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Aula 06

Aula 06

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CURSO REGULAR DE DIREITO CONSTITUCIONALPROFESSORES VICENTE PAULO E FREDERICO DIAS
Aula 6 - Organização do Estado
Na aula de hoje, estudaremos como a Constituição Federal de 1988 estruturouo nosso Estado, especialmente no tocante à forma de Estado (federal), formade governo (republicana) e sistema de governo (presidencialista).Em comparação a outros assuntos por nós já estudados neste curso on-line, ostópicos examinados nesta aula são uma moleza, embora repletos de detalhes!Afinal, eles tratam de assuntos que estão na mídia o tempo todo, em debatesna televisão, em discussões no rádio etc. Se a matéria jornalística aborda ocontrole exercido pelo Tribunal de Contas da União sobre as obras(superfaturadas) do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), alguémfaz referência ao princípio republicano; se o debate no rádio é sobre ainterferência da União na legislação sobre o ICMS (tributo estadual),provavelmente algum governador invocará ofensa à autonomia política dosestados, ou dirá que essa intervenção da União desrespeita o princípiofederativo - e assim por diante.Vamos, então, iniciar o nosso estudo, tratando das formas de Estado.1) Formas de EstadoQuando examinamos as formas de Estado, preocupamo-nos com a verificaçãode
quantos poderes políticos autônomos existem no território doEstado.
A depender dessa relação - entre território e poder político -, teremosas duas clássicas formas de Estado: unitário e federado.
O Estado unitário
(ou simples) é aquele em que não há uma descentralizaçãopolítica, isto é, não há uma divisão espacial e política de poder, sendo todas ascompetências definidas pelo poder político central. Em outras palavras: noEstado unitário, temos um só poder político central, que irradia suacompetência em todo o território. Constitui, pois, caso de
centralizaçãopolítica.
Modernamente, o Estado unitário pode ser de três espécies:a) centralizado (ou puro);b) descentralizado administrativamente; ec) descentralizado administrativa e politicamente.
No Estado unitário centralizado
(ou puro), o poder político central não sódefine como também executa diretamente, de forma centralizada, as políticaspúblicas. Ou seja: no Estado unitário puro, temos não só uma centralizaçãopolítica (definição das políticas públicas) como também uma centralizaçãoadministrativa (execução dessas políticas); definição
e
execução estão,portanto, centralizadas no mesmo poder político central.
No Estado unitário descentralizado administrativamente
(ou regional), opoder político define as políticas públicas, mas não as executa diretamente,criando entidades meramente administrativas para esse fim. Ou seja: noEstado unitário descentralizado administrativamente, temos um exemplo decentralização política (na definição das políticas públicas pelo poder político
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central) e descentralização administrativa (na execução dessas políticas pelasentidades administrativas - autárquicas - criadas para esse fim).
No Estado unitário descentralizado administrativa e politicamente,
além da descentralização meramente administrativa (para a execução daspolíticas públicas), os entes descentralizados recebem, também, certaautonomia política para, no momento da execução das decisões adotadas pelopoder central, decidir no caso concreto a mais conveniente e oportuna atitudea tomar.Cuidado! Veja que a diferença entre o Estado unitário descentralizadoadministrativamente e o Estado unitário descentralizado administrativa epoliticamente é que, no primeiro, os entes descentralizados
apenasexecutarão
as decisões adotadas pelo governo central ("cegamente", sememitir juízo de oportunidade e conveniência sobre a tarefa a ser executada), aoque passo que, no segundo, os entes descentralizados, ao executar as decisõesdo governo central, apreciarão, no caso concreto, a conveniência e aoportunidade de adoção desta ou daquela atitude (aqui, na emissão desse juízo de oportunidade e conveniência, é que se encontra a parcela de
descentralização política).
Importante: nos dias atuais, predominam os
Estados unitáriosdescentralizados administrativa e politicamente,
isto é, aqueles em quetemos não só a descentralização administrativa (de execução das decisões dogoverno central), como também descentralização de parcela da autonomiapolítica (para os entes descentralizados decidirem que medida adotar, deacordo com a oportunidade e a conveniência que cada caso concretorecomende).
