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EDUCAÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO NA CORÉIA DO SUL

EDUCAÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO NA CORÉIA DO SUL

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 1
 EDUCAÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO NA CORÉIA DO SUL
Michelle Merética Miltons
1
 Ednaldo Michelon
2
 
RESUMO
A Coréia do Sul experimentou um crescimento econômico notável nas últimas décadas,especialmente entre os anos de 1960 e 1996. Uma das principais razões de tal transformação foi odesenvolvimento educacional. Este artigo objetiva verificar se os governos sul-coreanos deram prioridade à educação formal com vistas a colaborar em seus projetos de desenvolvimento a partir de 1945. Os resultados indicam que a educação foi prioridade para os governos, exceto, em parte, para o governo de Chun Dae-hwan, onde a expansão do nível superior se deu muito mais em funçãoda demanda popular.Palavras-chave: educação, crescimento econômico, Coréia do Sul.
ABSTRACT
South Korea experienced a remarkable economic growth last decades, especially between 1960 and1996. One of main reason of the Korean transformation was the education development. This paper wants to check if the South-Korean governments have given priority to formal education to help itsdevelopment projects since 1945. The results suggested that, in fact, the governments have given priority to education. However, in military government of Chun Dae-hwan, the educationalexpansion of high level was a result of popular demand.Key-words: education, economic growth, South Korea.
1 INTRODUÇÃO
O papel da educação no crescimento econômico tem sido objeto de atenção na literatura. Háum relativo consenso de que a educação contribui para o crescimento de diversas formas. Umadelas é através da melhoria da qualidade da força de trabalho que, mais capacitada, estará mais apta para absorver, reproduzir e desenvolver tecnologias, tornando-se, portanto, mais produtivo. E oaumento da produtividade marginal do trabalho traz, como resultado, o crescimento da renda dafirma e, em termos agregados, o crescimento da economia.O presente trabalho irá adotar essa linha de argumentação, entendendo ser a acumulação deconhecimentos fator chave na determinação do crescimento econômico. A partir desta concepção, pretende-se analisar o papel da educação no processo de crescimento econômico da Coréia do Sul – doravante, Coréia.A escolha da Coréia se justifica por sua experiência de crescimento. Quando da proclamaçãoda República da Coréia, em 1948, o país contava com uma renda
 per capita
inferior a US$ 100.Após alterar a estratégia de crescimento, da industrialização por substituição de importações para aindustrialização pesada voltada para fora, o país vivenciou um período de grande crescimentoeconômico só interrompido substancialmente no final dos anos 1970, com o segundo choque do petróleo e em 1997-98, na crise asiática, de 1997. Mas, em ambos os casos, a Coréia se recuperou
1
Mestre em Economia pela UEM, Consultora de Projetos do Ministério da Saúde. Endereço Eletrônico:m_miltons@hotmail.com
2
Professor do Departamento de Agronomia e do Programa de Mestrado em Economia na UEM.Endereço Eletrônico: emichelon@uem.com.br 
 
 2em relativamente pouco tempo. Atualmente, ela é considerada um país desenvolvido. Sua renda
 per capita
já supera US$ 14.000, o que a coloca entre as quinze maiores economias do mundo.A experiência educacional na Coréia também justifica sua escolha como objeto de estudo. Énotório o fato deste país ter atingido a universalização da educação básica no final da década de1960 e do ensino médio na década de 1980. Os anos de 1980 e 1990, ainda, assistiram a uma forteexpansão das matrículas em nível superior. A evidência empírica mostra que a Coréia atingiu umelevado nível de qualificação de sua mão-de-obra por meio da educação formal.Este artigo procurará responder se os governos priorizaram a educação formal
3
com vistas acolaborar no projeto de desenvolvimento econômico. Com exceção do governo de Syngman Rhee,tanto os governos militares quanto os civis se utilizaram do planejamento e administraram o país por meio de Planos Qüinqüenais de Desenvolvimento Econômico. A questão colocada indaga se aeducação foi vista como indispensável pelos governos dentro desse planejamento geral.A hipótese adotada é que o governo considerou a educação como chave no processo dedesenvolvimento econômico em todo o período de análise, variando apenas na intensidade e naforma. A metodologia do trabalho consiste em levantamento bibliográfico sobre as estratégias dedesenvolvimento e as políticas educacionais.
2 A RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO
Compreender o papel da educação no processo de crescimento econômico de um país vaicertamente além da estimação de seu peso relativo na composição da renda. A contabilidade docrescimento considera a variável capital humano – cujo componente principal é a educação,medida, principalmente, pela média de anos de escolaridade formal da população adulta – como uminsumo que explica relativamente pouco do crescimento (Lee, 1996).Entretanto, há que se considerar que sua mensuração é prejudicada quando reduzidasomente aos anos de escolaridade. O exemplo da Coréia mostrará que a educação pode contribuir mais no desenvolvimento de um país do que a contabilidade do crescimento sugere. Ela aumenta a produtividade dos trabalhadores, a habilidade no desenvolvimento da ciência e tecnologia. Facilita aabsorção de tecnologias. Enfim, a educação evidencia e amplifica a capacidade individual econtribui para o desenvolvimento da nação.A presente seção objetiva apresentar as principais contribuições da teoria econômica quantoà importância do capital humano no processo de crescimento econômico.
2.1
 
A TEORIA DO CAPITAL HUMANO
A Teoria do Capital Humano foi desenvolvida principalmente por Gary Stanley Becker emseu livro
 Human Capital,
publicado em 1964.
 
