Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
1Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
ZANELLA, Maria Nilvane. IVAIPORÃ. Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

ZANELLA, Maria Nilvane. IVAIPORÃ. Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

Ratings: (0)|Views: 35 |Likes:

More info:

Published by: Nilvane E. Ricardo Peres on May 09, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

10/26/2013

pdf

text

original

 
ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: DASESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO À CONSOLIDAÇÃO DO TRABALHO EM REDE
1
 
ZANELLA, Maria Nilvane
2
 O artigo busca orientar a articulação teórico-metodológica da palestra proferida em Ivaiporã
3
 no Estado do Paraná, sobre o combate ao abuso e exploração sexual de crianças eadolescentes, realizada em maio de 2013. Para articular o objeto optou-se por elencar umasérie de informações que podem contribuir para evidenciar o que diferencia o abuso e aexploração sexual de crianças e adolescentes, como é o comportamento dos abusadores edas vítimas, os mitos e a realidade em torno do tema, os sinais e sintomas do abuso sexuale, finalmente os traumas da criança e do adolescente quando sofrem abuso.Posteriormente, o artigo aborda os dados nacionais, estaduais e regionais divulgados peloObservatório Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (OBS). Para finalizar apresentamos informações práticas sobre como operacionalizar a rede de proteção e aformação de profissionais que forma a rede de atendimento básico da criança e doadolescente em municípios de pequeno porte.Palavras-chave: Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Proteção.Prevenção.
1 INTRODUÇÃO
O abuso sexual de crianças e adolescentes possui relação com o contextohistórico da sociedade, por isso, não é possível estabelecer uma definição universal,para o termo, que possui significados diferentes, relacionados à cultura de umadeterminada sociedade.Pensando no contexto mundial, a definição do que significa ser criança emrelação à faixa etária também não possui uma definição única. A Convenção sobreos Direitos da Criança considera criança a pessoa que possui idade inferior a 18anos de idade, o que possibilita que, nas legislaçõe
s internacionais o termo ‘menor’
é utilizado sem restrições. O mesmo não acontece no Brasil que a partir da décadade 90 separou as crianças dos adolescentes definindo as crianças como aquelas
1
 
 Agradeço ao Conselheiro Tutelar Adílson Lúcio Costa, do município de Sarandi/PR por contribuir com informações sobre o tema e a prática cotidiana do Conselho Tutelar no combate ao abuso eexploração sexual de crianças e adolescentes.
 
2
Pedagoga, Mestre em Políticas e práticas em adolescentes em conflito com a lei (UNIBAN/SP);Mestranda em educação (UEM/PR). Especialista em Gestão em Centros de Socioeducação(UFPR); Consultora em políticas da infância e adolescência. E-mail: nilvane@gmail.com
3
Palestra proferida em 07 de maio de 2013, no município de Ivaiporã/PR.
 
2
com idade até 11 anos e adolescentes com idade, entre 12 e 18 anos incompletos,deixando de utilizar formalmente, o termo menor, ainda que ele esteja engendradonas relações sociais estabelecidas. As variações de cada nação, no que se refere à idade e a não diferenciaçãoentre crianças e adolescentes influencia para que não possa haver uma definiçãoglobal para o que significa abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes, já que depende de uma definição etária.Recentemente, ocorreu na Espanha, um caso divulgado mundialmente pela
imprensa: “
Um homem, natural do Equador, abusou sexualmente de uma criança dosexo feminino - 12 anos de idade - alegando que tal acto (
sic! 
) não é consideradocrime no seu país
(CORREIO DA MANHÃ, 2013, s/p). No relato o acusado alegouque em seu país, a mulher desde o início da adolescência está apta a manter relações sexuais, desde que seja do seu consentimento. Tal assertiva baseia-se noartigo 21 do Código Civil Equatoriano que considera criança a pessoa que ainda nãocompletou sete anos de idade; pré-adolescente, o menino, que não completou 14anos e a menina que não possui 12 anos de idade. Ao completar 18 anos a pessoatorna-se adulta e todos aqueles que ainda não o completaram são consideradosmenores
4
(EQUADOR, 1861, s/p). Aqui temos um impasse que foi resolvido da seguinte forma: a justiça
espanhola “
[...] condenou a três anos de prisão e ao pagamento de umaindemnização (
sic! 
) de 3 mil euros o jovem de nacionalidade equatoriana queabusou sexualmente de uma menina de 12 anos
(CORREIO DA MANHÃ, 2013,s/p). Ou seja, no julgamento considerou-se pertinente aplicar a Lei espanhola, localem que ocorreu o fato.O exemplo citado contribui para compreendermos que o abuso sexual decrianças e adolescentes é um fato datado historicamente, que possui contextosculturais, étnicos e também de luta de classes tendo em vista que os padrões decuidado com as crianças mudaram ao longo da história da humanidade. Até o séculoIV era natural que as crianças que nasciam com alguma deficiência física ou motora
4
Art. 21 - Llámase infante o niño el que no ha cumplido siete años; impúber, el varón, que no hacumplido catorce años y la mujer que no ha cumplido doce; adulto, el que ha dejado de ser impúber; mayor de edad, o simplemente mayor, el que há cumplido dieciocho años; y menor deedad, o simplemente menor, el que no ha llegado a cumplirlos (EQUADOR, 1861, s/p) (Traduzidopela pesquisadora, 2013).
 
3
fossem sacrificadas. Do século IV ao século XIII as crianças passaram a ser mantidas distantes emocionalmente dos pais, sendo comum o abandono ou a suavenda para a escravidão. A partir do século XIV até o século XVII, os paiscomeçaram a ter uma maior ligação emocional com as crianças, mas para moldá-lasutilizavam a repressão e os castigos físicos.Muitas crianças do sexo masculino vieram para o Brasil nas grandesnavegações como aprendizes de marinheiros (selecionadas por consumirem menor quantidade de comida e por necessitarem de camas menores, sobrando maior espaço para as mercadorias) ou para auxiliarem os jesuítas na docilização dostupinambás. As meninas, por sua vez, eram trazidas para cá, para desposarem osportugueses e contribuírem com a povoação da nova colônia. Somente no séculoXVIII, com a invenção da escrita e da institucionalização da educação (escola) seinventou a infância como uma categoria e começou a pensar em uma nova forma deinstitucionalização da criança, ensinando-lhes bons hábitos, comportamentosadequados em público e boas maneiras. A partir de então, tornou-se necessáriofazer com que a criança correspondesse às expectativas dos outros e, por isso, écomum que o comportamento dos adultos enquanto pais possa representar umarepetição da forma como foram tratados quando crianças, ou ainda, o seu contrário,a negação disso.Segundo Sanderson (2005, p. 3) as tradições culturais são significativas nos
cuidados que os pais têm com os filhos. Em algumas culturas as “[...] surras severas
para garantir a obediência e a ace
itação das normas culturais” não são consideradasabusivas, mas, “[...] algumas tradições ocidentais, tais como deixar os bebês
sozinhos na própria cama ou no próprio quarto durante a noite, estabelecer horáriosde amamentação rígidos ou deixar que chorem sem atendê-los imediatamente, são
consideradas abusivas”.
 Essas diferenças significam, entretanto, a definição de um padrão decomportamento que é aceitável em uma determinada sociedade. Pensando em umarealidade local brasileira o estabelecimento de relações sexuais entre um adulto euma criança ou adolescente, não é considerado legalmente aceito pelas normativasnacionais que o Brasil adotou a partir da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ocorre que ainda encontramos localidades em que a práticanão causa incômodos na comunidade, sendo esta justificada pelos membros.

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->