Gráficos e mapas ultrapassaram um pouco esse limite, mas apenas em casos raros.Não é sem apreensões que o autor submete ao público este segundo volume. Aexperiência do primeiro foi-lhe, sem dúvida, favorável. Mas os séculos eram maisrecuados, as questões menos candentes, os parcialismos menos fáceis. Entra-seagora nas épocas cruciais da história portuguesa, naquelas que, mas de longe,mais marcaram a nossa actual feição de Portugueses e de cidadãos. O século XIX eo século XX foram períodos de paixões e de ódios. Ainda somos pelo D. Pedro IVou pelo D. Miguel! Ainda tomamos partido contra ou a favor das Irmãs deCaridade! Ainda fremimos ante o Ultimato! Ainda pugnamos pela Monarquia ou pelaRepública! Ainda nos confessamos afonsistas, almeidistas, camachistas ouintegralistas! E quantos, de entre nós, não são pró ou contra o *Estado Novo+,criação de 1930?!Sem falsa modéstia nem pretensa humildade, mas perfeitamente consciente das suaslimitações e hesitações, o autor submete à crítica esclarecida as páginas que sevão seguir. Espera de todos, os que, com honestidade e sinceridade, se debruçarem sobreeste livro, as correcções que ele merece. O leitor verá, nas edições futuras que esta obrapossa vir a ter, todas as modificações que o melhor esclarecimento, a análisemais ponderada e o avanço dos estudos históricos lhe proponham. Disso, podeestar certo.Serra d'El-Rei, 14 de Agosto de 1973.CAPíTULO XA MONARQUIA CONSTITUCIONAL1 - Estruturas do passado e ordem novaA abertura dos portos do Brasil a todas as nações (1808), seguida pelotratado comercial com a Grã-Bretanha, dois anos mais tarde, arruinara as basesda economia portuguesa. Em 1820, a balança de comércio acusava um deficit de 21milhões de cruzados. Com a proclamação da independência do Brasil, novo golpefoi infligido na situação precária das fontes de receita nacionais. Aodesvanecerem-se os sonhos burgueses de recuperar a colónia perdida, com aassinatura do tratado do Rio de Janeiro que lhe consagrou a autonomia (1825),houve que encarar de frente a necessidade de criar para o País uma nova feiçãoeconómica. Para muitos, a solução estava num renascimento da agricultura. Oabade Correia da Serra, fazendo-se eco da atitude fisiocrática, defendera que,em qualquer nação que quisesse tirar proveito das suas riquezas, o primeiropasso consistia em conhecer com rigor a terra que habitava, o que ela produzia eaquilo de que era capaz. Portanto, explorar o solo e fomentar as actividadesagrícolas iriam tornar-se, no Portugal oitocentista, os objectivos primaciais aatingir. Mais do que nunca no passado, a economia portuguesa quis tentar a via
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