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Orfeu da Conceição

Orfeu da Conceição

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1
Orfeu da Conceição
Tragédia carioca em três atos
 A Susana de MoraesMinha filha
Now strike the golden lyre again:A louder yet, and yet a louder strain.Break his hands of sleep asunder,And rouse him, like a rattling peal of thunder.Hark, hark! the horrid soundHas raised up his head;As awaked from the dead,And amazed, he stares around.John Dryden, "Ode in Honour of St. Cecilia's Day"...sin pan, sin música, cayendoen la soledad desquiciadadonde Orfeo le deja apenasuna guitarra para su almauna guitarra que se cubrede cintas y desgarradurasy canta encima de los puebloscomo el ave de Ia pobreza.Pablo Neruda, "La Crema"Todas as personagens da tragédia devem ser normalmenterepresentadas por atores da raça negra, não importando isto emque não possa ser, eventualmente, encenada com atores brancos.Tratando-se de uma peça onde a gíria popular representa um papelmuito importante, e como a linguagem do povo é extremamentemutável, em caso de representação deve ela ser adaptada às suasnovas condições.As letras dos sambas constantes da peça, com música de AntônioCarlos Jobim, são necessariamente as que devem ser usadas emcena, procurando-se sempre atualizar a ação o mais possível.
 
2
PERSONAGENS
ORFEU DA CONCEIÇÃO, o músicoEURÍDICE, sua amadaCLIO, a mãe de ORFEUAPOLO, o pai de ORFEUARISTEU, criador de abelhasMIRA DE TAL, mulher do morroA DAMA NEGRAPLUTÃO, presidente dos Maiorais do InfernoPROSÉRPINA, sua rainhaO CÉRBEROGENTE DO MORROOS MAIORAIS DO INFERNOCORO e CORIFEUAÇÃO: Um morro cariocaTEMPO: 0 presente
O MITO DE ORFEU*
Orfeu teve desgraçado fim. Depois da expedição à Cólchida, fixou-se na Trácia e ali se uniu à bela ninfa Eurídice. Um dia, como fugisseEurídice à perseguição amorosa do pastor Aristeu, não viu umaserpente oculta na espessura da relva, e por ela foi picada. Eurídicemorreu em consequência, e desde então Orfeu procurou em vãoconsolar sua pena enchendo as montanhas da Trácia com os sonsda lira que lhe dera Apolo. Mas nada podia mitigar-lhe a dor e alembrança de Eurídice perseguia-o em todas as horas.Não podendo viver sem ela, resolveu ir buscá-la nas sombriasparagens onde habitam os corações que não se enterneceram comos rogos humanos. Aos acentos melódicos de sua lira, os espectrosdos que vivem sem luz acorreram para ouvi-lo, e o escutavamsilenciosos como pássaros dentro da noite. As serpentes queformam a cabeceira das intratáveis Eríneas deixaram de silvar e oCérbero aquietou o abismo de suas três bocas. Abordandofinalmente o inexorável Rei das Sombras, Orfeu dele obteve o favorde retornar com Eurídice ao Sol. Porém seu rogo só foi atendidocom a condição de que não olhasse para trás a ver se sua amada oseguia. Mas no justo instante em que iam ambos respirar o clarodia, a inquietude do amor perturbou o infeliz amante. Impacientede ver Eurídice, Orfeu voltou-se, e com um só olhar que lhe dirigiuperdeu-a para sempre.
 
3
As Bacantes, ofendidas com a fidelidade de Orfeu à amadadesaparecida, a quem ele busca perdido em soluços de saudades, evendo-se desdenhadas, atiram-se contra ele numa noite santa eesquartejam o seu corpo. Mas as Musas, a quem o músico tãofielmente servira, recolheram seus despojos e os sepultaram ao pédo Olimpo. Sua cabeça e sua lira, que haviam sido atiradas ao rio, acorrenteza jogou-as na praia da Ilha de Lesbos, de onde forampiedosamente recolhidas e guardadas.*
Excerto de La leyenda dorada de los dioses y de los héroes, da autoria do helenistaMario Meunier.
 
PRIMEIRO ATO
CENA
O morro, a cavaleiro da cidade, cujas luzes brilham ao longe. Platôde terra com casario ao fundo, junto ao barranco, defendido, àesquerda, por pequena amurada de pedra, em semicírculo, da qual desce um lance de degraus. Noite de lua, estática, perfeita. Nobarranco de Orfeu, ao centro, bruxuleiam lamparinas. Ao levantar o pano, a cena é deserta. Depois de prolongado silêncio, começa-se aouvir, distante, o som de um violão plangendo uma valsa* que pouco a pouco se aproxima, num tocar divino, simples e direto
 
comouma fala de amor. Surge o Corifeu.
* Nesta peça deverá ser tocada, obrigatoriamente, a valsa "Eurídice" de millha autoria -Vinicius de Moraes.
 
CORIFEU
São demais os perigos desta vidaPara quem tem paixão, principalmenteQuando uma lua surge de repenteE se deixa no céu, como esquecida.E se ao luar que atua desvairadoVem se unir uma música qualquerAí então é preciso ter cuidadoPorque deve andar perto uma mulher.Deve andar perto uma mulher que é feitaDe música, luar e sentimentoE que a vida não quer, de tão perfeita.Uma mulher que é como a própria Lua:Tão linda que só espalha sofrimentoTão cheia de pudor que vive nua.
CLIO
(de dentro, a voz estremunhada)É o violão de Orfeu... Escuta Apolo.

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