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O MERCADOR DE VENEZA
(The Merchant of Venice) 
William Shakespeare
INDICEATO ICena ICena IICena IIIATO IICena ICena IICena III
O Mercador de Venezafile:///C|/site/LivrosGrátis/omercador.htm (1 of 49) [15/04/2001 21:08:49]
 
Cena IVCena VCena VICena VIICena VIIICena IXATO IIICena ICena IICena IIICena IVCena VATO IVCena ICena IIATO VCena IPERSONAGENS
O DOGE DE VENEZA.O PRÍNCIPE DE MARROCOS, pretendente de Pórcia.O PRÍNCIPE DE ARAGÂO, pretendente de Pórcia.ANTÔNIO, um mercador de Veneza.BASSÂNIO, seu amigo.GRACIANO, amigo de Antônio e de Bassânio.
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SALNIO, amigo de Antônio e de Bassânio.SALARINO, amigo de Antônio e de Bassânio.LOURENÇO, apaixonado de Jessica.SHYLOCK, um judeu rico.TUBAL, um judeu, seu amigo.LANCELOTO GOBBO. criado de Shylock.O VELHO GOBBO, pai de Lanceloto.LEONARDO, criado de Bassânio.BALTASAR, criado de Pórcia.ESTÉFANO, criado de Pórcia.PÓRCIA, rica herdeira.NERISSA, sua dama de companhia.JESSICA, filha de Shylock.Senadores de Veneza, oficiais da Corte de Justiça, um carcereiro, criados de Pórcia e outros servidores.
ATO ICena I
Veneza. Uma rua. Entram Antônio. Salarino e Salânio.
ANTÓNIO - Não sei, realmente, porque estou tão triste. Isso me enfara; e a vós também, dissestes. Mascomo começou essa tristeza, de que modo a adquiri, como me veio, onde nasceu, de que matéria é feita,ainda estou por saber. E de tal modo obtuso ela me deixa, que mui dificilmente me conheço.SALARINO - Vosso espírito voga em pleno oceano, onde vossos galeões de altivas velas - comoburgueses ricos e senhores das ondas, ou qual vista aparatosa distendida no mar - olham por cima damultidão de humildes traficantes que os saúdam, modestos, inclinando-se, quando perpassam comtecidas asas.SALÂNIO - Podeis crer-me, senhor: caso eu tivesse tanta carga no mar, a maior parte de minhas afeiçõesnavegaria com minhas esperanças. A toda hora folhinhas arrancara de erva, para ver de onde sopra ovento; debruçado nos mapas, sempre, procurara portos, embarcadoiros, rotas, sendo certo que me deixaralouco tudo quanto me fizesse apreensivo pela sorte do meu carregamento.SALARINO - Meu hálito, que a sopa deixa fria, produzir-me-ia febre, ao pensamento dos desastres queum vento muito forte pode causar no mar. Não poderia ver correr a ampulheta, sem que à idéia meviessem logo bancos e mais bancos de areia e mil baixios, inclinado vendo o meu rico "André" numacoroa, mais fundo o topo do que os próprios flancos, para beijar a tumba; não iria à igreja sem que a vistado edifício majestoso de pedra me fizesse logo lembrado de aguçadas rochas, que, a um simples toque nomeu gentil barco, dispersariam pelas ondas bravas suas especiarias, revestindo com minhas sedas asselvagens ondas. Em resumo: até há pouco tão valioso tudo isso; agora, sem valia alguma. Pensamentoterei para sobre essa conjuntura pensar, e há de faltar-me pensamento no que respeita à idéia de que talcoisa me faria triste? Mas não precisareis dizer-me nada: sei que Antônio está triste só de tanto pensar emsuas cargas.ANTÔNIO - Podeis crer-me, não é assim. Sou grato à minha sorte; mas não confio nunca os meus
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