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Wasson questionou sua utilização, pois etimologicamente esta palavra significa
divagar mentalmente o hablar sin sentido,
tendo também a conotação de
estar loco o delirar
, eestes traços não seriam representativos da experiência. O autor propôs denominá-los
enteógenos
, que significa
Dios dentro de nosotros,
pois caracterizaria melhor aessência destas vivências (1980:232). Eles também foram denominados
psicomiméticos
, que traduz-se em
imitadores da psicose,
ao comprovar-se quemuitos indivíduos sob seus efeitos experimentavam estados similares à loucura(Cohen, 1968). Osmond, ao observar que nem sempre se vivenciavam estados dedesequilíbrio mental, mas, pelo contrário, às vezes eram experiências que pareciamexpandir os limites da consciência, propôs o termo
psicodélicos
já que
enriquecem o espírito, ampliam a visão, manifestam o espírito
(1972:64).
USOS DOS AGENTES PSICODELICOS
Segundo os dados etnográficos e históricos, os agentes psicodélicos foramempregados ao longo dos tempos em diferentes culturas, geralmente com finsreligiosos e terapêuticos. Por exemplo, os cogumelos (que contém
pylocibina
) e ocactos peiote (que contém
mescalina)
, eram usados entre os nativos do México e dosudoeste dos Estados Unidos muito antes da chegada dos espanhóis; a
ayahuasca
(que contém
DMT
), era conhecida desde tempos imemoráveis pelos indígenasamazônicos (La Barre, 1972; Furst, 1976; Schultes, 1986).Quando nas culturas tradicionais estes agentes eram empregados com finsterapêuticos, não se pretendia meramente uma melhoria dos sintomas, mas, e talvezcom uma visão mais holística do homem, se buscava atingir experiências de
transcendência
que restaurariam o equilíbrio entre o homem doente e seu cosmossimbólico. Como o transtorno orgânico colocava-se num segundo plano, a remissãosintomática não era necessariamente um indicador da cura, nem a morte do pacientemarcava o fracasso do tratamento. A cura, então, é mais uma transformação espiritual do que a desaparição dossintomas da doença. Achterberg descreveu deste modo o processo de cura:
é entrar num momento no qual se sente a verdade extática de estar absoluta e totalmente unido a todos os aspectos da criação. Esse momento é em si mesmo tanto a definição como o objetivo da cura. Às vezes, os problemas físicos desaparecem, outras vezes, o paciente morre. De qualquer jeito, no instante de conexão, de unidade, a cura é atingida
(1988: 123).
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Nas nossas sociedades ocidentais, a partir da década de 60, começaram aquestionar-se os valores até então vigentes: o racionalismo, o materialismo, otecnicismo, etc., revalorizando as filosofias orientais e indígenas. Nessa época renasceuo interesse pela exploração dos diferentes estados de consciência, pelas experiênciasmísticas e pelos agentes psicodélicos, os quais se popularizaram como caminhos deauto-conhecimento. O movimento
hippie
, Aldous Huxley e as narrativas das suasexperiências com mescalina, o polêmico Timothy Leary em defesa do LSD, CarlosCastaneda escrevendo seus aprendizados com um xamã mexicano, são significativosexpoentes desses anos.Nessa época também começou a mudar a concepção mecanicista, positivista ehiper racional da ciência para uma visão mais holística e subjetiva.Estas mudanças atingiram à Psicologia, e na década de 70, surgiu uma nova
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Esta citaçao, cujo original encontra-se em inglês, foi traduzida livremente por mim.
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