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china e india no cenário mundial

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CHINA E ÍNDIA AFETANDO AS NOVAS REALIDADES GLOBAIS
GILBERTO DUPASChina e Índia representam novos fatores que introduzem uma dinâmicadiferenciada na economia mundial neste início de século XXI. Concentrando 37% da população mundial e tendo mantido taxas de crescimento estáveis e muito acima da médiaglobal, esses dois imensos países alteram o equilíbrio estratégico das lógicas globais. Osquadros 1 e 2 ilustram o quanto China e Índia têm tomado espaço na economia mundialnos últimos anos. Apenas para se ter uma idéia do impacto potencial que ainda pode ser ocasionado por ambos os países se o PIB per capita médio dessas duas nações – medido pelo PPP (
 purchase power parity
) – puder atingir valores apenas semelhantes à média dosde Brasil e México, países considerados ainda pobres, seria necessário que fosse gerado por ambos um PIB adicional de 11 trilhões, próximo ao PIB atual dos EUA (vide quadro3). Quando se trata de lidar com o potencial do mercado interno ou o “padrão de vida” das populações é fundamental utilizar o conceito do PIB medido em PPP. Ele relativiza o poder de compra dos indivíduos a partir das diferenças expressivas nos preços relativos,de modo a poder estimar paridades entre diferentes países. Por exemplo, se doisindivíduos moram em uma habitação de três cômodos e metragem semelhante, um delesnos arredores de Bombain (Índia) e o outro em Manhattan (Estados Unidos), supõe-se que – em termos relativos – eles tenham o mesmo “conforto”. No entanto, o primeiro gastacinco vezes menos em dólares que o segundo; e isso é levado em conta no cálculo do PPP.É o que explica por que o PIB
 per capita
da Índia é de 718 dólares e, medido em PPP,chega a 3.486 dólares; em suma, justifica por que a população indiana sobrevive comrenda tão baixa. O conceito do PPP permite uma comparação entre países que leve emconsideração o poder de compra médio relativo das respectivas populações e dá ao PIBassim medido uma dimensão mais realista vista sob a ótica da capacidade de demanda. Aocompararmos o tamanho dos PIBs dos grandes países mundiais por esse critério, notamossignificativas diferenças em relação ao PIB medido em dólar. Elas são particularmenteexpressivas no caso da China, da Índia, do Brasil e da Rússia. China e Índia passam a ser,respectivamente, a 2ª e a 4ª maiores economias mundiais vindas da 4ª e da 12ª posições. OBrasil e a Rússia saltam, respectivamente, da 10ª e 14ª para a 9ª e 10ª posições. Por estecritério, Índia e China somadas já têm praticamente o mesmo peso dos Estados Unidos(vide quadro 4).1
 
É muito importante destacar que a análise da dinâmica da pobreza e daconcentração de renda globais só é possível de ser analisada atualmente a partir dos processos econômicos e sociais que se passam contemporaneamente entre chineses eindianos; as duas nações que os abrigam representam 37% da população mundial e sãodecisivas para um entendimento preciso desses quadros. Os neoliberais insistem emafirmar que, graças à liberalização econômica, pela primeira vez em mais de um século a pobreza mundial e a desigualdade de renda teriam caído durante as duas últimas décadas, provando a tese de que quanto mais abertas as economias, mais prósperos seus países.Assim, os agentes econômicos, impulsionados pela OMC (Organização Mundial doComércio), estariam fazendo crescer a riqueza e distribuindo-a melhor. Para provar essatese eles tentam se apoiar no jogo complexo das estatísticas internacionais, marcadas por alterações metodológicas e incompatibilidades de comparação. Quanto à desigualdade, aquestão é ainda mais complicada. Em primeiro lugar, os números disponíveis são sempresobre renda (fluxo) e não incluem a riqueza (estoque). As distorções aí são muitoagravadas, dado que a classe social com maior estoque de bens (ativos fixos ou recursosmonetários) tem a oportunidade de concentrar muito mais que proporcionalmente seu patrimônio mediante utilização de instrumentos operacionais (serviços bancáriosespeciais, liberdade de circulação mundial dos recursos
 , hedges
, etc.) que os mais pobresnão têm. Em regimes de turbulência cambial ou altas taxas de juros é justamente essacategoria social que consegue efeitos expressivos de multiplicação patrimonial; ou, na pior hipótese, de melhor proteção contra perdas relativas. Tais atores clamam por governançaglobal, mas nem sequer pensam em governabilidade.Estudos do Banco Mundial defendem que quanto mais aberto o país ao comércio, emais globalizado, mais riqueza ele tende a gerar. Curioso que, agora, os exemplos citadossão a China e a Índia, a primeira tão avessa a medidas e recomendações neoliberaisclássicas. Mas o argumento do Banco Mundial sobre os efeitos benignos da globalizaçãono crescimento, na pobreza e na distribuição de renda não sobrevive a um exame mais profundo. Ele foi questionado por um estudo recente de Robert Hunter Wade sobre arelação entre abertura econômica e igualdade da renda. Este estudo demonstra que entreos subconjuntos dos países com níveis baixos e médios de renda, os níveis mais elevadosde abertura de comércio são associados com mais desigualdade; e que só nos países derenda mais elevada a abertura está ligada à igualdade. Ou seja, quanto mais alta for a rendamédia do país, mais ele se beneficia com a globalização; e não o contrário.Os números relativamente otimistas do Bird sobre a evolução da pobreza nomundo precisam sempre ser lidos com extremo cuidado. Tentando justificar alguns dos2
 
