Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
1Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Valor117-2009-A política boa ou má

Valor117-2009-A política boa ou má

Ratings: (0)|Views: 2|Likes:

More info:

Published by: Fábio Wanderley Reis on May 03, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/24/2014

pdf

text

original

 
A política boa ou má
Fábio Wanderley ReisA edição eletrônica da revista
 Newsweek 
exibe, desde 18 de junho,matéria de Jeremy McCarter (“Reagan Was Wrong”) sobre Henry Fairlie,escritor e jornalista britânico radicado nos Estados Unidos a partir de 1966e falecido em 1990. Fairlie, que se definia como conservador mas criticouduramente o Partido Republicano e o mitificado Ronald Reagan, via naesfera política “o único lugar em que um povo livre pode lutar contra astiranias das outras esferas – especialmente a econômica”. A política era, para ele, “essencialmente boa”, e os políticos eram os mensageiros a justificar a esperança no empenho de uma sociedade em apefeiçoar-se emelhorar.É evidente o contraste dessa perspectiva com a “repugnância” pela política, na expressão usada há pouco até em editoriais da imprensa brasileira, que parece prevalecer entre nós. Esse contraste inclui ou disfarçavárias coisas.Para começar, temos a correspondência, quanto à qual Fairlierepresentaria clara exceção, entre posições conservadoras ou“progressistas” (ou de direita ou esquerda), de um lado, e, de outro, oânimo favorável ou desfavorável à ação política e ao Estado: o rechaço à política e ao Estado seria característico de um conservadorismo inclinado asantificar a esfera privada e o mercado. Mas os valores que aí se revelamcostumam reclamar também um fundamento analítico “realista”. Contra asilusões e o “sonho” das esquerdas, que respaldam a concepção da políticacomo a esfera da luta nobre contra as tiranias privadas, cabe ver oenfrentamento dos interesses ou egoísmos privados como natural oumesmo bom.De parte a parte, há fatores diversos de confusão, alguns dos quaistenho aqui apontado às vezes. Assim, a desqualificação da política (a“repugnância”) pode nascer precisamente da sua idealização. Tratando-secom ela da busca do bem público, supõe-se que o fato de que o interesse próprio seja motivação importante também na política não possa ser visto
1
 
senão como inaceitável, em contraste com o realismo leniente quanto àconduta guiada pelo interesse na esfera econômica e privada. Seria precisocontar, portanto, com gente feita de massa especial e singular propensão àvirtude para dedicar-se à política.À esquerda, por seu turno, temos a frequente satanização do mercadoe a vilificação do interesse como tal, contrapostas à utopia da solidariedadee do altruísmo que seria possível pretender como orientação na ação política. O que se tende a esquecer aqui é a complicada relação do valor dasolidariedade com o valor da autonomia. Trata-se, com este último, detrazer a cada um a possibilidade de afirmar-se e realizar-se, o que,compondo o ideário tradicional da esquerda, redunda em redefiniçãoambiciosa da ideia mesma de interesse. Em abstrato, a complicaçãoenvolvida pode ser expressa no que alguns têm descrito como a precedência lógica do egoísmo sobre o altruísmo: se não há, para começar,alguém que goze pura e simplesmente os frutos do altruísmo solidário dosdemais, para quê (ou, na verdade, como) ser altruísta? Num plano talvezmais comezinho, não há como favorecer a autonomia dos cidadãos ecomeçar por negar-lhes a autonomia na fundamental esfera econômica,vale dizer, por negar o mercado.Essa acolhida ao interesse e ao mercado não tem por que deixar de ir além de um liberalismo restrito ao mero plano econômico. Não queremos asociedade em que a ameaça a interesses ou valores importantes, ou a nossosdireitos, exija a permanente mobilização política. Queremos, ao contrário, asociedade em que nos seja facultado ir para casa em paz, precisamente porque nossos valores (nossos direitos e mesmo interesses) estãogarantidos.Mas essa sociedade tem de ser construída – politicamente. E talconstrução, onde surge a política “essencialmente boa” de Fairlie em que asociedade se empenha em tornar-se melhor, tem necessariamente de valer-se da conciliação, tão hábil quanto possível, da inspiração nobre cominteresses diversos cuja simples coexistência tende a produzir conflito, mascuja capacidade de afirmar-se consistentemente no plano político é umcomponente indispensável do processo. A boa política de Fairlieobviamente supõe um Estado suscetível de transformar-se no instrumento
2

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->