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SOCIEDADE
CLARA SOARES
A
ssim que entram na sala, ga-nham outro fôlego. Agarradosàs cadeiras de rodas, os miú-dos já sabem onde devem ficardurante a sessão. O mote é lançadopela terapeuta, que inicia os primeirosacordes da melodia
Os Três Palhaci-nhos
, que eles reconhecem igualmenteatravés de pautas com imagens, afixa-das nas paredes.Ana Isabel, 13 anos, não tem atra-so mental, mas a paralisia cerebraldeixou-a sem coordenação dos mem-bros e impossibilitada de falar. Embo-ra não consiga seguir o ritmo na per-feição, acompanha a letra através dosdesenhos e tecla os sons no órgão,graças a um capacete equipado comum ponteiro.Atenta aos movimentos dos «prota-gonistas», Gabriela Rodriguez de Gil,argentina radicada em Portugal e hátrês anos a trabalhar no núcleo regio-nal de Faro da Associação Portuguesade Paralisia Cerebral, vai orientando asessão de musicoterapia que dura, emmédia, 45 minutos.«A ideia não é fazerem uma produ-ção musical rigorosa», esclarece. As-sim exercitam a motricidade, a expres-são e outras capacidades, que am-pliam depois, no quotidiano.Formada pela Universidade de Sal-vador, a musicoterapeuta construiu,com a ajuda do pai, uma instalaçãometálica que comporta vários instru-mentos musicais adaptados.As argolas de pé e mão, ligadas porroldanas, os interruptores de queixo eoutros engenhos criados especifica-mente para cada caso permitem accio-nar cada peça do conjunto e trabalharas noções de espaço e de tempo, e sepossível, de sincronização.Graciete Campos, directora do nú-cleo de Faro, é a primeira a mostrar-sesatisfeita com os resultados. Apesar dese tratar de uma população com defi-ciências neurológicas e mentais, cujosprogressos são lentos, «registaram-semelhorias significativas ao nível da au-to-estima, da socialização e até das ca-pacidades cognitivas».
Pequenas conquistas
A aplicação da música na reabilita-ção ganhou visibilidade durante asduas guerras mundiais, quando os ve-teranos incapacitados, física e emocio-nalmente, apresentavam rápidas me-lhoras na sequência das visitas de mú-sicos aos hospitais de campanha.Com a oficialização do primeirocurso de musicoterapia, no Estadoamericano de Michigan, nos anos 40,a especialidade passou a ser reconhe-cida internacionalmente, conquistan-do mais adeptos nos sistemas de saú-de da América do Sul, Estados Unidose Reino Unido.A partir dos anos 80, esta técnicaexpressiva foi largamente difundidano contexto psiquiátrico – em Lisboa,surgiram projectos-piloto no HospitalJúlio de Matos. Com os avanços da
SAÚDE
Terapia pela música
A produção de sonoridades a partir de instrumentos,com ou sem recurso à voz,está a ser aplicadacom êxito na reabilitação de crianças com deficiência
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VISÃO
17 de Abril de 2003
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AO SOM DE ‘OS TRÊS PALHACINHOS’
Com a ajuda de engenhos especiais,Ana Isabel e os outros meninos exercitam a motricidade
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