Em contrapartida à negação total da liberdade do homem, temos o outroextremo: as tendências religiosas que intensificam o livre-arbítrio de talforma que chegam a ofuscar a soberania de Deus, como o pelagianismoromano e, principalmente, o arminianismo da maioria das igrejasevangélicas pós-reforma protestante. Nesse sentido, Wright denuncia a “manipulação genética” que essas igrejas estão fazendo em Deus,retirando-lhe atributos que são próprios e exclusivos de sua natureza divina,simplesmente para “acomodar a suposição da autonomia humana” (WRIGHT, 1998, p.14).Como pudemos perceber acima, a busca cíclica do homem por novasrespostas a antigos problemas – ora beneficiando a liberdade do homem oraexcluindo-a por completo, em nome da soberania divina, tende a continuar.O homem só se fixará em um sistema de resposta convincente quandoentender, como afirma A.W.Pink, em seu famoso livro
“Deus é Soberano”
,que as duas sentenças são verdadeiras, em certo sentido: O homem é livree responsável pelos seus atos e, ao mesmo tempo, Deus é Soberano.O Calvinismo é esse poderoso sistema, não somente teológico, mas de vida.Hermeticamente fechado, atende aos interesses mais profundos dahumanidade, tanto da alma quanto da racionalidade. O Calvinismoreconhece Deus como Deus, soberano, acima de tudo e de todos; aomesmo tempo em que entende o homem, na sua situação pré-queda, comolivre e pós-queda, como uma criatura decaída. O Calvinismo entende ohomem e o próprio Deus, pelo prisma das Sagradas Escrituras; ao mesmotempo que se distancia do misticismo, abrindo, com isso, uma importante janela para o desenvolvimento e a racionalidade, aproxima-se, de formaprofunda e coerente, com a antropologia e teologia da revelação escrita.Kuyper, comentando sobre o sistema de vida calvinista, faz a seguinteafirmação:Não há dúvida, então, de que o Cristianismo está exposto a grandes esérios perigos. Dois sistemas de vida estão em combate mortal. OModernismo está comprometido em construir um mundo próprio a partir deelementos do homem natural, e a construir o próprio homem a partir deelementos da natureza; enquanto que, por outro lado, todos aqueles quereverentemente humilham-se diante de Cristo e o adoram como o Filho doDeus vivo, e o próprio Deus, estão resolvidos a salvar a “herança cristã”.Esta é a luta na Europa, esta é a luta na América, e esta também é a lutapor princípios em que meu próprio país está engajado, e na qual eu mesmotenho gasto todas as minhas energias por quase quarenta anos.Nessa lutaapologética não temos avançado um único passo. Os apologistasinvariavelmente começam abandonando a defesa assaltada, a fim deentrincheirarem-se covardemente um revelim atrás deles. Desde o início,portanto, tenho sempre dito a mim mesmo, -“Se o combate deve sertravado com honra e com esperança de vitória, então, princípio deve serordenado contra princípio. A seguir, deve ser sentido que no Modernismo, aimensa energia de um abrangente sistema de vida nos ataca; depoistambém, deve ser entendido que temos de assumir nossa posição em umsistema de vida de poder, igualmente abrangente e extenso. E estepoderoso sistema de vida não deve ser inventado nem formulado por nós
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