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O DESPERTAR DA PORCA EDIÇÃO 1 -DEZEMBRO 2003Página2
Editorial
 Aprender e ensinar, cooperar e partilhar, consti-tuem referências de qualquer acto educativo. Se astivermos presentes, o ensino torna-se mais transpa-rente e verdadeiro, com mais sentido e, sobretudo,baseado na assumpção de uma cultura colaborati- va. Tem assim lugar a ideia de projecto, enquantoelemento construtor de identidades, de pessoas, desentimentos ou até de organizações, capaz demobilizar vontades e de acrescentar mais-valia aoacto educativo. É neste contexto que um grupo dedocentes, animados deste sentir e sobretudo cons-cientes da necessidade de divulgar o Agrupamentoà comunidade, se propôs elaborar este projecto do jornal escolar. A partilha de vivências e de culturas, enquantoespaço criativo de ensino e de aprendizagem, estána base deste Despertar da Porca, nome herdadode produções do género no passado recente, quecongrega contributos de diversa natureza. Entreeles, merecem destaque as produções literáriasdos alunos, os concursos, os artigos de opinião dosdocentes e alguns dos projectos em curso. O temado Natal é, sem dúvida, um dos que mais percorre oimaginário dos alunos. Louvável a iniciativa pelotema escolhido, adequado, aliás, à época que atra- vessamos.Contudo, o traço essencial deste projecto rela-ciona-se com o facto de resultar do contributo decrianças, alunos e docentes dos diversos graus eciclos de ensino, desde a educação pré-escolar atéao ensino secundário, que constituem a oferta edu-cativa do Agrupamento Vertical de Escolas de Mur-ça. Esta realidade, que traduz uma nova concepçãoao nível da organização e gestão da educação e doensino no nosso concelho, tem por finalidade pro-mover a integração e a articulação dos princípios,dos projectos e dos saberes, dando assim mais sen-tido à partilha e à cooperação dos diversos interve-nientes da comunidade escolar. O Despertar daPorca é um exemplo de projecto que materializaessa articulação, um instrumento que promove acoesão de uma nova organização escolar e, sobre-tudo, um meio de fazer chegar a voz da Escola e,em especial, dos alunos, à comunidade. Ensinar eaprender assim, tem sentido!É, por isso, de elementar justiça valorizar e reco-nhecer o empenho e o trabalho da equipa coorde-nadora e de todos aqueles que activamente partici-param. A toda a comunidade escolar, docentes, alu-nos, auxiliares de acção educativa, pais e encarre-gados de educação, assim como a todos os nossosleitores, o desejo de um Feliz Natal.CordialmenteO Presidente da Comissão Executiva Instaladora
 Albertino José Castro Lousa
Quem não sabe prestar contas  De três milénios  Permanece nas trevas ignorante, E vive o dia que passa
Johann Wolfgang Goethe
É com esta citação de Goethe que JosteinGaarder nos convida a “embarcar” numaempolgante viagem pelo mundo da Filosofia. A partida é do “Jardim do Éden” com esca-las em Sócrates, Descartes, Kant, Freud, Sar-tre, entre outros, até chegar ao “nosso tem-po”. Depois temos ainda de percorrer maistrês “estações” para compreender e/ou sim-plesmente confirmar o porquê deste presente.Sim, este livro é um presente para a pequenaSofia. Ou será para a pequena Hilde? Ou serámesmo para todos nós? As interrogações são muitas, mas comobons “peregrinos” que somos vamos beben-do em todas as “fontes” de modo a saciar todaesta sede de conhecimento, que, por nature-za, todo o Homem sente.
O Mundo de Sofia
não tem a pretensão dedar resposta às dúvidas que desde sempreatormentaram, e continuam a atormentar, oHomem. O seu único propósito é o de dar aconhecer algumas das teorias que tentamexplicar a origem do mundo, a existência doser humano e do próprio Deus. É precisamen-te esta busca incessante da criação que nosfaz confundir Albert Knox, o novo amigo deSofia, ou Albert Knag, pai de Hilde, com o pró-prio criador, Jostein Gaarder. O quê? Não mediga que lhe parece absurdo chamar“criador” a Gaarder? Então “criador” não éaquele que cria as suas personagens e lhesdestina um determinado papel num qualquerenredo?Quando acabei de ler este livro percebique tinha nas mãos uma
 matriochka
e sentique era uma parte desse todo, porém nãoconsegui situar-me...Independentemente da minha posição nes-ta imensa cadeia, que é o universo, estouciente de que “Só sei que nada sei”, corrobo-rando assim a velha máxima de Sócrates. Iró-nico, não?
