Coordenando muitas turmas e um curso de capacitação para docentes deum Programa Educação para o Trabalho, repeti, sistematicamente, umexercício. Pedia aos participantes que representassem, sem falar, “OCaminho do Programa”.Na encenação, as transformações nos adolescentes participantes deveriamser evidenciadas na medida em que o Programa fosse sendo “desenvolvido”.Invariavelmente, mudanças na apresentação pessoal eram utilizadas comoindicação das transformações que o Programa objetivava.Em geral, as cenas tinham uma determinada configuração. No início doPrograma, os adolescentes estavam desarrumados, despenteados edesleixados e o concluíam “bem arrumados”, ou seja, vestidos e penteadossegundo os padrões socialmente aceitos como adequados.Era também muito comum a forma utilizada pelo docente para a obtençãoda transformação. Ou o docente demonstrava o que era um vestir correto(colocar a camisa para dentro das calças, abotoar a camisa, etc.) ou elemesmo arrumava a roupa do adolescente.Uma coisa e outra propiciavam uma interessante discussão a respeito dosobjetivos e metodologia do Programa. A imagem mais freqüente e concretado percurso do Programa estava intimamente relacionada ao conteúdo deuma Oficina de Apresentação Pessoal.Pode-se dizer que uma Oficina de Apresentação Pessoal é paradigmática naobjetivação da proposta de um Programa Educação para o Trabalho. É aquique ele diz a que veio.De um lado, estou face a um ser que se apresenta como fruto de sua classesocial, de sua faixa etária, de seu grupo, de sua tribo, de sua incerteza, desua ignorância, de seu saber, de suas convicções, de seu operar sobre suaspróprias circunstâncias... De outro lado, percebo e conheço (ou pensoconhecer) os limites e as exigências do mercado de trabalho. Devoaproximar as distâncias? E, se devo, em que sentido e como agir?Na formulação de um Programa de Educação para o Trabalho, clarear aproposta de apresentação pessoal é fundamental na transparência daproposta do próprio Programa.
Agora, seguindo o poema
O poema de Manoel Bandeira intriga pelo que ele pode dizer a respeito deuma proposta para Uma Oficina de Apresentação Pessoal. Como motivo da “adoração de ti”, o poema descarta, em primeiro, o da beleza. Contrapõe,também logo de princípio, a beleza que se mostra, a que se apresenta, coma interior e diz: “a beleza é em nós que ela existe”.De um lado, está posta a beleza que de pronto se mostra ou que se buscano externo ou que se produz por fora. Uma apresentação pessoal, umaestética, que depende de uma intervenção externa sobre o vestir, o pentear,o cuidar da pele, o aparecer e o mostrar-se para o outro...Uma
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