3
receita tributária, enumeradas as fontes das rendas do governo geral restava àsprovíncias aventurar-se pelos caminhos da ilegalidade e/ou avançar sobre as possíveisfontes de arrecadação das municipalidades
4
. Com relação aos municípios
5
, aConstituição do Império lhes assegura o
status
de subdivisões administrativas dasprovíncias sem quaisquer referências às suas prerrogativas tributárias.A Constituição republicana de 1891 incorporou, em boa medida, a estruturatributária herdada do final do Império
6
. Uma inovação importante, porém, diz respeito àadoção do regime de separação de fontes tributárias, com impostos cuja arrecadação erade competência exclusiva da União e dos estados. Em relação aos municípios, embora otexto constitucional assegure-lhes autonomia em tudo o que diz respeito ao seu “peculiarinteresse”
7
, não lhes garante a prerrogativa de estabelecer tributos, cabendo aos estados afixação dos impostos municipais. Tem-se uma União composta por uma federação deestados, mas não estados compostos por uma federação de municípios. (Carvalho 1936)As principais mudanças tributárias consubstanciadas na Constituição de 1934inserem-se no processo de evolução do sistema tributário nacional no sentido dasubstituição de impostos incidentes sobre operações de comércio exterior por tributos
3
Em relação a experiência brasileira, aceito a sugestão de se designar o Estado brasileiro como sendo de tipo federal, namedida em que “são federativos os corpos políticos surgidos da associação de entidades autônomas e ‘federais’ os que sedividiram territorialmente por ato emanado da autoridade central” (Torres 1961:51).
4
Por ocasião do “Regresso”, período marcado por uma relativa recentralização do poder político, a Lei de Interpretaçãonº105 (12/5/1840) restringiu os efeitos descentralizantes do Ato Adicional por meio da limitação dos poderes dasassembléias provinciais e do presidente da Província.
5
A designação
município
aparece pela primeira vez em nossa história constitucional no Regimento das CammarasMunicipaes do Império ou Lei do 28 de outubro de 1828, lei orgânica dos municípios durante o período imperial.
6
A propósito das discussões em que se contrapunham propostas de centralização e descentralização do sistema políticoimperial e das afinidades históricas entre os ideários republicano e federalista que impregnaram a primeira Constituição daRepública, ver Carvalho (1998).
7
Segundo Leal (1976, p. 81-82), a Constituição de 1891 não definiu o conceito de “peculiar interesse”, remetendo àsconstituições dos estados e às suas respectivas legislações ordinárias a delimitação das competências municipais.
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