O Estado federado
(composto, complexo ou federal) é aquele formado poruma união indissolúvel de entidades regionais dotadas de autonomia política,isto é, com capacidade de autogoverno, auto-organização (autolegislação) eautoadministração. Essa união indissolúvel de entidades autônomas éestabelecida no texto de uma Constituição, que reparte entre tais entidades ascompetências do Estado. Constitui, pois, caso de
descentralização política.
A República Federativa do Brasil, por exemplo, é um Estado federal, porqueformado pela união indissolúvel de entidades dotadas de autonomia política(União, estados, Distrito Federal e municípios) estabelecida no texto de umaConstituição, de forma que a cada ente federado sejam atribuídascompetências próprias.São, portanto, características de um Estado federado: (a) união de diferentesentes; (b) autonomia política desses entes; (c) indissolubilidade (vedação àsecessão); (d) repartição de competências, estabelecida no texto de umaConstituição.Importante destacar que, na federação, os entes federados dispõem, apenas,de
autonomia
política (e
não
de soberania). Na prática, significa dizer que,em um Estado federado, "ninguém pode tudo"! Todos os entes federados sópodem exercer as suas competências nos termos e nos limites estabelecidosna Constituição. A autonomia política é exatamente isto: exercício de
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competências nos limites estabelecidos pela Constituição (daí o fato de ser a"repartição constitucional de competências" o ponto nuclear de um Estadofederado); todos os entes federados dispõem de competências próprias, massomente nos limites estabelecidos pela Constituição Federal; logo, nenhumente federado poderá invadir a competência de outro, sob pena deinconstitucionalidade.Desse modo, em um Estado federado, os entes componentes
não dispõem desoberania
(dispõem, apenas, de autonomia política). Só dispõe de soberaniao todo, o Estado federado, nas suas relações internacionais com outrosEstados soberanos. No nosso caso, portanto, temos o seguinte: a União, osestados, o Distrito Federal e os municípios dispõem, apenas, de autonomiapolítica; só o todo, a República Federativa do Brasil, é que dispõe de soberanianas suas relações com outros Estados soberanos.Essa confusão entre autonomia e soberania é muito cobrada em provas, comonestes exemplos:
"(ESAF/EPPGG/MP0G/2009) Nem o governo federal, nem os governos dosEstados, nem os dos Municípios ou o do Distrito Federal são soberanos, porque todos são limitados, expressa ou implicitamente, pelas normas positivas da Constituição Federal." "(ESAF/AFC/CGU/2008) A organização político-administrativa da RepúblicaFederativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal eos Municípios, todos soberanos, nos termos da Constituição." 
A primeira está certa, pois, como vimos, os entes federados dispõem, apenas,de
autonomia,
nos limites estabelecidos na Constituição (e
não
desoberania); a segunda está errada, já que todos os entes federados dispõem,apenas, de
autonomia.
A forma federativa de Estado nasceu nos Estados Unidos da América (em1789, com a promulgação da Constituição dos Estados Unidos da América) e,de lá para cá, foi sendo implantada por diferentes Estados soberanos. O Brasil,por exemplo, não nasceu como Estado federado. Inicialmente, adotou-se, aqui,a forma de
Estado unitário.
Somente na
Constituição de 1891
é que foiimplantada, entre nós, a
forma federativa de Estado,
com adescentralização política do poder.Vale destacar, ademais, que nem mesmo a união norte-americana nasceu soba forma federativa de Estado. Com efeito, inicialmente, as colônias norte-americanas uniram-se sob outra forma de Estado composto, a chamada
confederação
(a confederação funcionou, assim, como um embrião para onascimento da federação). Na confederação, os poderes políticos sãoorganizados no texto de um
tratado internacional
e dispõem de
soberania
e do
direito de secessão
(logo, os Estados podem se separar daconfederação quando entenderem conveniente). Enfim, a confederaçãoconstitui uma união
dissolúvel
de poderes políticos
soberanos,
formalizadaem um
tratado internacional.
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