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A vocação Social da Pedagogia Waldorf  Palestra dada por Renate Keller Ignácio no curso de Pedagogia Waldorf em Botucatu-2007 
A escola waldorf tem uma vocação social inerente a ela? Eis a pergunta que me foi dada esobre a qual gostaria de tecer algumas considerações..Fim da 1º guerra mundial: choro, morte, evidência que os antigos valores levaram à guerra..Movimentos sociais surgem. Antagonismo entre burguesia e proletariado.O proletariado é ávido por conhecimento. R. Steiner dá palestras para os operários emStuttgart sobre trimembração social e em 1919 escreveu o livro: Os pontos cernes daquestão social a partir das necessidades da vida no presente e no futuro. Descreve comoexiste uma necessidade de estruturar a sociedade a partir de seus três sistemas inerentes :
A vida espiritual
A vida jurídica
A vida econômicaA
Vida econômica
já naquela época ultrapassava de longe as fronteiras nacionais, muda emdireção a uma economia mundial. Ela deve ser estruturada como tal, com um principionorteador: a FRATERNIDADE.A
vida espiritual
(educação, ciência, saúde, religião, cultura) não deve ser tutelada peloestado, mas organizada em forma de auto-gestão baseada no principio da LIBERDADE.Resta para o estado a
vida jurídica
, onde as leis serão feitas de forma democrática baseadano principio da IGUALDADE. Não se trata de um esfacelamento da sociedade, mas de umaorganização da mesma para que estes três sistemas possam desabrochar de maneiravigorosa, sendo mantida a união através da atuação de cada cidadão nos três âmbitos.Isto é adequado ao homem moderno, que desenvolve a sua autoconsciência e a partir destamaturidade pode agir com liberdade, assumindo a responsabilidade por seus atos.Estas idéias foram colocadas incessantemente por R. Steiner a um grupo de pessoasengajadas daquela época. Em assembléias de operários, sindicatos, bares e praças tentava-se divulgar estas idéias para conseguir que surgisse das dores e cinzas daquela época umasociedade mais humana. R. Steiner escreveu um Manifesto que distribuiu para todas aslideranças da época inclusive políticos Mas infelizmente não foi ouvido, e seguiu o trágicocurso da história desembocando na 2ª guerra mundial, como previsto por R. Steiner. Uma daspessoas envolvidas pelo movimento da trimembração social foi Emil Molt, diretor da fabrica decigarros “Waldorf-Astoria, onde os operários podiam, durante o horário de trabalho, assistir àaulas de formação de adultos e ouvir palestras de Steiner e de H. Hahn sobre os problemasda atualidade. Sentiram muita gratidão por estas aulas, mas colocaram para E. Molt quegostariam que seus filhos tivessem acesso a uma formação mais humana, já que eles não ativeram na sua infância. Ai nasceu o impulso para a 1ª Escola (livre) Waldorf. E. Molt pediupara R. Steiner assumir a direção pedagógica desta escola. R. Steiner viu a oportunidade deatravés desta escola dar um impulso novo pelo menos no âmbito da Vida Cultural, pois seriauma escola auto-gestada e independente do estado , uma escola para todos: filhos dosoperários e de outras classes sociais, uma escola de 12 anos, sem repetência e exclusão,para meninos e meninas e sem o mortífero esfacelamento em grades curriculares de aulasde 45 minutos de duração!Os preparativos demoraram 4 meses. Um grupo de personalidades extraordinárias se juntouem volta de Steiner para formar o 1º corpo docente. Em agosto, um mês antes dainauguração da nova escola, Steiner deu um amplo curso introdutório da pedagogia centradana compreensão do ser humano e do seu desenvolvimento adquirido através da ciênciaespiritual antroposófica. Este curso se compõe de três elementos:
 
1.
1.
 
Antropologia geral
2.
2.
 
Metódica e didática
3.
3.
 
Exercícios Seminaristicos É inacreditável que Steiner desenvolveu todos estes conteúdos num espaço de tempo tãocurto, conteúdos que dão alimento para o estudo do professor por uma vida inteira...Certamente vocês vão conhecer estes conteúdos ao longo deste curso de formação.Gostaria de desenvolver só um aspecto que tem a ver com a trimembração do organismosocial:R. Steiner mostra como o desenvolvimento da criança até o adulto se dá em períodos de seteanos que terminam com1º setênio troca de dentes (7 anos)2º setênio amadurecimento terrestre (14 anos)3º setênio maioridade. (21 anos) 
1º Setenio:
desenvolve o sistema neurosensorial, a criança se encontra numa consciência desono.Imitação: a criança é um grande órgão de sentido O educador atua através do exemplo, dogesto, do fazer. Brincando a criança imita o trabalho e as atitudes do adulto. Cultivo daconfiança: O mundo é bom.O homem que pode viver plenamente na imitação no 1º Setênio, terá condições para atuar naliberdade na vida cultural, quando adulto. O que quer dizer: atuar com liberdade na vidacultural? Aprender sempre, desenvolver todos as suas capacidades. Estudar as leis naturais esociais para tomar as decisões certas e assumir a responsabilidade por elasb. Ter coragempara colocar seus pontos de vista. Reconhecer a liberdade do outro. Na imitação vivenciamosisto inconscientemente.
2º Setênio:
A criança pode agora aprender baseada na memória. As forças musicaisplasmadoras desenvolvem seu sistema ritmico. A criança vivencia o mundo através do sentir que necessita da presença de uma autoridade amada como norte.O professor-artista trás o mundo para a criança de forma bela, subjetivo, cheio de sentido. Oser humano que pode no 2º setênio reverenciar uma autoridade amada, terá condições,quando adulto, reconhecer o outro como ser igual, apesar das diferencias. Atuará na vida jurídica baseado nesta concepção.A vivência da autoridade amada fortalece a alma da criança. É esta força que precisamosenquanto adulto para não ter medo do diferente e reconhecer atrás do aspecto dos“Diferentes” o cerne espiritual igual a todos.
3º Setênio
: o jovem
 
