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Políticas fundiárias no Brasil: Uma análise geo-histórica da governança da terra no Brasil

Políticas fundiárias no Brasil: Uma análise geo-histórica da governança da terra no Brasil

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Texto de Bernardo Mançano Fernandes, Clifford Andrew Welch e Elienai Constantino Gonçalves. Segunda edição da série "Governança da Terra no Século XXI: Sessões Framing the Debate, organizada pela ILC. "Este artigo analisa os paradoxos da governança da terra no Brasil em seu contexto histórico, destacando em particular a subordinação permanente dos agricultores camponeses aos interesses dos grandes proprietários e do agronegócio. Delineia o desenvolvimento através das divisões regionais do país e da estrutura fundiária desde os tempos coloniais, quando colonizadores portugueses começaram a “esculpir” o que viria a ser o território brasileiro. Descreve o surgimento da agricultura em grande escala desde as plantation até a produção de commodities para exportação, ou a evolução dos latifúndios em monoculturas transnacionais denominadas agronegócio, que estão se apropriando cada vez mais de terras, mantendo a concentração fundiária. Apesar de várias mudanças de governo e tentativas esporádicas de realizar a reforma agrária, a questão agrária continua sem solução, enquanto o capitalismo agrário sempre contou com o apoio da maior parte da classe política do Brasil. Esta postura política favorável aos latifundiários e ao agronegócio acontece em detrimento dos pequenos agricultores camponeses, povos indígenas e outros grupos sociais que, apesar de produzir grande parte dos alimentos do país, estão sendo cada vez mais marginalizados, destituídos de suas terras e modos tradicionais de vida. Este documento examina em detalhe esse fenômeno em todas as regiões do Brasil e também analisa as tendências, como grilagem e estrangeirização de terras por interesses de governos e corporações estrangeiras, por causa da crescente demanda por agrocombustíveis e alimentos. Discute também a migração rural-urbana e os impactos sobre o meio ambiente. Em todo o texto se coloca a questão essencial: como o vasto território brasileiro pode ser governado para atender aos interesses de todos e não apenas de uns poucos privilegiados?
Texto de Bernardo Mançano Fernandes, Clifford Andrew Welch e Elienai Constantino Gonçalves. Segunda edição da série "Governança da Terra no Século XXI: Sessões Framing the Debate, organizada pela ILC. "Este artigo analisa os paradoxos da governança da terra no Brasil em seu contexto histórico, destacando em particular a subordinação permanente dos agricultores camponeses aos interesses dos grandes proprietários e do agronegócio. Delineia o desenvolvimento através das divisões regionais do país e da estrutura fundiária desde os tempos coloniais, quando colonizadores portugueses começaram a “esculpir” o que viria a ser o território brasileiro. Descreve o surgimento da agricultura em grande escala desde as plantation até a produção de commodities para exportação, ou a evolução dos latifúndios em monoculturas transnacionais denominadas agronegócio, que estão se apropriando cada vez mais de terras, mantendo a concentração fundiária. Apesar de várias mudanças de governo e tentativas esporádicas de realizar a reforma agrária, a questão agrária continua sem solução, enquanto o capitalismo agrário sempre contou com o apoio da maior parte da classe política do Brasil. Esta postura política favorável aos latifundiários e ao agronegócio acontece em detrimento dos pequenos agricultores camponeses, povos indígenas e outros grupos sociais que, apesar de produzir grande parte dos alimentos do país, estão sendo cada vez mais marginalizados, destituídos de suas terras e modos tradicionais de vida. Este documento examina em detalhe esse fenômeno em todas as regiões do Brasil e também analisa as tendências, como grilagem e estrangeirização de terras por interesses de governos e corporações estrangeiras, por causa da crescente demanda por agrocombustíveis e alimentos. Discute também a migração rural-urbana e os impactos sobre o meio ambiente. Em todo o texto se coloca a questão essencial: como o vasto território brasileiro pode ser governado para atender aos interesses de todos e não apenas de uns poucos privilegiados?

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Published by: Cândido Neto da Cunha on May 15, 2013
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GOVERNANÇA DA TERRA NO SÉCULO XXI:
SESSÕES FRAMING THE DEBATE
Políticas fundiárias no Brasil
Uma análise geo-histórica da governança da terra no Brasil
por Bernardo Mançano Fernandes, Cliford Andrew Welch, ElienaiConstantino Gonçalves
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Sobre este volume
Este artigo analisa os paradoxos da governança da terra noBrasil em seu contexto histórico, destacando em particulara subordinação permanente dos agricultores camponesesaos interesses dos grandes proprietários e do agronegócio.Delineia o desenvolvimento através das divisões regionaisdo país e da estrutura undiária desde os tempos coloniais,quando colonizadores portugueses começaram a “esculpir” oque viria a ser o território brasileiro. Descreve o surgimento daagricultura em grande escala desde as plantation até a produçãode commodities para exportação, ou a evolução dos latiúndiosem monoculturas transnacionais denominadas agronegócio,que estão se apropriando cada vez mais de terras, mantendo aconcentração undiária. Apesar de várias mudanças de governoe tentativas esporádicas de realizar a reorma agrária, a questãoagrária continua sem solução, enquanto o capitalismo agráriosempre contou com o apoio da maior parte da classe políticado Brasil. Esta postura política avorável aos latiundiários e aoagronegócio acontece em detrimento dos pequenos agricultorescamponeses, povos indígenas e outros grupos sociais que,apesar de produzir grande parte dos alimentos do país, estãosendo cada vez mais marginalizados, destituídos de suas terras emodos tradicionais de vida. Este documento examina em detalheesse enômeno em todas as regiões do Brasil e também analisaas tendências, como grilagem e estrangeirização de terras porinteresses de governos e corporações estrangeiras, por causa dacrescente demanda por agrocombustíveis e alimentos. Discutetambém a migração rural-urbana e os impactos sobre o meioambiente. Em todo o texto se coloca a questão essencial: comoo vasto território brasileiro pode ser governado para atender aosinteresses de todos e não apenas de uns poucos privilegiados?Editado por David WilsonDesenho por Federico PinciCitações: Bernardo Mançano Fernandes, Cliord Andrew Welch,Elienai Constantino Gonçalves 2012. “Land Governance in Brazil”.Framing the Debate Series, no. 2. ILC, Roma.ISBN: 978-92-95093-79-9
O Secretariado da ILC agradece o envio de cópias de quaisquerpublicações que utilizem este estudo como onte através doendereço ino@landcoalition.orgAs opiniões nele expressas pertencem aos autores e pessoasentrevistados no âmbito deste relatório, não constituindo umaposição ocial da ILC, seus respectivos membros ou doadores.© 2012 International Land Coalition.
 
