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“Share or be banned” -
compartilhamento ecolaboratividade através da “Web 2.0”
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Nicole Isabel dos Reis – PPGAS – UFRGS 
 Introdução
“Share or be banned” - compartilhe, ou será banido. Vi esta ameaça pelaprimeira vez no perfil de um usuário do Soulseek, um programa decompartilhamento de arquivos do tipo Peer-to-Peer
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, quando procurava, entre osarquivos deste usuário, alguns sambas antigos. Tive a sorte de encontrar o queprocurava e pedi para iniciar o download. Ao invés dos arquivos, recebi umamensagem do usuário, em português mesmo. “Por que você não estácompartilhando seus arquivos?” Sendo uma usuária nova daquele programa emespecífico, e sem saber direito utilizá-lo, me dei conta de que, realmente, as quasemil músicas que eu possuia no computador na época não estavam a disposição dosoutros usuários. Pedi desculpas e tratei de imediatamente descobrir como colocarminha pasta de músicas para consulta pública. Falei que não sabia usar o programadireito, mas que já estava disponibilizando tudo o que tinha. O tal usuário de quemeu tentava pegar aqueles sambas disse que tudo bem, mas que eu não poderiaesquecer de compartilhar. Que, se todo mundo “esquecesse”, o programa perdia asua finalidade. Me desculpei novamente e finalmente consegui os tais sambas.Desde então, os programas e modalidades de compartilhamento de arquivosmudaram e se expandiram, o uso de banda larga na Internet se tornou mais barato ecomum, e a Internet se tornou, mais do que um lugar de referência externo, umespaço de construção de conhecimento coletivo. Enquanto usuária e, de certomodo, entusiasta dessas possibilidades, procurei me manter sempre informada arespeito das possibilidades de “file-sharing” e, a partir da evolução dessaspossibilidades, percebi alguns aspectos instigantes para serem discutidos do ponto
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Este texto consiste na monografia final da disciplina "Antropologia Econômica", ministrada pelos professoresRuben George Oliven e Arlei Sander Demo, no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social / UFRGS,no primeiro semestre de 2007.
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Aluna de Doutorado do PPGAS/ UFRGS. E-mail: nicolereis10@gmail.com
 
de vista da troca, da dádiva, da reciprocidade e do “desinteresse”, todos estes temasque tratamos na disciplina de Antropologia Econômica.O objetivo dessa monografia é, assim, traçar um esboço de análiseantropológica sobre algumas formas de compartilhamento e colaboratividade naInternet, especialmente as novas formas surgidas na esteira do que tem sidocomumente chamado de “Web 2.0” - um conceito surgido em 2004 e que, entreoutras coisas, designa a Internet como um espaço de construção de conhecimentoatravés do uso da inteligência coletiva.
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É comum encontrar na Internet manifestos que definem o compartilhamentocomo a própria essência da rede, e o não-uso deste como uma espécie de alienaçãodas possibilidades de acesso a novos conhecimentos.
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No entanto, para muitaspessoas, a prática de compartilhar arquivos vai de encontro a várias questões legaise morais, como o direito autoral, a pirataria, e a liberdade da realização de obrasartísticas. Esse dilema tem gerado amplas discussões e inúmeros processos judiciais. De um lado, os adeptos do compartilhamento, do software livre, dosprogramas de código aberto, defendendo o uso da Internet para trocas de todos ostipos entre as pessoas; do outro, grandes corporações (não só produtoras desoftware, mas gravadoras multinacionais, estúdios e produtoras cinematográficas, eprincipalmente a MPAA – Motion Pictures Association of America) preocupadas como impacto crescente da troca de arquivos pela Internet nos seus lucros.
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 Pretendo analisar três situações, que não são representativas da totalidade
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Explico a modalidade em mais detalhes a seguir.
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Este é um conceito polêmico e sobre o qual não há ainda muito consenso. Designa mais uma mudança demodalidades (e possibilidades) de uso da Internet (e de atitude dos seus usuários) do que uma mudançatecnológica ou estrutural na rede. A Wikipedia (ela própria um produto típico da “Web 2.0”, já que é umaenciclopédia livre e aberta, construída através da colaboração de usuários ao redor de todo o mundo) cita adefinição de Tim O'Reilly, um dos maiores entusiastas pelos movimentos de apoio ao software livre: "Web 2.0 éa mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta novaplataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de redepara se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva."http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0
 
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E mesmo artistas – ao contrário de muitos outros músicos, que souberam usar a Internet para promover seutrabalho e alcançar o público de uma forma muito mais ampla, alguns resistem às possibilidades trazidas pelarede. O músico britânico Elton John, numa declaração recente, afirmou que a Internet está destruindo a cultura, eque seria bom "desligá-la" por uns 5 anos para que a produção artística do mundo voltasse a florescer. Seucomentário deve-se ao fato de seu último disco ter tido vendas menores que os anteriores, o que, segundo ele, éculpa do compartilhamento de arquivos pela Internet.http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL81315-7085,00.html
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das formas de compartilhamento e colaboratividade, mas “boas para pensar”algumas das peculiaridades e dos dilemas relacionados à troca e construção deinformações existente na Internet.A primeira é a difusão de arquivos através de programas decompartilhamento. Tomo como exemplo uma famosa “fontes” de arquivos namodalidade “Torrent” – o “ripper”
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aXXo (seu codinome, ou”nickname”), célebre naweb por fornecer muitos filmes e de grande qualidade.O segundo exemplo relaciona-se à questão do compartilhamento ecolaboratividade. Trato da equipe “9
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Wonders”, com quem consegui contato via-email, um grupo de fãs de um seriado de TV norte-americano que se dedica aconfeccionar um site e legendas em Português para os episódios do seriado.
 
O terceiro tópico de discussão é o documentário “Good Copy, Bad Copy”, noqual convergem as questões de pirataria, direitos autorais, compartilhamento,colaboratividade, e a possobilidade de uma “cultura livre global”.Mais do que fechar uma análise sobre qualquer uma desses tópicos, pretendo justamente levantar questões que possam, talvez, ser exploradas futuramenteatravés de um olhar antropológico.
 
Dadas as limitações de tempo e espaço e o recorte da temática destamonografia, não pretendo entrar em discussões teóricas ou metodológicas arespeito da Internet em si ou das possibilidades de uma etnografia usando aInternet.
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A rede mundial de computadores tem sido um objeto de investigaçãoantropológica desde o seu início, e cada vez mais as etnografias se focam emaspectos peculiares da sua utilização e em perfis específicos de usuários. Minhaproposta tem seu foco sobre os usuários e suas práticas. A partir destes que esperoencontrar pistas para discutir os elementos de dádiva, troca, reciprocidade einteresse.
Novas Possibilidades Tecnológicas
As modalidades atuais de compartilhamento de arquivos e colaboratividade
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Explico o processo de “ripagem” mais adiante.
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Uma ótima referência para essa discussão teórica e metodológica é o livro de Christine Hine, “VirtualEthnography” (2000), no qual a autora coloca e questiona as possibilidades de uma etnografia da Internet eapresenta um exemplo de “etnografia de conteúdo”, tratando do caso da au-pair britânica Louise Woodward, quefoi julgada pelo suposto assassinato de um bebê nos Estados Unidos.
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