fracassos resultantes da aplicação de suas políticas, as instituições internacionais fazemmanobras para provarem que a miséria diminuiu por conta dos processos de liberalização por eles defendidos. Para padronizar um critério, em meio ao caos metodológico, criou-seum novo padrão de pobreza: pessoas vivendo com menos de 1 dólar por dia são ditasmiseráveis e com menos de 2 dólares por dia são classificadas como pobres. Asconclusões do dogmático Banco Mundial são taxativas: a pobreza reduziu-se no mundo de1987 a 2001, coincidentemente o período em que a abertura global fez-se regra. O númerode pobres caiu de 60% para 53% da população; quanto ao percentual de miseráveis,reduziu-se de 28% para 21%. Para além da discussão sobre se essa redução é verdadeira,os percentuais são por si só brutais e absolutamente incompatíveis com os padrõescivilizacionais e avanços tecnológicos disponíveis, especialmente quando encontramosregiões imensas como o sul da Ásia e a África subsahariana com mais de 76% de pobres,tendo essa última 47% de miseráveis. No entanto, examinando com o mínimo de cuidadoa versão otimista dos dados consolidados divulgados, encontramos um revelador disparate: é o caso excepcional da China, responsável por 20% da população mundial.Sem ela e sem a Índia, os números mostram tendências diferentes. Claro está que este país passa por uma fase notável, crescendo a altas taxas há mais de dez anos; mas também éóbvio que isso pouco tem a ver com a modelagem padrão sugerida pelo FMI e pelo BancoMundial. Muito pelo contrário. A China evita aderir a esquemas de governança que possam limitar sua capacidade de governabilidade. Na verdade, desde a Inglaterra do século XIV até os NICs (New IndustrializedCountries) asiáticos do fim do século XX, os países em saltos de desenvolvimentoutilizaram insistentemente políticas industrial, comercial e tecnológica ativas – muito alémda mera proteção tarifária – para promover o crescimento de suas atividades econômicas públicas e privadas. Ha-Joon Chang, após fazer uma minuciosa análise das políticas eresultados alcançados nas últimas décadas por países que “deram certo”, lembra que “o problema comum enfrentado por todas as economias em
catch-up
é que a passagem paraatividades de maior valor agregado, que constitui a chave do processo dedesenvolvimento, não se dá espontaneamente”. A razão é que há discrepâncias entre oretorno social e individual de investimentos nas atividades de alto valor agregado – ouindústrias nascentes – nessa fase, tornam-se necessários mecanismos para socializar orisco envolvido desses investimentos. Uma grande multiplicidade de instrumentos de política pública foi e pode ser usada. Os países bem-sucedidos são, tipicamente, os que semostraram capazes de adaptar o foco de suas políticas às diferentes situações.3

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