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OSVALDO POLIDORO
O GRANDE CISMA
 
DEUS
Eu Sou a Essência Absoluta, Sou Arquinatural,Onisciente e Onipresente, Sou a Mente UniversalSou a Causa Originária, Sou o Pai Onipotente,Sou Distinto e Sou o Todo, Eu Sou Ambivalente.Estou Fora e Dentro, Estou em Cima e em Baixo,Eu Sou o Todo e a Parte, Eu é que a tudo enfaixo,Sendo a Divina Essência, Me Revelo também Criação,E Respiro na Minha Obra, sendo o Todo e a Fração.Estou em vossas profundezas, sempre a vos Manter,Pois Sou a vossa Existência, a vossa Razão de Ser,E Falo no vosso íntimo, e também no vosso exterior,Estou no cérebro e no coração, porque Sou o Senhor.Vinde pois a Meu Templo, retornai portanto a Mim,Estou em vós e no Infinito, Sou Princípio e Sou Fim,De Minha Mente sois filhos, vós sereis sempre deuses,E, marchando para a Verdade, ruireis as vossas cruzes.Não vos entregueis a mistérios, enigmas e rituais,Eu quero Verdade e Virtude, nada de “ismos” que tais,Que de Mim partem as Leis, e, quando nelas crescerdes,Em Meus Fatos crescereis, para Minhas Glórias terdes.Eu não Venho e não Vou, Eu sou o Eterno e o Presente,Sempre Fui e Serei, em vós, a Essência Divina Patente,A vossa presença é em Mim, e Quero-a plena e crescida,Acima de simulacros, glorificando em Mim a Eterna Vida.Abandonando os atrasados e mórbidos encaminhamentos,Que lembram tempos idólatras e paganismos poeirentos,Buscai a Mim no Templo Interior, em Virtude e Verdade,E unidos a Mim tereis, em Mim, a Glória e a Liberdade.Sempre Fui, Sou e Serei em vós a Fonte de Clemência,Aguardando a vossa Santidade, na Integral Consciência,Pois não quero formas e babugens, mas filhos conscientes,Filhos colaboradores Meus, pela União de Nossas Mentes.
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RASGANDO O VÉU
A primeira perseguição em massa, oficialmente levada a efeito contra os cristãos novos – relata-nos a história – teve lugar no reinado do truculento Nero (ano 64 D.C.). Acusado o imperador  pelo povo de haver ateado fogo à cidade de Roma para se inspirar, pois fora visto, na ocasião, delira em punho, a entoar um hino sobre o incêndio de Tróia, lançou toda a culpa desse crime contraos seguidores do Nazireu. Daí o motivo para que o poviléu, açulado como a hiena bravia, exigisse otrucidamento sumário e impiedoso desses mártires, ora nas arenas à sanha dos leões, ora untadoscom pez para servirem de archotes vivos, em dias de festa, nos jardins do famigerado César.Foi esse, realmente o primeiro golpe assestado contra o verdadeiro cristianismo, nas pessoasdos seus ardorosos e sinceros sectários. Todavia, foi Décio, dos imperadores romanos (anos 249 a251 D.C.), o primeiro a empreender uma perseguição sistemática e oficializada contra os neófitosda doutrina cristã. Iniciada nesse reinado, ela se desdobrou até atingir o seu clímax no governo deDiocleciano (anos 303 a 311 D.C.). Caracterizada pela sua violência sanguinária, foi, entretanto, omarco inicial de uma completa transformação tática e política, no reinado do imperador sárdico,transformação essa visando à nova seita. Como os métodos violentos aplicados contra essas vítimasinermes não surtiram o efeito desejado, havia, portanto, mais que nunca, necessidade de mudançadessa atitude drástica por outra mais inteligente e eficaz, uma vez que logo nos dois primeirosséculos de vida o cristianismo havia aumentado consideravelmente o seu raio de influência; noterceiro, avassalara todo o Império Romano e no princípio do quarto século estendeu-se também pelo Oriente. O sangue dos mártires era, assim, como que a essência generosa e providencial, queconferia à doutrina a consistência vigorosa e tenaz do cacto bravio, a desafiar a aspereza do chão piçarrento. No dizer de diversos historiadores, Constantino era um homem relativamente iletrado, porém, sagaz, de uma acuidade espiritual inimitada; percebeu ele, desde logo, a inutilidade daqueles processos de perseguição calculada e fria movida contra os nazireus, como eram então chamados.Por outro lado, ante seus olhos processava-se rapidamente o desmoronamento do Império, pela faltade unidade, coesão e moral. A sociedade romana deixava-se empolgar e corromper-se ante as pompas e a ociosidade do viver oriental. De promiscuidade com os elementos bárbaros da invasão,os súditos não obedeciam mais ao governo central. Os desregramentos morais, as incontinências, alascívia e outros vícios que prognosticam sempre a deterioração social, roíam surdamente o pedestaldas instituições romanas, anunciando o fim próximo dessa civilização decrépita e doentia.Tudo isso passou como um relâmpago pelo cérebro de Constantino. Urgia, pois, uma providência eficaz para evitar a catástrofe iminente. No seu leito de morte, corroído pelas úlceras, Galério, aquele mesmo potentado que antesarrancara das mãos de Diocleciano o famoso édito de perseguição aos cristãos, entregava aos seusexecutores outra ordem, mas esta, de complacência à nova doutrina. Remorso ou não, quiçá – quemsabe? – os mesmos fundamentos que despertaram os cuidados e a preocupação de Constantino, otetrarca moribundo via no seu último gesto o passo fundamental dado no sentido da solução de umgrande e importantíssimo problema. Eis o édito:
 Entre os importantes cuidados que ocuparam o nosso esrito em prol do bem e preservação do império, foi nossa intenção corrigir e restabelecer todas as coisas de acordo comas antigas leis e disciplina pública dos romanos. Fomos particularmente insistentes em chamar aocaminho da razão e da natureza os iludidos cristãos que, tendo renunciado à religião e cerimônias
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