de vista da troca, da dádiva, da reciprocidade e do “desinteresse”, todos estes temasque tratamos na disciplina de Antropologia Econômica.O objetivo dessa monografia é, assim, traçar um esboço de análiseantropológica sobre algumas formas de compartilhamento e colaboratividade naInternet, especialmente as novas formas surgidas na esteira do que tem sidocomumente chamado de “Web 2.0” - um conceito surgido em 2004 e que, entreoutras coisas, designa a Internet como um espaço de construção de conhecimentoatravés do uso da inteligência coletiva.
É comum encontrar na Internet manifestos que definem o compartilhamentocomo a própria essência da rede, e o não-uso deste como uma espécie de alienaçãodas possibilidades de acesso a novos conhecimentos.
No entanto, para muitaspessoas, a prática de compartilhar arquivos vai de encontro a várias questões legaise morais, como o direito autoral, a pirataria, e a liberdade da realização de obrasartísticas. Esse dilema tem gerado amplas discussões e inúmeros processos judiciais. De um lado, os adeptos do compartilhamento, do software livre, dosprogramas de código aberto, defendendo o uso da Internet para trocas de todos ostipos entre as pessoas; do outro, grandes corporações (não só produtoras desoftware, mas gravadoras multinacionais, estúdios e produtoras cinematográficas, eprincipalmente a MPAA – Motion Pictures Association of America) preocupadas como impacto crescente da troca de arquivos pela Internet nos seus lucros.
Pretendo analisar três situações, que não são representativas da totalidade
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Explico a modalidade em mais detalhes a seguir.
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Este é um conceito polêmico e sobre o qual não há ainda muito consenso. Designa mais uma mudança demodalidades (e possibilidades) de uso da Internet (e de atitude dos seus usuários) do que uma mudançatecnológica ou estrutural na rede. A Wikipedia (ela própria um produto típico da “Web 2.0”, já que é umaenciclopédia livre e aberta, construída através da colaboração de usuários ao redor de todo o mundo) cita adefinição de Tim O'Reilly, um dos maiores entusiastas pelos movimentos de apoio ao software livre: "Web 2.0 éa mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta novaplataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de redepara se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva."http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0
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E mesmo artistas – ao contrário de muitos outros músicos, que souberam usar a Internet para promover seutrabalho e alcançar o público de uma forma muito mais ampla, alguns resistem às possibilidades trazidas pelarede. O músico britânico Elton John, numa declaração recente, afirmou que a Internet está destruindo a cultura, eque seria bom "desligá-la" por uns 5 anos para que a produção artística do mundo voltasse a florescer. Seucomentário deve-se ao fato de seu último disco ter tido vendas menores que os anteriores, o que, segundo ele, éculpa do compartilhamento de arquivos pela Internet.http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL81315-7085,00.html
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