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Sobre o conceito de Cultura - Clifort Geertz

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Um breve texto comentando o conceito de Cultura para o conceituadíssimo antropólogo Clifort Geertz.
Um breve texto comentando o conceito de Cultura para o conceituadíssimo antropólogo Clifort Geertz.

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Published by: professormauroalcantara on Apr 10, 2009
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SOBRE O CONCEITO DE CULTURA
(...) quero propor duas idéias. A primeira delas é que a cultura é melhor vista não como um complexode padrões concretos de comportamento - costumes, usos, tradições, feixes de hábitos - como tem sido o casoaté agora, mas como um conjunto de mecanismos de controle - planos, receitas, regras, instruções ( o que osengenheiros de computação chamam “programas”) - para governar o comportamento. A segunda idéia é que ohomem é precisamente o animal mais desesperadamente dependente de tais mecanismos de controle,extragenéticos, fora da pele, de tais programas culturais, para ordenar seu comportamento.A perspectiva da cultura como “mecanismo de controle” inicia-se com o pressuposto de que opensamento humano é basicamente tanto social como público - que seu ambiente natural é o pátio familiar, omercado e a praça da cidade. Pensar consiste não nos “acontecimentos na cabeça” (embora sejam necessáriosacontecimentos na cabeça e em outros lugares para que ele ocorra), mas num tráfego entre aquilo que foichamado por G. H. Mead e outros de símbolos significantes - as palavras, para a maioria, mas também gestos,desenhos, sons musicais, artifícios mecânicos como relógios, ou objetos naturais como jóias - na verdade,qualquer coisa que esteja afastada da simples realidade e que seja usada para impor um significado àexperiência. Do ponto de vista de qualquer indivíduo particular, tais símbolos são dados, na sua maioria. Ele osencontra já em uso corrente na comunidade quando nasce e eles permanecem em circulação após sua morte,com alguns acréscimos, subtrações e alterações parciais dos quais pode ou não participar. Enquanto vive, eleutiliza deles, ou de alguns deles, às vezes deliberadamente e com cuidado, na maioria das vezesespontaneamente e com facilidade, mas sempre com o mesmo propósito: para fazer uma construção dosacontecimentos através dos quais ele vive, para auto-orientar-se no “curso corrente das coisas experimentadas”,tomando de empréstimo uma brilhante expressão de John Dewey.O homem precisa tanto de tais fontes simbólicas de iluminação para encontrar seus apoios no mundoporque a qualidade não simbólica constitucionalmente gravada em seu corpo lança uma luz muito difusa. Ospadrões de comportamento dos animais inferiores, pelo menos numa grande extensão, lhes são dados com asua estrutura física; fontes genéticas de informação ordenam suas ações com margens muito mais estreitas devariação, tanto mais estreitas e mais completas quanto mais inferior o animal. Quanto ao homem, o que lhe édado de forma inata são capacidades de resposta extremamente gerais, as quais, embora tornem possível umamaior plasticidade, complexidade e, nas poucas ocasiões em que tudo trabalha como deve, uma efetividade decomportamento, deixam-no muito menos regulado com precisão. Este é, assim, o segundo aspecto do nossoargumento. Não dirigido por padrões culturais - sistemas organizados de símbolos significantes - ocomportamento do homem seria virtualmente ingovernável, um simples caos de atos sem sentido e deexplosões emocionais, e sua experiência não teria praticamente qualquer forma. A cultura, a totalidadeacumulada de tais padrões, não é apenas um ornamento da existência humana, mas uma condição essencialpara ela - a principal base de sua especificidade.Na antropologia, algumas dessas evidências mais reveladoras que apoiam tal posição provém deavanços recentes em nossa compreensão daquilo que costumava ser chamado a descendência do homem: aemergência do
 Homo sapiens
do seu ambiente geral primata. Três desses avanços são de importânciarelevante: (1) o descartar de uma perspectiva seqüencial das relações entre a evolução física e odesenvolvimento cultural do homem em favor de uma superposição ou uma perspectiva interativa; (2) adescoberta de que a maior parte das mudanças biológicas que produziram o homem moderno, a partir de seusprogenitores mais imediatos, ocorreu no sistema nervoso central, e especialmente no cérebro; (3) acompreensão de que o homem é, em termos físicos, um animal incompleto, inacabado; o que o distingue maisgraficamente dos não homens é menos sua simples habilidade de aprender (não importa quão grande seja ela)do que quanto e que espécie particular de coisas ele tem que apreender antes de poder funcionar.Grosso modo, isso sugere não existir o que chamamos de natureza humana independente da cultura. Oshomens sem cultura não seriam os selvagens inteligentes de
 Lord of the Flies,
de Golding, atirados à sabedoriacruel dos seus instintos animais; nem seriam eles os bons selvagens do primitivismo iluminista, ou até mesmo,como a antropologia insinua, os macacos intrinsecamente talentosos que, por algum motivo, deixaram de seencontrar. Eles seriam monstruosidades incontroláveis, com muito poucos instintos úteis, menos sentimentosreconhecíveis e nenhum intelecto: verdadeiros casos psiquiátricos. Como nosso sistema nervoso central - eprincipalmente a maldição e glória que o cercam, o neocortex - cresceu, em sua maior parte, em interação coma cultura, ele é incapaz de dirigir nosso comportamento ou organizar nossa experiência sem a orientaçãofornecida por sistemas de símbolos significantes. O que nos aconteceu na Era Glacial é que fomos obrigados à

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