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SEMEDO_2006_Práticas narrativas na profissão museológica

SEMEDO_2006_Práticas narrativas na profissão museológica

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SEMEDO, Alice –
Práticas narrativas na profissão museológica: estratégias de exposição decompetência e posicionamento da diferença
, in Alice Semedo e João Teixeira Lopes (Coord..)
Museus, Discursos e Representações
, Edições Afrontamento: Porto. ISBN10:972-36-0818-9pags.69-93, 2006.
Práticas narrativas na profissão museológica:estratégias de exposição de competência e posicionamento da diferençaAlice Semedo1.
 
Introdução
Este artigo apresenta uma reflexão sobre as mudanças verificadas na forma como a profissãomuseológica em Portugal como comunidade discursiva se representa nos seus textos duranteo período seleccionado para análise (1975-1998). As comunidades discursivas são aquientendidas, em larga medida, como auto-definidoras e auto-policiadas. Porquanto, comoEllen Valle (1997: 70) já argumentou quando falava de comunidades científicas, é antes demais (i) a comunidade que decide (dentro dos constrangimentos impostos pela sociedade emgeral) quais são as preocupações legítimas do grupo e que tipos de questões podem legitimaressas mesmas preocupações; (ii) que estabelece os critérios pelos quais a validade das suasconclusões pode ser avaliada e (iii) que define o corpo de conceitos, entidades e preposiçõesaceites como válidas – até que evidentemente sejam substituídos por outros mais recentes –como
conhecimento de grupo
. O mesmo pode ser dito em relação a este grupo. Osmecanismos através dos quais a codificação de conceitos e informação se torna
conhecimento de grupo
pode acontecer de uma forma explícita, por exemplo em situaçõesde educação formal (ex. cursos universitários), ou em declarações dos próprios profissionais.Estas comunidades discursivas estabelecem, igualmente, critérios de admissão para os novosmembros, nomeando
sentinelas
que regulam este acesso (por exemplo através do acesso ameios de publicação) e definindo
o espaço de possibilidades
(Bourdieu 1992: 268). O grupode profissionais de museologia não é porém monolítico. Pelo contrário, devido à próprianatureza das colecções, às diferentes localizações e tutelas dos museus, etc., o grupo é
 
 
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ricamente heterogéneo. Em relação à sociedade em geral, no entanto, o grupo tende amanter uma frente unida apresentando problemas e aspirações comuns e utilizando um
vocabulário
comum.Tentaremos pois fazer uma análise do discurso da profissão museológica através dos textosapresentados por membros privilegiados do grupo (privilegiados no sentido em que tiveramacesso a meios de divulgação como os encontros do grupo podem ser considerados). Nestaanálise interessou-nos sobretudo a investigação do desenvolvimento dos conceitos que sereferem à identidade do grupo, apontando padrões, similitudes e diferenças, oferecendouma leitura dos mecanismos subjacentes e de como o discurso encarna estereótipos eatitudes da profissão. Assume-se que o grupo de declarações definidos e delimitados queconstituem um discurso são eles mesmos expressivos de e organizados por uma ideologiaespecifica do grupo.Esta visão é também ancorada no trabalho de Bourdieu que vê o discurso como incorporandoformas de pensar e de agir. De acordo com esta tradição, os discursos não são só sistemasreferenciais ou representacionais mas sim parte da infra-estrutura que ordena, que organizaas práticas de uma sociedade, de um grupo. É, portanto, sugerido que os textos analisadosincorporam estas infra-estruturas como partes do discurso e que podemos aprender algoacerca das infra-estruturas através do estudo de formas discursivas. O conceito de infra-estrutura de relações sociais tem também claras afinidades com o conceito de “schemata”proposto por Bourdieu e Wacquant (1992: 7) que se refere às práticas de classificação mentale física que funcionam como padrões simbólicos e que orientam as actividades práticas dosagentes sociais: comportamentos, pensamentos, sentimentos e juízos.Neste contexto, “discurso” refere-se então a um sistema de linguagem que se apoia numadeterminada terminologia e que codifica formas específicas de conhecimento (ex. linguagensespecializadas). Este tipo de linguagem especializada pode ser visto como tendo três efeitosimportantes: define um campo de conhecimento; concede admissão ao grupo; e, finalmente,confere autoridade (Tonkiss, 1998: 248). Em primeiro lugar, os
discursos especializados
 estabelecem uma esfera de influência de especialização distinta, definindo o campo daprática museológica e as questões com que se relaciona. Em segundo lugar, permite aosprofissionais de museus comunicar entre si de forma coerente e consistente. As convenções eregras internas do discurso profissional funcionam como uma forma de socialização dosmembros na profissão, permitindo-lhes operar no grupo de uma forma competente. Emterceiro lugar, o discurso profissional
autoriza
certas declarações e certos intervenientes.
 
 
3
Finalmente, assume-se que estes discursos desempenham um papel muito importante no quese denomina de “agenda-setting” política do grupo (Tonkiss, 1998: 240), influenciando odebate, a tomada de decisões e outras formas de acção. Por outro lado, a linguagem é aquitambém entendida como um tipo de prática social entre muitas outras utilizadas nosprocessos de representação e de significação que organizam e definem activamente arelação dos seus membros com o mundo social. Ao considerarmos o discurso no seu contextosocial é útil sublinhar dois temas centrais. O primeiro destes diz respeito ao contextointerpretativo em que o discurso se localiza. O segundo relaciona-se com a organizaçãoretórica do próprio discurso. O termo “contexto interpretativo” refere-se à localização emtermos sociais de um determinado discurso. Por exemplo, podem ser desenvolvidosargumentos relacionados com a relação do museu com o exterior que se podem relacionarcom os diferentes posicionamentos do
 produtor 
(ex. proveniência institucional, género,etc.).Para além disso, as abordagens retóricas escolhidas pelos textos dizem respeito aosesquemas argumentativos que os organizam e que funcionam para estabelecer autoridade deversões, descrições particulares enquanto contra-alternativas (Billig, 1987;Tonkiss, 1998:250). Neste sentido, a análise retórica aqui desenvolvida não diz respeito, simplesmente, àforma como as afirmações são reunidas mas é também – e que é talvez mais importante –acerca dos efeitos que estas afirmações procuram ter e a sua inserção num contexto retóricomais alargado no qual certas formas de conhecimento são privilegiadas, certas formas deargumentação são persuasivas e certos autores são ouvidos como autoridades. “Retórica”refere-se a situações em que o discurso pode moldar (modificar, limitar, definir) “efeitos”: odiscurso retórico é persuasivo na sua acção. Este tipo de análise procura formas nas quais ossentidos sejam construídos – como é que os profissionais de museus são representados ecomo é que atitudes profissionais são (re)produzidas e legitimadas através do uso dalinguagem.
2.
 
Estudando os textos da comunidade: considerações metodológicas
Nesta análise optámos por estudar peças do discurso público e oficial produzidas por autorescom acesso a locais privilegiados de produção e regulação de representações e práticas,como os encontros-colóquio do grupo podem ser considerados. Para além disso, esses

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