em vez de um só.XIVUma das condições que propus à Imprensa da Universidade de Columbia, e queela aceitou, dizia respeito à publicação da obra em português, sem que estapublicação se pudesse considerar uma «tradução» da edição americana eincorresse, portanto, no Copyright que lhe pertencia. De facto, embora o livrofosse originariamente redigido em inglês, reescrevi-o depois, na sua totalidade, emportuguês. Resultaram assim duas versões diferentes, até porque o texto definitivoinglês sofreu consideráveis «podas», a bem da concisão a-romântica e a-barrocado idioma de Shakespeare, estruturalmente oposto à língua de Camões. A par davariedade e maior quantidade de figuras, mapas, quadros genealógicos, etc., istoveio tornar a versão portuguesa bastante mais rica e completa do que aamericana, como aliás seria de esperar. Sai também antes dela, ao menos o 1.ovolume, já que o processo editorial se revelou mais moroso além do que aquém-Atlântico.O plano deve muito a Vitorino Magalhães Godinho, na medida em que se mostrauma adaptação do plano geral previsto para a grande História de Portugal emvários volumes, que aquele historiador projectava e projecta orientar, e onde eutambém me honro de ter parte. A divisão por épocas segue-o de perto. O carácterde manual de consulta levou-me, todavia, a desdobrar cada época em duaspartes: uma relativa à Metrópole e outra ao Ultramar. Foi resolução que destruiuum pouco a unidade e a homogeneidade dos vários capítulos, mas que me pareceter beneficiado o leitor que do livro se queira servir.Insista-se que estamos em presença de um manual para o grande público. Daí aimportância concedida aos resumos, aos factos, à economia das palavras. Daí afuga quase sistemática aos grandes voos interpretativos, às sínteses globaiscobrindo vários séculos de passado, que teriam cabimento em livro mais pequeno,tipo ensaio, ou, pelo contrário, em História altamente desenvolvida -a tal, dirigidapor Vitorino Magalhães Godinho, que há-de surgir num futuro próximo - mas queestariam deslocados em livro de consulta permanente. Não excluí, todavia,interpretações e explicações sempre que me pareceram indispensáveis, a par epasso, mesmo como súmula de algumas grandes épocas.Por isso mesmo, também, o livro não vai muito vincado em ideologia. Não fugi ameia dúzia de adjectivos nem a meia dúzia de casos de apresentação de doutrinaque serão antipáticos a muitos. Mas tenho esperança de que até estesencontrarão utilidade na obra e conseguirão usá-la quotidianamente, com menosasco do que quando eu me sirvo, por exemplo, da obra de Fortunato de Almeida eme vejo obrigado a ler os seus termos ofensivos para os meus princípios e asminhas ideias. Repetindo aquilo que escrevi algures, «acaso a ausência de umaideologia vulgarmente reconhecível fará destes... capítulos uma obra de tendênciaburguesa a olhos marxistas e um livro de cheiro socialista a olhos burgueses.Oxalá assim seja, porque a nada de melhor aspira o autor do que a fugir aos
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mt obrigada pelo livro ;)