É destacado ainda enquanto luz. Ela (a luz), é associada ao conhecimento,logo, àqueles que experimentam o Daime, estão ingerindo a Santa Luz e adquirindonovos conhecimentos, enxergando a si mesmo, o outro e outros mundos. Além disso,o chá sagrado representa a renovação, a revitalização e cura. O homem ao “navegar” com ele nasce novamente e com isso se reintegra.Em duas das visões de Daniel, notamos a presença da água, isto porque omesmo encontrava-se deitado às margens de um rio ou à beira de um igarapé. Aprimeira sem o uso do Daime e a última sobre o efeito deste enteógeno. Estas visõesmostram uma passagem, a ligação com os tempos primordiais, com Deus e o início damissão.O Daime é considerado uma substância de poder. Todavia, esta água sagradanão é acessível a qualquer momento. O homem terá que passar por uma série deprovas, demonstrando assim que é digno dela. A bebida também é tida como um instrutor que ensina os participantes dosrituais que a utilizam. Estes ensinamentos estão presentes desde o momento em queMestre Daniel resolveu formar a missão através da visão do livro azul. O livro azulcompreende os ensinamentos e é onde os fiéis recebem sintetizadas as instruçõesprovenientes de planos sagrados elevados. Estas instruções são passadas através delindas melodias, ricas em símbolos, chamadas de salmos.
EIXOS SIMBÓLICOS E RITUAL
O repertório simbólico da Barquinha, que está expresso na arquitetura, podeser imaginado como uma colcha de retalhos, onde as partes se encaixam formando otodo. Designamos de costura a experiência ritual nos lugares da barca, porque é noritual que temos a tônica da expressão do lógico e do sensível. Não é minha intençãodiscutir toda a simbologia da Barquinha, mas sim alguns eixos, para compreendermelhor dentro da estrutura espacial, os trabalhos rituais apresentados/representadospelos marinheiros do mar sagrado e pelos oficiais do mar sagrado.
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De toda a extensapartitura simbólica, escolhi três símbolos principais da arquitetura: a mesa em formade cruz, o cruzeiro e o parque.1 - A mesa em forma de cruz está no centro de todo um conjunto de símbolos. A experiência sagrada demonstra a fundação do mundo e Mestre Daniel ao tomarcontato com o sagrado fundou a missão e revelou o real, distanciando-se do mundoprofano e de ilusão. Neste espaço está presente a mesa, o símbolo principal. Logo, amesa em forma de cruz se torna a fonte cristalina do jardim dos símbolos. Ao redor dela, existem seis cadeiras de um lado e seis do outro, representandoos 12 apóstolos de Cristo. É necessário destacar que há uma hierarquia para se chegaraté a mesa. Inicialmente, instruções são dadas a São Francisco das Chagas que asrepassa ao Presidente do espaço. A mesa é a peça principal de um grande origame, pois, de lá os rituais sãoabertos e também fechados. Nela, encontramos um livro azul aberto que expressam os10 mandamentos.
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Apresentação e representação caminham juntas, isto porque o praticante pode representar o sagradodurante uma performance ritual. Por outro lado, entidades podem apresentar-se nos rituais, inclusive,usando o corpo dos adeptos. A arquitetura, os gestos, as melodias representam outros planos e outrosseres, mas quando sentidos, tornam-se apresentados.
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