Prefácio
É com muito prazer que apresento a segunda edição deGovernança da Terra no Século XXI: Sessões
Framing theDebate
, organizada pela ILC. A primeira edição incidiu sobre aÁrica, um continente que deverá encontrar soluções para aquestão undamental da governança da sua terra e recursosnaturais. As possibilidades são diversas e daí resultam debatesde natureza complexa e multiacetada.Esta edição lança um olhar sobre o Brasil, um país comdimensão continental, com pronunciada diversidade regionale proundos contrastes e paradoxos socioeconômicos e,portanto, territoriais. O setor agrícola brasileiro tem registadoum desenvolvimento espetacular, como resultado da apostasimultânea nas grandes propriedades do agronegócio e naspequenas propriedades camponesas, as quais aparentementedesempenham papéis complementares. A paisagem rural dopaís varia entre moderníssimos complexos agroindustriais(como por exemplo na região Concentrada, em São Paulo) epequenas unidades camponesas mal equipadas (como é ocaso da região ordeste). O Brasil é hoje o principal exportadorde vários produtos agrícolas, razão pela qual é um dosprincipais atores na redenição da ordem mundial do comércioalimentar, tradicionalmente dominado pelos Estados Unidos eEuropa. O Brasil é, juntamente com os Estados Unidos, um doslíderes na promoção dos agrocombustíveis. E o Brasil étambém um país com pobreza extrema tanto em zonasurbanas como rurais. Ao mesmo tempo em que investidoresbrasileiros adquirem e arrendam, de orma ativa, terras empaíses vizinhos, o país é ainda um dos principais alvos globaisde negócios de terras protagonizados por estrangeiros. Porestas razões, a que se juntam as muitas inovações introduzidaspor governos recentes, mas atendendo apenas parcialmenteas demandas dos movimentos camponeses, como é o caso dareorma agrária. Esta dinâmica social dá vida intelectualvibrante, de modo que o Brasil é talvez o mais rico laboratóriona área da governança da terra. A experiência brasileira e aorma como o país lida com os desaos atuais assumemrelevância signicativa para as várias economias emergentes epaíses em desenvolvimento.Os autores da presente edição (Bernardo Fernandes, CliordWelch e Elienai Gonçalves) não tiveram tarea ácil. Em linha como propósito das Sessões
Framing the Debate
, esta edição pretendeclaricar os termos que conormam o debate sobre a terra noBrasil, de orma sucinta, mas sem simplicar excessivamente acomplexa realidade Brasileira. Os autores estiveram à altura dodesao. Desentranharam elementos essenciais da história doBrasil dos últimos seis séculos, lançando luz sobre os termos emque se ergueu o regime de propriedade, observado nos diversoscontextos regionais. A sua análise das diversas linhas de raciocínionos atuais debates sobre a terra no Brasil dedica particular atençãoà questão essencial que divide o acesso à terra: as dierentesormas de produtividade e desempenho econômico da grandespropriedades monocultoras comparada com as unidadesamiliares de pequena escala. O desempenho agrícola brasileiro émuitas vezes utilizado por deensores de ambas as partes nestedebate, como prova derradeira da superioridade de um modeloagrícola sobre o outro. O papel central da agricultura amiliar nosesorços de segurança alimentar e redução da pobreza no Brasil,destacados por Fernandes et al, contrasta de orma radical com aperspectiva segundo a qual o desempenho agrícola brasileiro nasúltimas décadas resulta do investimento em produção de grandeescala. O
modelo brasileiro de grandes escala e elevada produção
é,por exemplo, considerado por Paul Collier () como o principalmotor por detrás do impressionante aumento na produção deculturas no Brasil e o seu papel crescentemente dominante nosmercados de produtos agrícolas
. Para a Economist (), o Brasilé o
 primeiro gigante alimentar tropical 
, em grande parte devido aoseu sector de grandes culturas
. Com esta edição das sessões
Framing the Debate
, torna-se evidente que a velha controvérsiasobre a relação entre a escalas de produção, qualidade e eciêncianão será, com probabilidade, resolvida nos próximos tempos.
 
Collier, P. .
The Politics o Hunger. How Illusion and Greed Fan the Food Crisis.Foreign Aairs.
ovember-December.Cremaq, P. .
Brazilian agriculture. The miracle o the cerrado. Brazil hasrevolutionised its own arms. Can it do the same or others? 
 The Economist.  Agosto.Aceder em:
http://
www.economist.com/node/

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