desenvolve o sistema metabólico/motor do qual o amadurecimentosexual / terreno faz parte. O surgimento do amor para com o sexo oposto é somente umaparte do amor universal / terrestre que se desenvolve. Ele leva o jovem a possibilidade doestudo das leis da natureza do homem e da sociedade. Ele desenvolve o pensar. Este pensar unido com o amor universal faz do jovem um ser idealista e revolucionário. O jovem que podeaprender e atuar a partir do amor universal, quando adulto terá condições de atuar na vidaeconômica com fraternidade. Ele terá o interesse de satisfazer as necessidades dos outroscom o seu trabalho. Isto o levará a resposta da pergunta: para que eu vim neste mundo? Oque influencia a escolha da profissão?E assim aos poucos achará seu caminho de vida pessoal.1Vale a pena alfabetizar cedo?Folha de São Paulo / 4 de dezembro de 2008 / EquilíbrioMaior contato com mundo letrado permite às crianças que se alfabetizem mais
 
cedo, mas acelerar o processo nem sempre é vantajoso.Iara Biderman (Colaboração para a Folha)Vitória Diniz tem cinco anos e está na classe do Jardim 2 da educação infantildo Colégio Augusto Laranja, em São Paulo. Compenetrada na lição, ela passouda fase de "rabiscar" as primeiras letras para terminar o ano letivo alfabetizada.É muito cedo? É o esperado? Não é de agora que as dúvidas angustiam os pais,mas a mudança curricular que aumentou o número de anos do ensinofundamental e antecipou para os seis anos a entrada na primeira série, ou seja,na chamada educação formal, colocou mais água na sopa de letras daalfabetização infantil."Há algum tempo, escolas particulares já aceleram a alfabetização. Com amudança de lei do ensino fundamental, somou-se a pressa anterior a umequívoco sobre a entrada da criança nessa fase escolar. É como se a antigaprimeira série (que as crianças cursavam a partir dos sete anos) tivesse de ser feita mais cedo", diz Vitória Regis Gabay de Sá, coordenadora pedagógica daescola de educação infantil Jacarandá, em São Paulo.O problema, segundo Gabay de Sá, é o entendimento do que seja aalfabetização. "A produção escrita é resultado de um processo que começamuito antes. A criança vai construindo competências e adquirindo condiçõesfísicas, emocionais e cognitivas para representar por meio da escrita, masquerer esse resultado mais cedo "atropela" o processo e aí é que está oequívoco. Aprender antes não significa aprender melhor."Exigência socialCristina Nogueira Barelli, mestre em lingüística e coordenadora do curso depedagogia do Instituto Singularidades, de São Paulo, diz que as adaptaçõescurriculares surgem por uma exigência natural da sociedade. "Não é a escolaque quer alfabetizar antes, é o mundo contemporâneo. A escrita está postapara a criança, e ela se permite alfabetizar mais cedo."Ser criança é ter infância?
Por Maria Inês Delorme
A infância é uma circunstância ou uma prerrogativa que só pode ser experimentada por crianças, adespeito de suas culturas, hábitos e valores. Para clarificar ainda mais o conceito é preciso reforçar o seu aspecto sócio-histórico para que se possa entendê-lo como algo não estático nem fechado,mas em movimento permanente de significações nos diferentes tempos, espaços e culturas.Como curiosidade, não custa lembrar que o conceito de infância não surgiu no exato momento emque se teve registro de vida na Terra, nem quando se comprovou o nascimento das primeirascrianças. Somente a partir do século XVIII, o conceito foi se delineando para atender a umanecessidade social de compreender e de nomear os aspectos próprios de um determinado períododa vida das pessoas.Com relativa freqüência, se qualifica popularmente certos comportamentos adultos consideradosinadequados, pueris ou simplórios como sendo “ações infantis ou criancices”, supondo-se que, decrianças, se deva esperar apenas tolices ou inconseqüências. Ao mesmo tempo, afirmar-se tambémque adultos ou crianças muito felizes e que distribuem sorrisos fartos se comportam como “pintos nolixo”, associando esta expressão de felicidade e prazer à situação de exuberância, de sobra e defartura. Por que será?No Brasil, as pessoas são consideradas crianças desde o momento em que nascem atécompletarem doze anos, mas nada impede que meninos e meninas com mais idade permaneçamvivenciando certos aspectos relativos à infância. Ser criança, portanto e infelizmente, não garanteindistintamente a todos os que têm até 12 anos de vida o direito de ter infância.Quando a criança tem infância ?
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