TEORIA SOCIEDADE nº 15.
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– uo-deemro de 2007
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Sob uma determinada ótica esse protagonismo político, também designadopelas expressões
ativismo judicial
e
judicialização da política
1
, vai de encontro aoprincípio da soberania popular exercida por meio da eleição dos representantes po-pulares em que se assentam as democracias
2
. Isso ocorre em função da emergênciade uma hermenêutica constitucional que, liberta dos grilhões da intenção originaldo legislador constitucional, promove uma ruptura com uma hermenêutica tradi-cional fundamentada em uma interpretação restritiva dos textos constitucionais.Portanto, tem-se o campo aberto para a negação de um limite democrático-republi-
cano tradicional ao Poder Judiciário: o de intérprete el da intenção do legislador
constitucional legitimado pela eleição popular. Assim, interpretação judiciária dasleis e criatividade dos juízes deixam de ser consideradas como antitéticas. Em vezdisso, a interpretação judiciária do direito legislativo redunda na formulação deum direito judicial que é expressão de uma crescente criatividade jurisprudencialnas democracias contemporâneas (Cappelletti 1993)
3
.
1
O fenômeno da
judicialização da política
envolve tanto a extensão das áreas de atuação doPoder Judiciário, quanto a adoção de procedimentos de inspiração processual e de parâmetros jurisprudenciais por parte de outros atores políticos (Vallinder 1994).
2
Ainda que a noção de
judicialização da política
possa conotar, pelo menos em alguns con-textos, uma concepção dos papéis do Poder Judiciário fundada em um modelo liberal deEstado marcado por um esquema de repartição de poderes há muito superado (Maciel eKoerner 2002), e uma negatividade do protagonismo judicial nas democracias contempo-râneas; não se pode perder de vista os aspectos positivos da
judicialização da política
paraos processos de aprofundamento da democracia em países como o Brasil (Eisemberg 2002; Vianna e Burgos 2002).
3
Não se pode perder de vista que nos marcos do constitucionalismo democrático (Cittadino
2002) opera-se uma redenição das relações entre os poderes do Estado e tem lugar uma
soberania complexa que mescla diferentes formas de representação popular na qual encontramlugar de destaque as instituições judiciais. Nesse contexto, a hermenêutica constitucionaladequada a uma
sociedade aberta
é aquela que envolve uma pluralidade de atores queparticipam da interpretação constitucional. “No processo de interpretação constitucionalestão potencialmente envolvidos todos os órgãos estatais, todas as potências públicas, todos
os cidadãos e grupos, não sendo possível se estabelecer um elenco fechado ou xado com
numerus causus
de intérpretes da constituição” (Häberle 1997: 13). Assim, em vez de um viésantidemocrático, o protagonismo do Poder Juciciário representa uma componente funda-mental de um processo de interpretação constitucional que, fundado na Tópica, dá origem aum método concretista de interpretação de uma
constituição aberta
denida pelos ideais de
abertura sistêmica e pluralidade social (Bonavides 2000). A partir da noção de
judicializaçãoda política
, Castro (1997) analisa uma amostra de ementas de acórdãos publicados no Diáriode Justiça da União, apresentando informações relevantes sobre o padrão de atuação doSupremo Tribunal Federal no Brasil.
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