ponta de ironia.Há vários dias que a sra. Smith vinha aborrecendo Kristi com sua petulância. Parecia que nada era capaz desatisfazê-la.
—
Você me dá licença por um minuto, Alice? — Kristi pediu, levantando-se e caminhando com Jane emdireção à sala de costura.
—
Claro. Fique à vontade — Alice assentiu, num tom amável.
—
Estou com vontade de estrangular a sra. Smith — Jane segredou a Kristi, com uma careta cómica.Calma, garota — Kristi recomendou, contendo o riso. O cliente sempre tem razão.Mas você há de convir que essa
adorável
senhora está passando dos limites! — Jane reclamou. — Já não podemos dizer o mesmo da filha dela, que é um amor. —Vamos enfrentar a
fera.
— Kristi abriu a porta da sala de costura e ambas entraram.Armando-se de paciência, ela ouviu as opiniões de Lillian Smith e anotou, num bloco, as modificações que a velhasenhora desejava fazer, na grinalda. Por fim, explicou:
—
Vou enviar o pedido à nossa estilista e, daqui a cinco dias, a senhora e Leslie poderão voltar aqui, para veremcomo ficou. Mas quero avisá-la, sra. Smith, que não poderemos mudar mais nada, no traje de Leslie. Afinal, a senhoramesma aprovou o modelo, quando apresentei-lhe o esboço, há três semanas.
—
Para mim, estava perfeito — disse Leslie, timidamente. — Mas é que mamãe faz questão de mudar o estilo dagrinalda e...
—
Ouça o que estou dizendo, criança — sra. Smith a interrompeu a filha. — A grinalda ficará muito mais bonita,com as modificações que sugeri.
—
Mas a senhora tinha gostado da ideia inicial — Jane protestou.Ignorando o aparte, Lillian Smith encarou Kristi com uma expressão autoritária: —Leslie é minha única filha. E eu quero o melhor para ela.Jane ia protestar novamente, mas Kristi adiantou-se: —Tudo bem, sra. Smith. Vamos acatar sua decisão. Agora com licença. Estou atendendo a uma nova cliente.De volta à sala da recepção, Kristi retomou a conversa com Alice: —Bem, onde estávamos? Ah, sim, falávamos da cerimonia que você pretende fazer. — Retirando um catálogoda gaveta, estendeu-o a Alice. — Aqui temos uma lista do tipo de cerimónia que podemos oferecer. Quero que você a estudeatentamente e volte, num outro dia, para conversarmos. Daí, passaremos a cuidar de outros detalhes.Interessada, Alice folheou o catálogo. —Puxa, vocês fazem todo o tipo de festas...Kristi sorriu, sem ocultar uma ponta de orgulho. De fato, a loja M & K — Consultoria Matrimonial, oferecia umavasta lista de opções aos clientes. No início, a loja era bem modesta, mas com o passar do tempo o negócio fora prosperando. Agora, a M & K era uma dasmais procuradas da cidade, pelas futuras noivas.Quando você decidir o tipo de cerimónia que deseja,falaremos sobre uma infinidade de detalhes — Kristi explicou. — Mas, por enquanto, preciso anotar mais algunsdados a seu respeito.
—
A questão é o que meu irmão pensará disso tudo — Alice comentou, com uma ponta de irritação. — Ele prometeuque pagaria todas as despesas do meu casamento, sabe? Mas pelo jeito pensa que isso lhe dá o direito de se intro-meter em minha vida.
—
Como assim, Alice? — Kristi indagou, surpresa. — O que seu irmão tem a ver com sua decisão de se casar?
—
Nada. Mas temos discutido muito sobre esse assunto e não conseguimos chegar a um acordo. Matt me acha muito jovem e por isso julga que não sei o que quero.
—
Bem... — Kristi ponderou. — Creio que você deve seguir sua própria opinião, e não a de seu irmão.
—
Concordo plenamente. — Alice sorriu, confiante. — E é exatamente isto que farei: vou me casar com Bruce, adespeito do que Matt pensa de tudo isso.
—
Perdoe minha indiscrição, mas... Por que, afinal, seu irmão é contra esse casamento?
—
Boa pergunta — Alice retrucou, aborrecida. — Não sei o que há com Matt. Ele viu Bruce por apenas duasvezes e o detestou. Daí decidiu que eu não devo me casar.Ou melhor: ele quer que eu me relacione com Bruce por mais algum tempo, antes de me decidir.E há quanto tempo você conhece seu noivo?Cerca de dois meses, apenas. Mas você já ouviu falar de amor à primeira vista? Pois foi isso mesmo que me aconteceu.Bastou-me olhar para Bruce, para compreender que ele é o homem de minha vida.Kristi ficou pensativa por alguns instantes. Alice era muito jovem e imatura. Talvez o irmão dela tivesse razão, emaconselhá-la a esperar um pouco mais. —Com licença — disse Matthew Stewart, ao entrar na loja. Alô, Alice. Perdoe-me o atraso, sim? Tivealguns assuntos urgentes a resolver no.escritório e peguei um trânsito terrível, no caminho para cá.
—
Tudo bem, Matt. Agora que você chegou, poderemos discutir o tipo de cerimónia que farei. Ah, deixe-meapresentá-los. Matt, esta é Kristi Beeler. Kristi, este é meu irmão genioso, que pensa que ainda sou uma
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