Referência bibliográfica:
GAARDER
, Jostein,
O Mundo de Sofia
, trad. Catarina Belo,20ª ed., Editorial Presença, Lisboa, 2001.
Tempos Livros
Professora Elisabete Moutinho
 
O DESPERTAR DA PORCA EDIÇÃO 1 -DEZEMBRO 2003Página3
 AS VINDIMAS
 As vindimas come-çam no Outono. São umtrabalho agradável.Homens, mulheres ecrianças entram na vinhacom muita alegria por-que o trabalho é leve eas videiras proporcio-nam-lhes as deliciosasuvas maduras. Oscachos são cortados paraos cestos e depois trans-portados para os lagaresou cooperativas, ondesão esmagados. Noslagares, que existem emalgumas casas, as uvassão lá colocadas e esma-gadas com os pés oucom uma esmagadora edão um sumo doce cha-mado mosto. Esse mosto,depois de muito traba-lhado, fermenta e trans-forma-se em vinho. Deseguida, envasilha-se o vinho em pipas oucubas. O bagulho e ospés das uvas põem-senuma prensa para serembem espremidos edepois são colocados emsacos de plástico paraserem levados paraalambiques de onde éextraída a aguardente.Nas cooperativas, o vinho é feito através demáquinas. A prova do vinho será no dia de S.Martinho, acompanhadocom castanhas assadas.
Composição colectiva –Alunos do 1º Ciclo daEscola de Sobreira – 3º Ano A IMPORTÂNCIA DACASTANHA
Sobreira, 14 deNovembro de 2003Tempos houve emque a castanha possuíauma enorme importânciana dieta alimentar dosportugueses. Na idademédia, nas regiões maisdesfavorecidas, os casta-nheiros eram conheci-dos por “árvores-do-pão”.No Séc.XVII, a casta-nha era considerada umdos produtos básicos daalimentação dos beirões.Quando a colheita decereais era fraca, as pes-soa recorriam às casta-nhas para se alimenta-rem. Deste modo, a cas-tanha chegou a ocupar olugar do pão e das bata-tas.No Norte e na Beirainterior regista-se a exis-tência de grandes sou-tos, mas também há cas-tanheiros na região deEntre o Douro-e-Minho. Actualmente aindanos podemos deliciarcom as castanhas quepodemos comer cozidas,assadas ou piladas(secas ao sol ou ao calorda fogueira), tempera-das com erva-doce ousal. As castanhas servemtambém para fazer deli-ciosos recheios parapatos e perus e atéingredientes de sobre-mesas e doces (comobolos, cremes, pudins egelados).Quando os dias setornam cinzentos e asnoites longas e frias, nãohá nada melhor do quenos sentarmos à lareira eouvirmos as castanhas aestalarem no caldeirão.São os sons e os saboresdo Outono que nos con-solam e nos aquecem aalma.
Emanuel JoséTeixeira Augustoaluno do 1º CicloO DIA DE S. MARTINHO EM PORRAIS
Dia 11 de Novembro festejámos o "Dia de S. Martinho". Foi uma grande festa que se realizou no Centro Cul-tural de Porrais.Estiveram cá todos os meninos, professores e auxiliares das escolas do Núcleo da Terra Quente e tambémos meninos, educadoras e auxiliares dos Jardins de Infância de Porrais e Noura.Nós, os meninos da Escola de Porrais, dramatizámos a "Lenda de S. Martinho" e cantámos 3 canções rela-cionadas com as castanhas e os magustos.Os meninos das outras escolas também cantaram canções e os da Escola do Sobredo fizeram um jogo deroda, sobre a castanha.Também nos divertimos todos juntos no polidesportivo que fica mesmo ao lado do Centro Cultural,enquanto se preparavam as mesas para o grande lanche-convívio.Quando tudo já estava preparado, fomos, todos juntos, comer o lanche e as castanhas assadas pela D. Elisa-bete e pela mãe da Jéssica, no forno de lenha da Senhora Professora Elisa.Depois fizemos uma fogueira onde se assaram castanhas. Os meninos e algumas professoras saltaram àfogueira, fizeram rodas à sua volta e, no fim, enfarruscaram a cara.Na nossa festa estiveram o Senhor Professor Martins, o Senhor Professor José Maria (Vereador da Câmara),o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Noura e outras pessoas que foram convidadas e quiseram estar pre-sentes.Os meninos adoraram divertir-se no nosso Parque Infantil.Foi um dia cheio de alegria e, como diz a lenda, o Sol também não faltou e apareceu brilhante, dando mais juz e calor à nossa festinha.
 Ana Isabel F. Santos
Escola de Porrais

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