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Desde os anos vinte do século passado até os oitenta do presente,Krishnamurti viajou pelo mundo todo até á idade madura de 91 anos,
sempr
e a dar conferências, a escrever, a dialogar com eruditos e religiosos,ou então a reunir-se em silêncio junto de homens e mulheres quebuscavam a sua presença compassiva e curativa. Os seus ensinos não sebaseavam no conhecimento livresco nem na erudição mas na suacompreensão intuitiva da condição humana e na sua percepção do sagrado.Ele não expunha nenhuma filosofia mas reportava-se antes a factos doviver diário que dizem respeito a todos nós- os problemas concernentes aoviver numa sociedade moderna com a sua corrupção e violência, buscaindividual por segurança e felicidade, e da necessidade do Homem selibertar dos jugos internos da raiva, da ganância, do medo e da tristeza.Krishnamurti viveu ao longo da mais tumultuosa parte de um século queviu duas guerras mundiais, o despoletar do átomo, o rompimento dediversas ideologias, a destruição selvagem da terra, e da degeneração detodos os aspectos do viver humano. Tratou-se também de um século quefoi capaz de reclamar um progresso fenomenal nos mais variados campostecnológicos. A visão profética de Krishnamurti preveniu-nos com relação a
eventos largamente adiantados no tempo.
Décadas antes que pudéssemos ter noção do perigo que o planeta corria,ele já vinha a exortar as crianças da escola a cuidarem da terra e paraagirem com delicadeza no que lhe concerne. Lá pela década dos 70 ele
perguntava: " Que acontecerá aos seres humanos se o computador tomar a
seu cargo as funções do cérebro?" Aquilo que mais impressiona naabordagem de krishnamurti, contudo, é que, ao mesmo tempo que sedirigia às questões sociais, políticas e económicas da altura, as suasrespostas radicam numa visão sem tempo sobre a vida e a verdade. Elemostrava que, por detrás de cada problema reside o "criador" desse
problema,
e até que ponto a fonte de todo o conflito e violência residem namente humana. Ele não apresentava “soluções à medida” para estasquestões contemporâneas, pois percebia com clareza que não passavam desintomas de um mal estar mais profundo que reside embutido na mente eno coração de todo o ser humano. Apesar de ser reconhecido tanto no
Oriente como no Ocidente como um dos maiores líderes espirituais de todos
os tempos, Krishnamurti não pertencia a nenhuma religião, seita ou país.Tampouco subscrevia ele qualquer escola de pensamento, político ouideológico. Ao contrário, sustentava que isso constitui factores que dividem
o homem e produzem o conflito e a guerra.
Enfatizou repetidas vezes que nós, seres humanos, somos a coisaprimordial, que cada um de nós é semelhante, e não distinto do resto dahumanidade. Salientou a importância de conferirmos à nossa vida diáriauma qualidade profundamente meditativa e religiosa. Só assim umamudança radical, dizia, poderá fazer emergir uma mentalidade e uma
civi
lização novas. Desse modo o seu ensinamento transcende todas asfronteiras de crenças religiosas, sentimento nacionalista e perspectivasectária criadas pelo homem, ao mesmo tempo que conferem um novosignificado e uma nova direcção à busca de significado e da Verdade. Alémdos seus ensinamentos serem de relevância para a era actual, são
intemporais e universais.
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