão, ainda que, se necessário,com o uso da força policial.Muito embora o CPP não traga limitação quanto a dia e hora para se cumprir omandado, deve-se observar o art. 5º, XI da CF. Este inciso dispõe sobre a inviolabilidade da casa, daseguinte forma:a)Nela somente se pode ingressar durante o dia e mediante mandado;b)Ingresso durante a noite, somente se houver consentimento do morador;
c)
Do contrário, somente em caso de flagrante (está ocorrendo um crime) ou iminente desastre.
7.1.Conclusão
O mandado pode ser executado a qualquer dia e hora. Porém, se aquele que vaiser preso estiver escondido em casa, o mandado somente poderá ser cumprido durante o dia, ou a noitemediante autorização do morador.
 
8.
 
Das prisões8.1.Flagrante
O vocábulo flagrante vem do latim “
flagrare
”, que significa queimar, logo, estadode flagrância equivale ao momento em que o fato está ocorrendo. Contudo, o CPP em seu art. 302, deuuma certa margem a este conceito, criando três espécies de flagrante, sendo:
Próprio ouReal
Ocorre quando o agente está cometendo a infração penal ou acaba de cometê-la.
Impróprio ouQuase Flagrante
Ocorre quando o agente é perseguido por policial ou não em situação que leve a crer ser ele o autor da infração.
Ficto ouPresumido
Ocorre quando momento após a prática da infração, o agente é encontrado comobjeto ou arma, que façam presumi-lo autor dos fatos.Nas três hipóteses o autor do fato está em situação de flagrância, podendo ser preso sem a necessidade de mandado.O verbo presumir utilizado no inciso III, do art. 302, pode induzir a erro o leitor,levando-o acreditar tratar-se do flagrante presumido, porém o flagrante presumido está previsto no inciso IV,enquanto que o inciso III refere-se ao flagrante impróprio.
8.2.Legitimidade para prender em flagrante
Quanto à legitimidade para a prisão, há duas espécies de flagrante:
Obrigatória
Sempre que as autoridades policiais e seus agentes presenciarem situação de flagrante,deverão prender o autor da infração. Se não o fizerem, movidos por preguiça, pouco caso,qualquer outro motivo ou sentimento pessoal, incorrerão em crime de prevaricação.Exceção: Na impossibilidade física do agente não se aplica a prevaricação.Exemplo: policial desarmado e meliante armado.
Facultativa
Qualquer do povo poderá prender em flagrante, porém, não tem esta obrigação.
8.3.Auto de prisão em flagrante delito
Seu procedimento está no art. 304 do CPP. No APFD a autoridade policial ouvirápela ordem:1)O condutor;2)As testemunhas do fato;3)A vítima se estiver presente;4)O acusado.Não há a obrigação do acusado em responder a nenhuma pergunta, sendo-lhegarantido o direito de se manifestar em juízo – Art. 5º da CF. Enquanto que a testemunha que mentir poderáincorrer no crime de falso testemunho.Se o acusado for menor de 21 anos, será interrogado pela autoridade na presençade um curador, e este não precisa ser Advogado nem ter escolaridade comprovada, basta que tenha 21anos e acompanhe o ato, zelando por sua integridade em nome do menor.No caso de recusa do acusado em assinar o APFD, duas testemunhas o farão,mediante leitura em voz alta – Art. 304, III.Na auncia de testemunhas da infrão, seo substituídas por duastestemunhas de apresentação do acusado.

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