natureza mesma do pensamento é tal, que se usar o pensamento como uma ajudaencaminhada à experimentação, pode-se obter algo; por isso a ciência chega a certasrespostas.Mas a religião também chega a certas respostas, porque a religião também éexperimentação. A ciência experimenta com o objeto, a religião experimenta com osujeito, mas ambas as som experimentações e ambas dependem dos experimentos. Entreelas duas está a filosofia: só puro pensamento, pensamento abstrato, sem nenhumexperimento. Pode seguir, pode seguir, mas não chega a nenhuma parte. O pensamentoabstrato, o pensamento especulativo, é pensamento sem fim. Pode desfrutar, podedesfrutar da viagem, mas não há meta.A religião e a ciência são similares em certo modo, ambas acreditam noexperimento. É obvio, o experimento religioso é mais profundo que o cientista, porquena ciência o experimentador mesmo não está envolto. Está trabalhando comferramentas, trabalhando com coisas, trabalhando com objetos; ele permanece distante,ele permanece fora do experimento. A religião é uma ciência mais profunda, porque oexperimentador mesmo se converte no experimento. Não há mais ferramenta que ele,não há nenhum objeto que esteja fora dele. Ele é ambas as coisas, suas ferramentas, seusobjetos, seu método; ele o é tudo. E tem que trabalhar consigo mesmo.Isto é árduo. Como está envolto, é árduo. E como está envolto, o experimento seconverte em uma experiência. Na ciência, o experimento não deixará de ser umexperimento. O cientista não será afetado por isso, não será transformado por isso. Ocientista seguirá sendo o mesmo. Mas na religião, ao passar pelo experimento, será umhomem inteiramente diferente. Não pode sair sendo o mesmo; tem que trocar. Por isso oexperimento religioso se converte em experiência.Recorda isto: pode seguir pensando em Deus, na alma, no outro mundo, e pode queaparentes que sabe algo a respeito de Deus simplesmente pensando nele. Isso será falso.Não pode saber nada a respeito de Deus; a palavra «aproxima» é absurda. Podeconhecer deus, mas não pode saber «aproxima»... Esse «aproxima» cria a filosofia.Como vai ou seja algo a respeito de Deus? Ou, por exemplo, como vai ou seja algosobre o amor?Pode conhecer o amor; não pode saber sobre o amor, porque «aproxima» significaque alguma outra pessoa sabe e você crie em seu conhecimento. Recolhe e aprovisionaopiniões. Diz: «sei algo sobre Deus». Todo conhecimento que é «aproxima» é falso,perigoso, porque pode ser enganado por ele.Pode conhecer deus, pode conhecer o amor, pode te conhecer ti mesmo, masesquece esse «aproxima». Esse «aproxima» é a filosofia. Os Upanishads dizem algo,veda-os dizem algo, a Bíblia diz algo, o Corán diz algo, mas, para ti, todo isso se voltará«aproxima». A não ser que se volte sua experiência, é fútil, está estragado.Este ponto tem que penetrar profundamente em ti, porque pode seguir pensando, e amente é tal que pode começar a pensar a respeito da meditação. Pode fazer de algo oobjeto do pensamento. Inclusive pode pensar a respeito da meditação, e pode seguirpensando a respeito dela, não acontecerá nada.Estou falando de muitos métodos. Há um perigo, pode que comece a pensar arespeito destes métodos, pode que te volte erudito. Isso não servirá, isso não serve paranada. Não só não serve para nada, mas também além disso é perigoso, porque ameditação é experiência, saber «aproxima» não tem nenhum valor.Recorda esta palavra «experiência». Os problemas da vida, todos os problemas davida, são existenciais, não são especulativos. Não pode resolvê-los pensando; só poderesolvê-los vivendo-os. Vivendo se abre o futuro. Pensando nunca se abre o futuro. Pelocontrário, inclusive o presente se fecha.
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