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Política e Desenvolvimento - O Caso Brasileiro

Política e Desenvolvimento - O Caso Brasileiro

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Published by: Fábio Wanderley Reis on May 06, 2013
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Política e desenvolvimento: o caso brasileiro
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aspecto político da vida dos países subdesenvolvidos é um doselementos decisivos a comporem a própria situação de subdesenvolvi-mento. Numerosos trabalhos recentes no campo da sociologia chamam aatenção para a peculiaridade das condições que caracterizam osubdesenvolvimento, permitindo situá-lo como estádio intermediário entreos termos da clássica dicotomia que opõe sociedades industriais esociedades tradicionais. Nesse ponto de passagem, as tensões engendradas pelas demandas provenientes de um "potencial político" novo,
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que sedefronta com um poder estabelecido de características tradicionais,constituem variável estratégica para a elucidação da problemática geral emque se debatem os países subdesenvolvidos.A fonte de tais tensões deve ser procurada no fenômeno que KarlDeutsch designou pelo vocábulo
mobilização
.
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Anteriormente aos abalosque deram origem às condições hoje indicadas pela expressão"subdesenvolvimento", a sociedade internacional tendia a apresentar ostraços próprios de uma estrutura de castas. A regra era o insulamento dos países, com a escassez de contatos e comunicações traduzindo-se nadesatenção dos nacionais de cada país com respeito aos demais e naimpossibilidade da atuação do mecanismo conhecido como "efeitode demonstração". A expansão do processo de industrialização dos paísesatualmente desenvolvidos para além da área que corresponde ao chamado
1
 
Publicado inicialmente em
 América Latina
, ano 9, n. 3, julho-setembro de 1966, e reproduzido em
Convivium
, vol. X, n. 5, setembro-outubro de 1967. Acreditanto que o texto faz jus a esta novadivulgação, os autores registram uma nota de autocrítica pela pouca ênfase dada ao contextointernacional da Guerra Fria e a sua relevância para os eventos políticos de 1964.
2
 
A propósito da noção de "potencial político", v. Heintz, 1964.
3
 
Cf. Deutsch, 1961.
 
2
"Ocidente" veio alterar esse quadro, possibilitando a "abertura" do sistemainternacional através da intensificação de contatos de todo tipo e, em particular, através da atuação universalizante dos meios de comunicaçãode massa. Um fenômeno de fundamental importância, a urbanizaçãodesencadeada nos países de estrutura tradicional, responde pela eficácia particular deste último fator: arrancando do isolamento e da dispersãorurais um número crescente de indivíduos e juntando-os nas cidades, aurbanização vem expor tais indivíduos à ação dos meios de comunicaçãode massa e, através destes, ao contato com condições de vida próprias de países em fases mais avancadas de desenvolvimento. O deslocamento ea concentração geográfica das pessoas se faz acompanhar, assim, por sua"mobilização" psíquica. A consequência é a elevação geral das aspiraçõese a difusão do desejo de participação crescente no consumo de bensmateriais e culturais de todo tipo. Tais aspirações, colocando-se em avançocom respeito às possibilidades limitadas da estrutura econômica tradicionalou subdesenvolvida, redundam, consequentemente, em pressões cada vezmais amplas no sentido da promoção do desenvolvimento e damodernização das economias em questão. A "revolução das aspirações"se inscreve, assim, no quadro da situação de subdesenvolvimento comouma de suas características básicas, permitindo distingui-la da situaçãotradicional pelo descompasso entre expectativas de consumo em elevação eo aparelho técnico-econômico existente.Ora, as pressões criadas por tal descompasso se dão num quadro emque o poder político (ao qual, como único agente capaz de mobilizar osrecursos necessários, se encaminham as expectativas de desenvolvimento emelhoria geral das condições de vida) é, via de regra, um poder queencontra suas bases e sua sustentação nos aspectos tradicionais daeconomia e da sociedade. Trata-se de um poder exercido, em geral, por uma elite tradicional, que deriva sua dominação da propriedade da terra eque a baseia numa legitimidade de tipo semifeudal. Promover o desen-volvimento do país significa, portanto, em princípio, solapar o fundamentomesmo do controle do poder por parte dessas elites. Por outro lado, promover o desenvolvimento corresponde também a uma necessidadeindisfarçável, dadas a elevação geral das expectativas de consumo da população e as pressões que daí resultam. O panorama se completa selevamos em conta a alteração profunda trazida às regras tradicionais do jogo político pela força política nova representada pelas massas rurais
 
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deslocadas. Nos centros urbanos, serão elas objeto de uma socialização política tendente a estruturar as aspirações que se criam e a catalisá-las em proveito de lideranças de diversos tipos que se opõem, em maior ou menor medida, à estrutura tradicional de poder.
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 Assim, o problema político básico dos países subdesenvolvidos sesitua em torno das eventualidades de uma luta entre duas tendências: arealização de seu desenvolvimento econômico, por um lado, e, por outro, oempenho das elites tradicionais na manutenção de condições compatíveiscom a continuidade de sua dominação. Consideremos a definição desistema político adotada por Gabriel Almond: "... aquele sistema deinterações, encontrado em todas as sociedades independentes, que cumpreas funções de integração e adaptação (tanto internamente quanto peranteoutras sociedades) através do emprego
 – 
ou ameaça de emprego
 – 
dacompulsão física mais ou menos legítima".
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Se tomamos as funções deintegração e de adaptação na conotação original que temos no trabalho deParsons e Bales, o problema nuclear da situação de subdesenvolvimento pode ser visto, à luz dessa definição, em termos da contradiçãoespecialmente aguda que aí se apresenta entre as duas funções, com asdificuldades que surgem ao cumprimento simultâneo de ambas: ocumprimento da função de adaptação (correspondendo basicamente aoaspecto econômico da vida de qualquer sistema e a se identificar, em nossocaso, com a promoção do desenvolvimento) comprometeria a realização dafunção integrativa (correspondente ao aspecto político, em sentido estrito,que se identifica com a manutenção do sistema).Mas não basta dizer que o sistema político é aquele que cumpre asfunções de integração e adaptação. A realização dessas funções básicas sefaz, por sua vez, através de mecanismos funcionais determinados, entre osquais podemos destacar, em termos do esquema conceitual do mesmoAlmond, a articulação e a agregação de interesses. Desse ponto de vista, osistema político se mostra tambem como a esfera institucional à qualchegam, vindos da sociedade, os diversos interesses, visando transformar-se em medidas de poder que os conservem ou promovam. Umaconsequência necessária é que ele deverá passar por reordenações mais ou
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Para uma visão sistemática dos problemas relacionados ao confrontoentre poder tradicional e massas mobilizadas nas sociedades em transição, ver Heintz, 1964b.
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Cf. Almond, 1961, p. 7.

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