 Neste trabalho, a educação e a formação foramconsideradas como investimentos realizados conscientemente por indivíduos racionais, com oobjetivo de aumentar sua eficiência produtiva e sua renda. A teoria faz uso de microfundamentos,considerando que o agente econômico, no momento da tomada de decisão acerca de investir ou nãoem educação escolhe entre os benefícios que obterá no futuro e os custos do investimento de suaformação (que incluem os custos de oportunidade e os gastos com os estudos propriamente ditos).A análise de Becker (1964) oferece uma explicação de um amplo espectro de fenômenosempíricos, aos quais têm sido dadas interpretações
ad hoc.
Entre eles, estão os seguintes: a) os
3
Por educação formal, entenda-se a educação escolar, tratada aqui desde o nível primário até o nível superior,excluindo-se, portanto, o maternal, a pré-escola e a pós-graduação.
 
 3rendimentos costumam aumentar com a idade a uma taxa decrescente, e essa tendência tende a ser  positivamente relacionada com o nível de qualificação do indivíduo; b) as taxas de desempregotendem a ser inversamente relacionadas com o nível de qualificação; c) pessoas mais jovens mudamde emprego com mais freqüência e recebem mais treinamento e escolaridade do que pessoas maisvelhas; d) a distribuição de rendimentos é positivamente inclinada, especialmente entre profissionais e outros trabalhadores qualificados e; e) pessoas mais hábeis recebem maistreinamento.A produtividade dos trabalhadores pode ser aumentada pelo aprendizado de novascapacitações que, necessariamente, pressupõem um custo que inclui: tempo despendido, pagamento pelo fornecimento do ensino, equipamentos e materiais utilizados. O montante gasto e a duração dotreinamento variam em cada caso. Becker (1964) especifica três formas pelas quais o indivíduo pode adquirir qualificações: por meio do treinamento geral, dado pelas firmas, do treinamentoespecífico, também fornecido por firmas com objetivos mais restritos e pela escolaridade formal. Oautor deixa clara a relação existente entre os ganhos e a qualificação dos indivíduos.Theodore Schultz (1973) trabalhou a importância do investimento em homens e em pesquisana determinação do crescimento econômico, até então negligenciados pela teoria econômica.Segundo o autor, o investimento na pesquisa é necessário para a obtenção de informações,habilidades e técnicas novas, sendo os investimentos em capital humano os principais responsáveis pelo crescimento da renda real do trabalhador. O aperfeiçoamento da qualidade do esforço humanoresulta em incrementos de produtividade. Conforme esta aumenta, em resposta aos crescentesgastos em qualificação, a taxa de retorno torna-se positiva. Assim, a maior parte da diferençaexistente entre rendimentos seria resultante dos diferentes montantes investidos nos indivíduos, oque significa que investir em capital humano contribui na redução das desigualdades de renda
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.A idéia principal de Schultz (1973) é de que não é possível haver crescimento econômicosimplesmente pelo aumento da quantidade dos insumos tradicionais – capital físico, trabalho eterras – mas sim, através da introdução de novas formas de capital, tais como o capital humano.
2.2
 
TEORIAS DE CRESCIMENTO ECONÔMICO: O MODELO DE SOLOW E OMODELO DE SOLOW AMPLIADO COM CAPITAL HUMANO
Em meados dos anos 1950, Robert Solow analisou os elementos explicativos do crescimentoeconômico, principalmente o estoque de fatores capital e trabalho. Em seu artigo “
 A Contribution tothe Theory of Economic Growth
”, de 1956, mostrou a interação entre o crescimento da força detrabalho, o estoque de capital e os avanços tecnológicos em uma economia e como tal relação afetaa produção total de bens e serviços de um país (Mankiw, 2003) no longo prazo.Solow (1956) não considerou a variável capital humano na determinação da função de produção. A análise do crescimento sustentado no modelo de Solow exige a inclusão da variável progresso tecnológico à função de produção, sendo esta determinada exogenamente. Ao longo datrajetória de crescimento equilibrado
5
, o produto e o capital por trabalhador crescem à taxa do progresso tecnológico, de forma que é possível afirmar que o este gera crescimento
 per capita
 sustentado. O progresso tecnológico melhora a produtividade do trabalho, impedindo a baixa do produto marginal do capital quando a razão capital/trabalho aumenta.
4
Nessa concepção, investir em capital humano colabora na distribuição de renda desde que seu acesso seja amplamentedisponibilizado à população. Caso contrário, será fonte de desigualdade entre os trabalhadores qualificados e nãoqualificados.
5
A trajetória de crescimento equilibrado, segundo Jones (2000) pode ser descrita como uma situação em que capital, produto, consumo e população crescem a taxas constantes.

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