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momento do interrogatório e aplicação da medida de coacção o arguido irá perturbar oinquérito (destruindo provas documentais, coagindo testemunhas, etc.), que irácontinuar a sua actividade criminosa ou perturbar gravemente a ordem e tranquilidadepúblicas, parece óbvio que não poderá aguardar-se que o juiz agende data para arealização da diligência, que o arguido disso seja notificado (o que, como se sabe,poderá demorar muito tempo ou nunca suceder) e depois que se digne comparecer!
v.
A detenção fora de flagrante delito só se mantém se houver razões para crer que o detido não seapresentará espontaneamente perante a autoridade judiciária no prazo que lhe for fixado
.
a.
A norma tem causado grandes dificuldades aos órgãos de polícia criminal nadeterminação do que são “razões para crer que o detido não se apresentaráespontaneamente perante a autoridade judiciária”;
b.
Note-se ainda que, sem que se perceba o motivo da diferença, no artigo 257.º se exigem“fundadas razões” para mandar deter e aqui apenas “razões” para manter a detenção.
c.
Por outro lado, mesmo que não existam tais razões, outras há que deveriam justificar amanutenção da detenção: são as circunstâncias já previstas no artigo 204.º.Exemplificando: não deveria continuar detido o indivíduo que foi detido por furto e oórgão de polícia criminal tem razões para crer que, se liberto, irá praticar outros furtos(o que é frequente com indivíduos toxicodependentes em elevado grau que farão tudoaté conseguirem o dinheiro necessário para conseguir a próxima dose)? E se for umagressor conjugal? Espera junto da sua vítima (que acabou de pedir auxílio à polícia) omomento de se apresentar no tribunal? A libertação de tal indivíduo, ainda com“sangue nas mãos”, não irá gerar grave perturbação da ordem e tranquilidadepúblicas? Tais situações têm chocado a comunidade e gerado sentimentos deimpunidade nos criminosos.
vi.
Passagem de três para cinco anos do limite das penas de prisão que podem ser suspensas na suaexecução
(o que veio abrir a porta a inúmeras suspensões de execução de penas de prisão porroubo com arma, cuja moldura penal vai de 3 a 15 anos, o que antes apenas seria possível emcasos de condenação na pena mínima – 3 anos – o que raramente acontecia);
vii.
Revogação da norma que, em casos de condenação a pena de prisão superior a 5 anos pelaprática de crime contra as pessoas ou de crime de perigo comum, apenas permitia a concessãode liberdade condicional após cumpridos dois terços da pena (passando agora tal a serpossível depois de cumprida metade da pena).
3.
Ainda em 2007 (31 de Agosto), foi publicada a
Lei n.º 51/2007
definido os objectivos, prioridades eorientações de
política criminal para o biénio 2007-2009
. Tal lei, no seu artigo 15.º, estabelece que oMinistério Público deve requer preferencialmente a aplicação de medidas de coacção diversas da prisãopreventiva sempre que a existência de risco de continuação da actividade criminosa não exija a aplicaçãodessa medida.O artigo 204.º do Código de Processo Penal enumera três conjuntos de circunstâncias que são as exigênciascautelares que as medidas de coacção, incluindo a prisão preventiva, se destinam a acautelar:
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